Neste ano foram defendidas 13 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

Eliana Crispim França Luquetti

Título:Os advérbios de tempo e de aspecto em -mente e sua ordenação: uma abordagem histórica

Orientadora: Maria Maura Cezario Páginas: 159


Resumo da Tese Download em PDF

Este trabalho tem como objetivo observar as diferentes posições que os advérbios de tempo e de aspecto em -mente tendem a assumir em diferentes momentos históricos, bem como analisar a polissemia desses elementos em textos escritos em português nas seguintes fases históricas: arcaica, séculos XVI, VXII, XVIII e XIX e português contemporâneo.
Esta pesquisa, além de testar novas hipóteses, vem integrar e ampliar uma série de estudos que visam examinar, de modo mais geral, o processo de mudança de colocação dos advérbios no decorrer do tempo (Moraes Pinto, 2002; Martelotta, Barbosa & Leitão, 2002; Martelotta, 2004; Martelotta & Processy, 2006; Andrade, 2005; Albani 2007; Freitas, 2004) e outros trabalhos sobre o fenômeno em questão. A pesquisa demonstra que há fortes indícios de mudança de posição do advérbio de tempo e aspecto em -mente ao longo da história do português.
De acordo com a hipótese geral, ao estudarmos cada sincronia devemos encontrar motivações para as diferentes posições ocupadas pelos advérbios de tempo e aspecto em -mente na oração. A motivação dá-se por um conjunto de fatores estruturais, semânticos, cognitivos e/ou discursivos, a saber: a noção semântica; a estrutura sintática da oração em que está inserido o advérbio; o tipo semântico do verbo que compõe a cláusula, segundo Halliday (1994) e outros fatores.

 

Luciana Castro

Título: O comportamento dos parâmetros duração e freqüência fundamental nos fonoestilos político, sermonário e telejornalístico

Orientadora: Myrian Azevedo de Freitas Páginas: 183


Resumo da Tese Download em PDF

Esse estudo propõe uma análise experimental quantitativa para caracterizar as variações prosódicas em três fonoestilos profissionais – político, religioso e telejornalístico – e um fonoestilo não profissional, a fala do entrevistado. Os objetivos específicos desta tese são verificar se a estrutura prosódica difere de uma forma significativa entre os quatro fonoestilos e avaliar, através de um teste de percepção, a capacidade do ouvinte de reconhecer os fonoestilos com base somente na prosódia, independente do conteúdo semântico. O corpus analisado, do qual os parâmetros prosódicos relativos à organização temporal e melódica foram extraídos, consiste em vinte minutos de fala em uso profissional. A análise desses parâmetros sinaliza um comportamento dos fonoestilos religioso e político mais exacerbado em relação aos outros; enquanto o fonoestilo telejornalístico apresenta maior velocidade de fala, com ausência de pausas preenchidas e maior índice de tons estáticos. A análise estatística indica diferenças significativas entre os quatro fonoestilos para as medidas: duração média da pausa, tempo de pausa por minuto, velocidade de elocução e de articulação, duração média da seqüência fônica e número de sílabas por seqüência fônica, bem como, para a proporção de tons estáticos e a freqüência fundamental média. Finalmente, os resultados do teste de percepção confirmam que os ouvintes são capazes de distinguir os fonoestilos profissionais com base unicamente em sua prosódia, com índice de reconhecimento de 90%

 

Deise Cristina de Moraes Pinto

Título: Gramaticalização e Ordenação nos Advérbios Qualitativos e Modalizadores em –mente

Orientador: Mário Eduardo T. Martelotta Páginas: 199


Resumo da Tese Download em PDF

Este trabalho tem como objetivo observar as diferentes ordenações que os advérbios qualitativos e modalizadores em -mente assumem e analisar a polissemia e o processo de gramaticalização desses elementos em textos escritos em português dos séculos XV a XX.
Givón (1979) observou que estruturas menos gramaticalizadas são mais suscetíveis de mudança, principalmente em termos de ordenação, por serem menos pressuposicionais e que as mais gramaticalizadas tendem a ser mais conservadoras. Analisamos, então, o grau de gramaticalização das cláusulas em que os advérbios ocorrem, relacionando-o à posição desses elementos nessas cláusulas.
Confirmando nossas hipóteses, a análise dos dados mostrou que essa mudança de ordenação aconteceu a partir de um decréscimo no uso de advérbios pré-verbais nas cláusulas menos gramaticalizadas. Por exemplo: o século XVI apresentou mais qualitativos pré-verbais em cláusulas menos gramaticalizadas do que o século XVII. Depois, houve um decréscimo no uso desses advérbios nas cláusulas mais gramaticalizadas e, finalmente, esses elementos assumiram a posição pós-verbal como preferencial e a posição pré-verbal assumiu função argumentativa.

 

Maria do Carmo Lourenço-Gomes

Título: Efeitos de segmentação da sentença sobre o processamento

Orientador: Marcus Maia Páginas: 144


Resumo da Tese Download em PDF

Esta tese examina efeitos de segmentação da sentença envolvendo orações relativas restritivas nas quais dois substantivos de um sintagma nominal complexo são candidatos à aposição da oração relativa (OR) na estrutura do tipo N1-P-N2-OR, como em A filha aguardava o cliente (N1) do arquiteto (N2) que estava no café discutindo a planta. A investigação se fundamenta na suposição básica de que segmentações visuais impostas artificialmente sobre o input visual ou auditivo podem causar algum impacto no processamento da sentença. O estudo envolveu quatro experimentos psicolingüísticos, três de leitura auto-monitorada e um de audição auto-monitorada, que manipulavam o tipo de segmentação da sentença e o tipo de aposição forçada, por concordância de número (plural/singular) e de gênero (feminino/masculino). O tipo de segmentação levava em conta dois locais de ruptura (visual ou auditiva) supostamente relevantes para produzir efeitos sobre o processamento (entre N1 e N2, condições de fronteira alta; ou entre N2 e a OR, condições de fronteira baixa). Eram previstas diferenças nos tempos de leitura (medida on-line) do segmento que desfazia a ambigüidade: esperava-se maior aceitação local do que não-local para a aposição da OR nas condições onde uma ruptura era imposta entre N1 e N2 e, em contraste, esperava-se maior aceitação não-local do que local naquelas onde uma ruptura era imposta entre N2 e a OR. A justificativa se baseia no padrão de fraseamento imposto pelo tipo de segmentação: nas sentenças com fronteira alta, não havendo descontinuidade entre o antecedente local e a OR, o fraseamento supostamente projetado sobre o input escrito forçaria a aposição local, e nas sentenças com fronteira baixa a separação da OR como unidade independente a deixaria mais livre para a aposição ao antecedente não-local. Respostas às perguntas de compreensão (medidas off-line) foram ainda analisadas. Dados quantitativos e qualitativos das medidas on-line e off-line revelaram especialmente que os achados podem se ajustar à suposição de que segmentações impostas artificialmente sobre o input escrito causam algum impacto sobre o processamento. Adicionalmente, foram observadas diferenças quando a ambigüidade das sentenças era desfeita por concordância de número e de gênero.

 

Marcia Dias Lima da Silva

Título: Atitude lingüística e mudança: um estudo sobre as variantes de objeto direto anafórico

Orientadora: Christina Abreu Gomes Páginas: 201


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Pesquisas sobre a língua portuguesa no Brasil têm indicam mudança nas representações do objeto direto anafórico, sendo a variante padrão, o pronome clítico, substituído por outras estratégias como o pronome lexical e a categoria vazia. Embora tais pesquisas apontem essa mudança, pouco se sabe sobre a atitude dos indivíduos diante dessas variantes: do pronome clítico, dotado de certo prestígio, do pronome lexical, estigmatizado pela escola ou da variante considerada neutra, a categoria vazia. Assim, a partir dos pressupostos da Sociolingüística e do problema da avaliação conforme postulado por Labov (1966), o objetivo do presente trabalho é investigar a atitude lingüística de alunos dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior em relação ao objeto direto anafórico. Para tanto, foram escolhidas algumas das variáveis lingüísticas postuladas por Duarte (1986) com as quais foram elaborados dois testes: um teste de áudio, com as variantes menos perceptíveis e um teste escrito, com as variantes mais visíveis, ambos checando a modalidade falada quanto a modalidade escrita. Acredita-se que essa metodologia permitirá compreender o papel da escola no desenvolvimento da atitude lingüística desses estudantes. Independente do tipo de teste ou da modalidade a que foi aplicado, os informantes da 5ª série não diferenciaram significativamente as variantes. Os alunos do Ensino Médio e os Universitários apresentaram comportamento diferenciado para o pronome clítico e para o pronome lexical, dependendo do tipo de teste, da modalidade avaliada e da estrutura, mantendo-se, no entanto, neutros em relação à categoria vazia, o que aponta influência da escolaridade no comportamento dos informantes.

 

Lana Mara Rodrigues Rego

Título: A concordância na Síndrome de Alzheimer

Orientadora: Celso Vieira Novaes Páginas: 136


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Este trabalho apresenta um estudo sobre a concordância (AGR) na fala de indivíduos com a Síndrome de Alzheimer, falantes do português do Brasil (PB). Segundo o Programa Minimalista, AGR é semanticamente não-interpretável. Já outros estudos questionam a não interpretabilidade semântica do traço de AGR (VAN VALIN, 2002) ou sugerem a interpretação de que alguns traços de AGR possam ser semanticamente interpretáveis, como os relativos à primeira pessoa do singular (NOVAES, 1996). Com vistas a analisar o status de AGR, no PB, foram analisados dados provenientes da fala espontânea de três indivíduos com a Síndrome de Alzheimer, com comprometimentos conceptuais diferentes. Também foram propostos alguns exercícios de checagem de concordância verbal e nominal. De um modo geral, os indivíduos não apresentaram problemas em gerenciar as informações ligadas à concordância verbal e nominal. No entanto, os resultados evidenciam que quanto maior o comprometimento conceptual dos indivíduos com a Síndrome de Alzheimer, mais problemas em relação à concordância lingüística eles apresentam. Conseqüentemente, na fala espontânea, observa-se uma tendência maior ao preenchimento do sujeito de primeira pessoa do singular pelos pacientes com mais déficits conceptuais. Esse fato pode ser interpretado como uma dificuldade desses indivíduos em recuperar uma informação conceptualmente motivada, codificada exclusivamente na morfologia do verbo, corroborando a proposta de Novaes (op. cit.).

 

Paulo Henrique Duque

Título: Contrastes e Confrontos: um estudo funcional do elemento mas na fala e na escrita

Orientador: Maria Luisa Braga Páginas: 238


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Na presente tese, investigamos em que medida as funções semânticas do mas e a arquitetura das construções nas quais o elemento se insere são determinadas pela modalidade (fala ou escrita). Descrevemos as instâncias de atuação do item, vinculando segmentos sintagmáticos ou unidades discursivas. Para isso, controlamos grupos de fatores como presença/ ausência de negação, transitividade verbal, gênero discursivo e seqüências tipológicas textuais. Como referencial teórico, utilizamos os pressupostos teóricos do funcionalismo lingüístico para descrever e comparar o comportamento sintático e semântico dos segmentos conectados pelo mas. As amostras utilizadas constam de dados da modalidade falada e escrita, do Rio de Janeiro, extraídos de entrevistas, aulas e jornais escritos. Da perspectiva da metodologia adotada na pesquisa, valemo-nos de alguns recursos da teoria da variação lingüística, com base nos quais, submetemos os dados a um tratamento quantitativo, por meio do pacote Makecell (do programa VARBRUL), mesmo sem estar operando com uma regra variável. Assumimos nesta tese, a hipótese de que haja uma correlação entre as funções semânticas do mas, os tipos de segmentos por ele ligados, a modalidade (falada ou escrita) na qual o elemento se encontra e os gêneros e as seqüências tipológicas textuais dos trechos nos quais o elemento ocorre. Visando à comprovação empírica desta hipótese, os contextos de inserção do item mas foram analisados, a partir de parâmetros sintáticos e discursivopragmáticos, e os resultados quantitativos da pesquisa evidenciaram que: (a) os diversos mecanismos funcionais encabeçados pelo mas exibem um padrão distribucional divergente entre si e, portanto, remetem a contextos sintáticos e discursivo-pragmáticos distintos; (b) tais diferenças se explicam pela ação de grupos 9 de fatores como tipo de segmento conectado, modalidade, gênero textual e seqüência tipológica textual; (c) alguns usos de mas são influenciados pela presença/ ausência da negação lexicalizada e sua posição em relação ao elemento em estudo; (d) as funções semânticas desempenhadas pelas construções encabeçadas por mas têm alguma relação com o grau de fragmentação/ integração; distanciamento/ envolvimento presentes nos gêneros textuais utilizados nesta tese; (e) para cada grupo semântico examinado, algun (s) tipo (s) de verbo (s) é (são) mais freqüente(s).

 

Maria Cristina Guimarães de Góes Monteiro

Título: Variação em definições: as construções [SN ser SN] e [SN ser quando O]

Orientadora: Maria Cecilia Magalhães Mollica Páginas: 154


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Este trabalho tem como objetivo analisar o emprego das estruturas de definição [SN ser SN] e [SN ser quando O]. Com base no pressuposto funcionalista de que os fenômenos lingüísticos devem ser explicados a partir da relação entre linguagem e uso, procura-se analisar as construções gramaticais dentro da situação comunicativa em que são empregadas. Para o processamento da análise, conta-se com um corpus de 634 dados obtidos em textos, em forma impressa, virtual e oral. Sob o enfoque de Lakoff & Johnson (1980), Dik (1997), Halliday (1994) e Traugott (2005), e com o apoio metodológico da Teoria da Variação (Labov, 1979), observa-se a influência de aspectos pragmáticos no emprego das duas estruturas, entre eles, a presença de marcas de (inter)subjetividade nas definições, a interferência do meio pelo qual as estruturas são veiculadas e a área de conhecimento em que a definição é utilizada. Constata-se que as construções [SN ser SN] e [SN ser quando O] diferenciam-se em função do envolvimento que se estabelece entre os participantes da interação verbal e do registro imposto pela situação, e verifica-se ocorrência significativa da construção não-canônica [SN ser quando O] no emprego de metáforas não convencionais.

 

Alessandro Boechat de Medeiros

Título: Traços morfossintáticos e subespecificação morfológica na gramática do português: um estudo das formas participiais

Orientadora: Miriam Lemle Páginas: 315


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Esta tese de doutorado investiga as formas participiais do português brasileiro tendo como arcabouço teórico o modelo da Morfologia Distribuída. O interesse pelos particípios se justifica por estes permitirem um olhar sobre questões que estão na interseção de vários módulos da gramática. E a arquitetura separacionista proposta pela Morfologia Distribuída nos permite não só estabelecer que contribuições a sintaxe, a morfologia e a semântica dão individualmente, como também nos oferece uma boa explicação de como estes módulos interagem para a produção das formas aqui estudadas. O texto da tese se divide em duas partes. Na primeira, o foco é o particípio passado nas formas verbais: tempos verbais compostos e Voz passiva. A idéia básica (Ippolito 1999) é de que o item de Vocabulário /d/ do sufixo participial -do é subespecificado, podendo realizar informações gramaticais diversas no verbo principal, como aspecto e voz. A segunda parte se debruça sobre os particípios nos adjetivos e as nominalizações. Além do particípio passado, o que é chamado nas gramáticas tradicionais de particípio presente também é estudado. A questão mais importante aqui é a da altura de anexação do morfema aspectual à estrutura: se ele for diretamente anexado à raiz, o adjetivo derivado de raiz associada ao verbo não necessariamente terá um significado relacionado a esse verbo; se a anexação for mais alta, acima do morfema verbalizador, o que define a categoria gramatical do particípio é o contexto sintático em que ele ocorre, e seu significado terá que levar em consideração o do verbo, sempre.

 

Guiomar Silva de Albuquerque

Título: Processamento da linguagem no déficit de atenção e Hiperatividade

Orientadores: Marcus Maia e Aniela Improta França Páginas: 147


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Esta tese examina voluntários portadores de TDAH que não apresentam dislexia, comparativamente a um grupo controle. Pretende-se contribuir com uma caracterização mais exata do TDAH, procurando investigar a existência de comprometimento primário de ordem lingüística nesta população. A hipótese é de que crianças e adolescentes com TDAH apresentem alguma deficiência cognitiva no processamento da leitura se comparadas ao grupo controle, ainda que não apresentem comprometimento funcional. Para tanto, foram realizados cinco experimentos psicolingüísticos utilizando metodologia on-line com o objetivo de diferenciar o processamento da leitura do processamento metalingüístico e, desta forma, especificar a natureza da dificuldade dos portadores de TDAH. Os experimentos demonstraram que os sujeitos com TDAH conseguem chegar ao mesmo resultado que os sujeitos sem o transtorno, mas precisam de tempo significativamente maior para obter os mesmos resultados. Estes achados confirmam a hipótese principal da tese, mostrando que a medida on-line do tempo de reação para o reconhecimento de palavras pode auxiliar na detecção mais segura de problemas sutis no processamento de linguagem. Foi também constatadorestrições na memória operacional que por sua vez afetam o processamento lingüístico de portadores de TDAH. Uma análise ainda mais apurada das computações estudadas requer pesquisa neurofisiológica que será o próximo passo desta investigação.

 

Fernanda Aparecida Raposo Meireles

Título: Aspectos Cognitivos e Pragmáticos das Construções Condicionais Contrafactuais

Orientadora:Lilian Ferrari Páginas: 153


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Esta tese apresenta uma análise sociocognitiva das construções condicionais contrafactuais no Português do Brasil, enfatizando seus aspectos cognitivos e pragmáticos. Com base em um corpus oral de interação entre professores (Projeto Próleitura Juiz de Fora), a presente análise evidencia a existência de padrões interacionais, em construções pragmáticas, dentro das quais as construções condicionais contrafactuais atuam como ações participativas de justificativa e de crítica. Nessas construções condicionais, a opção pelo Futuro do Pretérito ou Pretérito Imperfeito do Indicativo na apódose é sinalizadora de distância epistêmica, entendida com o grau de associação mental do falante em relação ao evento / estado de coisas descrita. O trabalho mostra, ainda, a existência de um complexo processo de mesclagem conceptual subjacente ao uso das construções analisadas, para o qual é requisitado um Modelo Cognitivo Idealizado de interação conceptualizado a partir do modelo de Dinâmica de Forças.

 

Maria Mercedes Riveiro Quintans Sebold

Título: Retomada do objeto no espanhol e no português do Brasil e o aprendizado de espanhol L2 por falantes brasileiros

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 179


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Este trabalho apresenta um estudo do fenômeno da retomada do objeto no português do Brasil e no espanhol, bem como da aquisição dos clíticos por aprendizes de espanhol L2, falantes de português do Brasil (PB). Os dados de pesquisa foram levantados através de três diferentes testes aplicados em alunos do curso de graduação Português- Espanhol divididos em três níveis. A análise dos dados levantados revelou como estratégia principal de retomada de objeto utilizada pelos falantes de PB a cliticização e o preenchimento por SN. O uso de formas tônicas e o apagamento do objeto também foram estratégias utilizadas. A análise proposta para explicar os resultados levantados é que o PB só comporta um paradigma de clíticos fortes e os aprendizes de espanhol L2 falantes de PB interpretam os clíticos do espanhol da mesma maneira que os clíticos do PB, isto é, como sintagmas. Sendo assim, escolhem como estratégias de retomada o nominativo em posição de objeto, o SN pleno ou o apagamento de objeto.

 

Ismael Tressmann

Título: Da sala de estar à sala de baile. Estudo etnolinguistico de comunidades camponesas pomeranas do estado do Espírito Santo

Orientadora: Bruna Franchetto Páginas: 335


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Esta Tese representa uma contribuição à documentação de tradições orais de minorias étnicas do Brasil, especificamente de um acervo ainda vivo entre os camponeses pomeranos do Estado do Espírito Santo até hoje bastante desconhecido e sem registro científico sistemático. O trabalho propõe, também, uma contribuição ao campo dos estudos interdisciplinares entre Antropologia (Etnologia, Etnografia) e Lingüística. Quanto à tipologia dos gêneros verbais pomeranos, identificamos quatro principais gêneros verbais, a saber: (i) gêneros de fala informal, como a conversa comum, notícia/novidades, a fofoca, piadas, narrativas; (ii) gêneros de fala “declamada”, como provérbios, as brincadeiras infanto-juvenis. São gêneros mais próximos da fala declamada; (iii) gêneros de fala formal/cerimonial, como a fala-convite proferida pelo convidador de casamento ou a fala do convidador de enterro; a fala voto-conselho executada no ritual nupcial do Quebra-louça; a fala-sussurro da benzedeira. Por fim, identificamos o gênero que integra um dos mais diversos e importantes usos da linguagem entre os pomeranos: (iv) o canto, que subdividimos em ‘canção de baile’, acompanhado por concertina, ‘cantiga de ninar’ e ‘cantiga de roda’. Os tipos de discurso se diferenciam no eixo informalidade/formalidade. Passa-se gradualmente do gênero conversacional do cotidiano às formas mais cristalizadas das “rezas”, “orações”. Cada gênero é caracterizado por um conjunto de relações entre traços formais, domínios temáticos e usos sociais potenciais. Abordamos os principais gêneros verbais pomeranos em termos do local ou cena social de sua realização, dos participantes e das relações entre estes, do conteúdo e das expressões textuais.