Neste quadriênio foram defendidas 3 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

 

Terezinha Cristina Campos de Resende

Título: Dinâmica do contato dialetal: estudo sociolingüístico em Conceição de Ibitipoca – MG.

Orientadora: Christina Abreu Gomes Páginas: 185


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

O trabalho fundamenta sua análise na orientação teórica da sociolingüística variacionista e tem como base o estudo da concordância verbal de 3ª pessoa do plural. Apresenta resultados da pesquisa de campo realizada na vila de Conceição de Ibitipoca e seu entorno, uma daspovoações mais antigas de Minas Gerais, que nasceu do ciclo do ouro, no final do século XVII, permanecendo em relativo isolamento até 1973, quando foi criado, a 3 km da vila, o Parque Estadual do Ibitipoca. Observa a variação em função do contato dialetal entre nativos de Conceição de Ibitipoca e turistas que vistam a localidade. Trabalha com a hipótese do conflito entre “orientação para o prestígio e orientação para a identidade”, em consonância com a pesquisa realizada por Labov (1972), na ilha de Martha’s Vineyard. Abre discussão para o processo de formação do português popular brasileiro, apontando a transmissão lingüística irregular como motor das alterações na concordância verbal, principalmente no português falado em localidades rurais, que tiveram em sua constituição a presença do indígena, do negro e do colonizador português, como sucedeu-se na comunidade de fala em estudo.
PALAVRAS-CHAVE: Contato Dialetal. Variação Lingüística. Mudança em Progresso.

 

Patrícia Vargas Alencar

Título: Direcionalidade da aquisição do artigo definido frente a N próprio em contexto de input variável.

Orientador: Maria da Conceição Auxiliadora de Paiva Páginas: 166


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese focaliza a emergência do uso variável de artigo definido frente a N próprio por crianças que estão adquirindo o Português como L1. Procedemos a uma análise de situações reais de uso da língua, conjugando um estudo longitudinal e um estudo estratificado. No estudo longitudinal, analisamos o continuum aquisitivo, compreendido entre 1;2 e 4;10, da fala de uma criança e, no estudo estratificado, uma amostra composta de dez crianças distribuídas de acordo com os seguintes pontos etários: 1;06, 2;00, 2;06, 3;00 e 4;00. Com o objetivo de verificar até que ponto os padrões de variação da fala das crianças refletem influência do input, analisamos também a fala dos adultos que interagem com as crianças nas situações comunicativas que constituem nosso corpus. Partimos de uma perspectiva teórica que admite, como ponto de partida, que a criança adquire os padrões de variação dos adultos com quem interage, de tal modo que, numa dada etapa aquisitiva, passa a refletir a variabilidade do sistema dos adultos. Nossa hipótese pressupõe que o uso do artigo definido frente a N próprio ocorre de forma gradual, controlada por um conjunto de variáveis lingüísticas e se inicia nos contextos de maior freqüência na fala do adulto. Um tratamento estatístico nos moldes da Teoria da Variação nos permitiu verificar a validade de algumas hipóteses colocadas no trabalho. Nossa análise evidenciou que a aquisição da variação do artigo definido se organiza em determinados padrões que são paralelos, em alguns aspectos, à fala do adulto. Entretanto, há evidências de que a ação do input é limitada no processo aquisitivo. A falta de correspondência entre os padrões da criança e os padrões do adulto em algumas variáveis sugere haver influência de outros fatores que estão ligados a etapas do processo aquisitivo. Verificamos que algumas categorias, no início da aquisição da linguagem, são mais salientes, de modo a se tornarem contextos mais favoráveis para o uso do artigo diante de N próprio. Entretanto, convergências entre a fala da criança e a do adulto podem ser observadas principalmente nos resultados referentes aos aspectos morfossintáticos investigados. Assim, a variável “Estrutura do SN” é a mais decisiva na compreensão do padrão de variação que vai se instalar na fala da criança já que a os sintagmas nominais encaixados em sintagmas preposicionais são os que mais favorecem a ocorrência do artigo, refletindo o padrão observado na fala dos adultos. Seguindo a mesma tendência, as funções sintáticas regidas por preposição se mostraram relevantes para a aquisição do artigo definido no contexto variável analisado, confirmando, em parte, os resultados para os adultos. Os aspectos semântico-discursivos parecem ser pouco relevantes na fala dos adultos. Na fala das crianças, por outro lado, os fatores mais favoráveis para a ocorrência do artigo foram a referência exofórica, a introdução de um N próprio com status informacional “novo” e o nome próprio classificado como unitário. Em relação aos aspectos ligados à interação, nossa análise mostra que os sintagmas nominais cujo referente é introduzido pela própria criança são os que mais favorecem o uso do artigo definido.
PALAVRAS-CHAVE: Aquisição; input; uso variável; artigo definido.

 

Maria do Rosário da Silva Roxo

Título:Aspectos cognitivos das construções condicionais em audiências públicas

Orientadora: Lilian Ferrari Páginas: 197


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Linha de pesquisa: Mecanismos funcionais do uso da Língua

Esta tese tem como objeto de estudo as construções condicionais “se p, q”, proferidas em audiências públicas do Tribunal de Justiça dos municípios de Niterói e São Gonçalo. Parte-se da perspectiva cognitivista de que os processos de significação na linguagem são uma construção mental estabelecida pelos sujeitos no jogo da interação. Os domínios estáveis (Modelos Cognitivos Idealizados 6 MCIs e Molduras Comunicativas) e os domínios locais (Espaços Mentais) manifestam-se na configuração da construção condicional como um todo. Nesse quadro teórico, estudam-se as operações de emparelhamento sintático, semântico e pragmático que contribuem para o significado global das construções condicionais preditivas, epistêmicas e pragmáticas (SWEETSER 1990), proferidas pelo juiz, promotor, defensor, réu e testemunha. As construções condicionais são altamente produtivas quanto ao papel argumentativo desempenhado no fluxo da organização interacional da audiência pública: (1) a condicional preditiva [SE V. FUT. SUBJ., V. FUT. PERIF. {ir, infinitivo}] mostra a desproporção entre delito e pena; (2) a condicional preditiva [SE V. FUT. SUBJ., V. PRESENTE IND. {backshif}] aponta para o efeito jurídico decorrente da gravidade do fato julgado; (3) em relação às condicionais epistêmicas, a proposição é estabelecida na apódose para acusar o réu (promotor), para favorecer o réu (defensor), para amenizar as acusações dirigidas (réu) e para explicar a relação entre atitude e reação dos jurados (juiz), e (4) em relação às condicionais pragmáticas, a não-assertividade do conteúdo referente ao fato julgado relaciona-se muito mais à convicção de quem a profere do que ao ato de fala explicitado em “q”.