Neste ano foram defendidas 7 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

 

Cristina Almeida Siaines de Castro

Título: Composicionalidade semântica em Libras: fronteiras e encaixes

Orientadora: Miriam Lemle Páginas: 147


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:Gramática na Toria Gerativa

Este trabalho apresenta uma estudo da Lingua Brasileira de Sinais (Libras) que partiu da meticulosa observação de textos sinalizados. O objetivo foi detectar marcas de segmentação de constituintes correspondentes às fronteiras entre proposições, e identificar as peças no interior das proposições. O instrumento de investigação utilzado para isolar as unidades foi a estrutura proposicional. Desse modo, foi possível achar encaixes sintáticos e indicar suas marcas. A teoria que serviu de base para a análise foi a gramática gerativa na versão da Morfologia Distribuída, e, mais especificamente ainda, acatamos a idéia de Gaurav Mathur segundo a qual na arquitetura da gramática a iconicidade da Libras decorre da interface entre o módulo cognitivo espacial e o componente articulatório-perceptual da gramática, ou seja, é uma realização tardia, pós-sintática, o equivalente da fonologia. O estudo poderá dar subsídios para o ensino de português escrito para surdos.

 

Eduardo Kenedy Nunes Areas

Título: A antinaturalidade de Pied-Piping em orações relativas

Orientador: Marcus MaiaPáginas: 237


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Dentre as línguas humanas, as orações relativas preposicionadas apresentam diferentes tipos de derivação estrutural. Em português, por exemplo, existem três estratégias por meio das quais uma expressão nominal sob regência de preposição pode ser relativizada. (1) Relativas pied-piping: A coisa de que eu falei na semana passada; (2) Relativas resumptivas: A coisa que eu falei dela na semana passada; (3) Relativas cortadoras: A coisa que eu falei na semana passada. Assim como nas demais línguas românicas, o português normalmente não licencia as relativas prepositional-stranding características de línguas como o inglês: * A coisa que eu falei de na semana passada. A antinaturalidade de pied-piping em orações relativas (APP) é uma hipótese que assume ser impossível para o Sistema Computacional da Linguagem Humana (CHL) derivar naturalmente relativas pied-piping, uma vez que qualquer uma de suas alternativas derivacionais será menos custosa a CHL. Isto é, na derivação de uma relativa preposicionada, as estratégias resumptiva e/ou cortadora (ou ainda prepositional-stranding em línguas como o inglês) devem sistematicamente bloquear pied-piping como opção derivacional, em razão das “Condições de Economia” do Sistema Computacional, especialmente o princípio Move F (formulado por Chomsky, 1995). De acordo com a APP, é somente através da escolarização ou de outras formas de letramento que as pessoas podem aprender a usar relativas pied-piping, do contrário nunca as aprenderão. Portanto, a estrutura pied-piping em orações relativas deve ser interpretada não só como um artefato da língua escrita, mas principalmente como um tipo de construção contrário à natureza minimalista de CHL, daí a sua antinaturalidade. Na presente tese, apresentamos a fundamentação teórica da APP, com base no Programa Minimalista chomskiano (Chomsky, 1995 e posteriores), bem como abordamos diversas implicações da hipótese, tais como a inexistência de relativas pied-piping na fala natural de crianças, de analfabetos e de indivíduos pertencentes a comunidades ágrafas, ou mesmo entre pessoas altamente letradas, desde que inseridas em contexto de uso espontâneo da linguagem. Também sustentamos a APP com iv dados de experimentos psicolingüísticos de Julgamento imediato de gramaticalidade e Leitura automonitorada, aplicados com falantes nativos do Português Brasileiro (PB) e do Português Europeu (PE) de vários níveis de escolaridade. Os resultados desses experimentos demonstram que relativas pied-piping são um tipo de estrutura problemática para os sujeitos, tanto nas tarefas de julgamento quanto nas de processamento. Esta tese argumenta contra a descrição tradicional das relativas do PB (Tarallo, 1983; Kato, 1993; Corrêa, 1998; Galves, 2001), segundo a qual PB e PE possuem sistemas diferentes de relativização. Assumimos que PB e PE, assim como o espanhol (cf. Pérez-Leroux, 1995), o francês (cf. Labelle, 1996), o inglês (cf. McDaniel et al., 1998) e possivelmente qualquer outra língua natural, devem possuir o mesmo sistema nuclear (core-grammar) de relativização preposicionada, com diferenças superficiais relacionadas aos traços morfofonológicos das línguas específicas. A APP parece ser uma hipótese relevante tanto para a teoria sintática, quanto para a aquisição e a evolução da linguagem. Como um fenômeno naturalmente impossível, relativas piedpiping não podem existir na gramática das crianças, tampouco na Faculdade de Linguagem que emergiu na evolução natural do homo sapiens.

 

Gélsama Mara Ferreira dos Santos

Título:MorfologiaKuikuro: Gerando nome e verbos

Orientadora: Bruna Franchetto Páginas: 304


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Esta Tese tem como objetivos : (i) descrever a formação da Palavra em Kuikuro, a sua estrutura interna, identificando, nela, morfemas lexicais e funcionais, como as Raízes e os categorizadores que geram Nomes e Verbos; (ii) descrever e analisar os processos de nominalização e de verbalização, enfocando, como fio condutor, o comportamento das Classes Morfológicas que atravessam diversos processos flexionais e derivacionais totalmente produtivos, determinando a alomorfia da flexão dos Aspectos do Modo Descritivo, dos Modos Performativos e do Particípio, e a alomorfia de nominalizadores; (iii) aprofundar o estudo do jogo das Classes Morfológicas, diferenciando os processos de condicionamento fonológico dos de condicionamento morfológico; (iv) aprofundar a análise do Particípio (com a estrutura tü-/ t- Verbo -i/-ti/-si/-acento) – forma Aspectual identificada por Franchetto (1986) e questão proeminente para os que investigam línguas da família karib – descrevendo a sua morfologia e a sua organização nas Classes morfológicas; (v) retomar a análise da alomorfia dos prefixos detransitivizadores; (vi) abordar a morfologia e a semântica do Tempo no Nome, mesmo se de modo inicial; (vii) entrando na morfologia nominal, apresentar um quadro mais completo dos alomorfes dos prefixos de pessoa, dos prefixos reflexivos e dos sufixos de relação ou dependência (‘posse’), estes últimos também moldados pela lógica das Classes Morfológicas. A língua Kuikuro é falada por cerca de 510 pessoas divididas em 3 aldeias situadas na “Terra Indígena do Xingu”, estado do Mato Grosso-Brasil. O Kuikuro compartilha com as outras línguas Karib uma enorme produtividade de processos derivacionais, marcados através de formas afixais, em particular as mudanças de valência, nominalizações e verbalizações. A nossa análise se baseia nos princípios da teoria Morfologia Distribuída (Halle & Marantz, 1993; Harley & Noyer, 1999), por nos permitir descrever a geração de palavras em Kuikuro integrando os fatos morfológicos à sintaxe, com uma relação mais transparente com a fonologia.

 

Nataniel Santos Gomes Costa de Oliveira

Título:Clíticos, redobro e variação da ordem oracional em Kayabí (Tupi-Guarani)

Orientadora:Marcia Maria Damaso Vieira Páginas: 237


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

O objetivo desta tese foi investigar o estatuto dos sujeitos pronominais que exibem efeitos de 2ª posição, bem como o papel desses elementos na variação da ordem oracional e nas construções de redobro de clíticos. Constatamos que os pronomes de sujeito do Kayabí são argumentos –XPs que na sintaxe se manifestam em [Spec, TP], da mesma maneira que os sujeitos DPs, seguindo um padrão oracional do tipo SOV. Os efeitos de 2ª posição se derivam da deficiência prosódica desses elementos, que precisam se posicionar como enclíticos. Quando a sintaxe não posiciona, por motivos independentes, nenhum elemento prosódico independente à esquerda do clítico, ocorre Inversão Prosódica (Halpern, 1995) na Fonologia. Essa operação deriva as ordens OsV e VsO. Sendo a primeira a mais freqüente devido à ordem básica SOV. Quando há material lexical à esquerda do clítico, este é posicionado, por meio de regras sintáticas ou por concatenação, em projeções funcionais que compõem a periferia esquerda da oração. Uma projeção bem ativa em Kayabí é o FocP que está envolvido não só nas estruturas de foco, mas também nas interrogativas da língua. Verificamos ainda que esses mesmos elementos pronominais nas construções de redobro são melhor analisados com núcleos de DPs; isto é –Xos, cuja função é lexicalizar um traços – phi de D, emprestando ao sintagma um efeito de definitude. Os achados deste trabalho servem para confirmar algumas propostas teóricas vigentes, tais como: a idéia de Inserção Tardia da Morfologia Distribuída (Embick e Noyer 2001) para dar conta do comportamento sub-especificado dos elementos pronominais; a hipótese de Rizzi (1997, 1999 e 2004) sobre a existência de um sistema funcional mais complexo, localizado na periferia esquerda da oração; e a sugestão de Uriagereka (1995), e Kayne (2001) que em casos de redobro, o clítico e o NP fazem parte do mesmo sintagma, além da hipótese de Tavares Silva (2005) segundo a qual, em certos casos de redobro, o clítico é expressa um traço em D que tem como efeito secundário, uma interpretação de definitude.

 

Paulo Antonio Pinheiro Correa

Título:A expressão da mudança de estado na interlíngua de aprendizes brasileiros de espanhol

Orientador: Marcus Maia Páginas: 267


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Esta Tese investiga os fatores que influenciam na concepção das construções de mudança de estado na gramática mental dos aprendizes brasileiros de espanhol. Demonstra-se que os aprendizes apresentam uma tendência à representação das eventualidades em discussão como estados alcançados, enquanto que no espanhol essas mesmas eventualidades são representadas lingüisticamente como eventos. Demonstra-se a hipótese de que o PB tem a tendência de representar construções envolvendo sujeitos humanos não-ativos como estados, frente à tendência do espanhol de representar as mesmas construções como eventos, como um microparâmetro de base semântico-aspectual que separa as duas línguas. As evidências são fornecidas por amplos conjuntos de dados das duas línguas, que incluem as passivas e as construções predicativas. Ao final, demonstrasse que é essa concepção semântica do PB que dirige a concepção das construções de mudança de estado da interlíngua.

 

Rosa Lucia Pereira Virgílio Neves

Título:Suprageneralização na aquisição de causativas: sob um olhar da Morfologia Distribuída

Orientador: Márcia Dâmaso Páginas: 201


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Os objetivos desta tese foram: (i) analisar a questão referente à suprageneralização das estruturas causativas, observada na aquisição do PB como L1, à luz dos pressupostos teóricos da Morfologia Distribuída; e (ii) oferecer um conjunto de dados detalhado e organizado, englobando não só os desvios causativos, mas também outras construções já adquiridas pelas crianças em fase de aquisição. Foram três as fontes de dados infantis aqui utilizados: (i) Figueira (1985) que engloba enunciados de Anamaria entre 2;7 e 5;0 anos; (ii) os dados por nós coletados de Igor e Gabriel que abrangem o período de 1;7 até 8;6 meses. Através da observação e análise dos dados referentes à suprageneralização das estruturas causativas, alcançamos as seguintes conclusões sobre a aquisição da estrutura argumental dos predicados: (i) o conhecimento da estrutura argumental está dissociado do conhecimento das propriedades específicas dos verbos empregados; (ii) o argumento externo não é selecionado pela raiz lexical, mas sim por um morfema funcional; (iii) a raiz lexical seleciona argumentos internos; (iv) através do uso supérfluo do verbo “fazer” para a expressão de causa direta, percebe-se que o morfema funcional Causa é o mesmo nas causativas lexicais e nas causativas sintáticas; e (v) as crianças têm conhecimento dos morfemas da Lista 1, mas desconhecem as condições de licenciamento das raízes na Lista

 

Rosana Costa de Oliveira

Título:Morfologia e Sintaxe da Língua Xavante

Orientador: Marcus Maia Páginas: 267


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

A proposta desta tese é a de empreender a análise da morfologia da língua Xavante, dentro do modelo da Morfologia Distribuída e também analisar algumas questões a respeito da sintaxe, com o aparato formal do Programa Minimalista e do Projeto Cartográfico. Sob o enfoque da Morfologia Distribuída, evidenciamos os dados do Xavante, descrevendo e analisando o nome e o verbo nesta língua, além de mostrar que alguns itens de vocabulário são subespecificados. O nome, em Xavante, é formado pela junção de raízes acategoriais ou raízes verbais a nominalizadores fonologicamente nulos ou explícitos. O verbo é formado somente por raízes acategoriais juntadas a verbalizadores fonologicamente nulos ou explícitos. A língua Xavante, assim como qualquer língua natural, possui casos em que a mesma forma morfológica é encontrada em diferentes contextos sintático-semânticos. Neste caso, certos itens de vocabulário possuem o mesmo molde morfológico e traços diferentes, sendo portanto, subespecificados. Tomando por base um pressuposto dentro do programa Minimalista de que a ordem SVO é universal para todas as línguas, verificamos o movimento dos constituintes para fora do vP. Foi possível observar que o verbo principal não precisa sair do núcleo vP para checar a flexão, pois o verbo auxiliar, que é gerado no núcleo de TP, carrega os traços flexionais. Primeiramente, o sujeito e o objeto se movem para posições funcionais acima do vP. O sujeito sobe para o especificador de TP para checar seu traço EPP. O objeto, que na ordem SOV pode estar à esquerda ou à direita do verbo auxiliar, sai do núcleo do VP para o vP para verificar caso acusativo. Com seus traços checados, o sujeito, e às vezes o objeto, sobem para uma posição de tópico ou foco no sintagma complementizador expandido por razões de pragmática. As construções de tópico e foco, em Xavante, assim como outras construções interrogativas que estão localizadas na periferia esquerda da oração, são analisadas, nesta tese, dentro das propostas feitas por Rizzi (1997 e 1999) e Benincá (2001), no âmbito do projeto cartográfico.