Neste ano foram defendidas 5 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

Katia Nazareth Moura de Abreu

Título: Um estudo sobre as siglas do português do Brasil

Orientadores: Maria Carlota e Marcus Maia Páginas: 143


Resumo da Tese Download em PDF


Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

A presente tese discute a questão de a formação da sigla ser ou não um fenômeno morfológico e de a sigla ser ou não uma palavra. A revisão da literatura levantou as diferentes visões sobre o tema: as siglas surgem ora como palavras primitivas; ora como um tipo especial de composição; ora como morfologia improdutiva; ora como fora da morfologia. Para analisar a questão sobre a condição destas formações, a pesquisa lança mão de experimentos psicolingüísticos e de dois conceitos relacionados não-palavra impronunciável e pseudopalavra. Os resultados desses experimentos sugerem que os falantes encontram dificuldades para julgar essas formações e distinguem essas formações das palavras e das não-palavras. No entanto, condições como freqüência e formação atuam no reconhecimento da sigla como palavra. Defende-se que as siglas são palavras se consideradas como lexemas, no entanto reconhece-se que existem dois momentos distintos do processamento que podem sustentar ou não essa assertiva.

 

Ana Paula de Abreu Costa de Moura

Título: Alfabetização de Jovens e Adultos: consciência fonológica e desenvolvimento lingüístico

Orientadora: MMyrian Azevedo


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

O presente trabalho teve como objetivo geral investigar como os alfabetizandos jovens e adultos constroem seus conhecimentos acerca do sistema de escrita alfabética e qual o papel que as habilidades metalingüísticas de reflexão fonológica, designadas como consciência fonológica, assumem no processo de alfabetização. O estudo partiu da hipótese de que o perfil lingüístico do aprendiz influencia a percepção e o domínio do código escrito durante a alfabetização e se reflete em seu desempenho ao longo do processo. O corpus utilizado para a pesquisa foi coletado em duas etapas. A primeira através de registros e gravações de testes de consciência fonológica, realizados com alfabetizandos jovens e adultos. Na segunda etapa, os dados foram coletados através de entrevistas com alfabetizandos e seus respectivos alfabetizadores. O trabalho apresenta um breve histórico da alfabetização de jovens e adultos no Brasil e discussões de alguns aspectos da alfabetização, dentre eles, os métodos de alfabetização, a variação lingüística e os cursos de formação de professores. A análise dos dados aponta para a existência de uma relação de reciprocidade e interação entre as habilidades de consciência fonológica e o aprendizado da língua escrita, onde algumas habilidades de reflexão fonológica são necessárias para que o alfabetizando aprenda a escrita alfabética, ao mesmo tempo em que ele amplia sua capacidade de refletir sobre os segmentos sonoros das palavras, em conseqüência do crescente conhecimento que tem das suas formas escritas.

 

Norma Lirio de Leão

Título:Crenças sobre o “ser judeu” da comunidade israelita sefaradita Bené-Herzl

Orientadora: Mario Martelotta Páginas: 379


Resumo da Tese Download em PDF

Linha de pesquisa: Mecanismos funcionais do uso da Língua

Esta tese investiga o papel da modalização na constituição das crenças dos membros da comunidade israelita sefaradita Bené-Herzl sob a perspectiva da Gramática Funcional. Esta teoria está assentada na pragmática, estudando como os falantes modelam as suas mensagens ao imprimir marcas no seu discurso. O falante, portanto, produz a sua marca de subjetividade na língua através de meios linguísticos que descortinam a sua intencionalidade, estabelecendo-se, desta forma, como uma verdadeira estratégia de argumentação. Avalio os efeitos de sentido ligados à atitude do falante em face de seu enunciado para esta tarefa de investigação que se propõe como funcionalista, cabe a indicação de que os elementos, em exame no seu uso, têm de ser vistos como funcionais em relação a todo enunciado. Como se pode observar, a modalidade é uma categoria necessariamente dependente do contexto de interação, não necessariamente relacionada à marcação gramatical. Investigo, portanto, a marca que o sujeito/falante/ouvinte deixa no seu discurso. A modalidade, assim, inserida na função interpessoal tem como finalidade a expressão de nossas crenças ou opiniões a respeito de algum assunto, como modo de interação com as pessoas no mundo, mostrando nossos critérios de verdade e valor. Modalização é o sustentáculo da enunciação na medida em que permite explicitar as posições do sujeito falante em relação ao seu ouvinte e a ele mesmo (NEVES, 2006). Este estudo aborda, portanto, a questão segundo a teoria da gramática funcional, proposta por Halliday (1989, 1994), bem como outros pesquisadores de mesma linha, por exemplo, Goosens (1985), Hengeveld (1989) e Dik (1989), considerando a crença de que a língua como sistema se abre ao falante em recursos à sua escolha e, simultaneamente, sofre mudanças, que são reflexos de seleções individuais, sociais e discursivamente motivadas. Assim, no contexto situacional das narrativas pessoais/autobiográficas, os informantes modalizam seus enunciados epistemicamente a partir de suas intenções, da função que eles assumem no processo comunicativo e da forma como eles desejam que os interlocutores recebam as informações e deonticamente a partir de suas obrigações morais e sociais.

 

Felipe Mesquita Marques

Título:Aquisição de interrogativas por brasileiros adultos aprendizes de inglês como L2

Orientadora: Márcia Damaso


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Este trabalho visa a analisar os papéis da língua materna (L1) e da Gramática Universal (GU) no processo de aquisição/ aprendizagem do Inglês como segunda língua (L2) por falantes adultos do Português Brasileiro, tendo como objeto de investigação a aquisição de interrogativas de curta e de longa distância. Para a análise dos dados, adotamos inicialmente a hipótese de Slavkov (2007), segundo a qual há acesso à GU no processo de aquisiçao da L2, mas nenhuma transferência dos valores paramétricos de L1 para L2. O corpus da pesquisa foi obtido através de testes de julgamento de gramaticalidade de orações em Inglês, exercícios de versão do Inglês para o Português e exercícios de produção de interrogativas, aplicados a grupos de aprendizes brasileiros, distribuídos em níveis de proficiência distintos. Os resultados da pesquisa revelam que há também, ao contrário do que propõe Slavkov, transferência dos valores paramétricos de L1 para L2 nos estágios iniciais da aquisição / aprendizagem de L2. Contudo, à medida que o aprendiz é exposto ao input linguístico de L2, ele muda os valores paramétricos para os de L2, mostrando assim , que há Acesso à GU também no processo de aquisição / aprendizagem de L2, como proposto por Slavkov (2007) e Gutierrez e Mayo (2008).

 

Tiago Timponi Torrent

Título:A Rede de Construções em Para (SN) Infinitivo: uma abordagem centrada no uso para as relações de herança e mudança construcionais

Orientadores: Maria Luiza e Maria Margarida


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese trata da rede de construções do Português do Brasil (PB) que compartilha o esquema sintático para (SN) infinitivo. Tal rede é composta por 17 padrões construcionais nos quais o referido esquema pode funcionar (i) como uma construção sintaticamente independente das demais com as quais se combina; (ii) como um dos argumentos perfilados por outra construção; (iii) como parte integrante de construções modais e aspectuais; ou (iv) como uma construção de perspectivização discursiva. As Construções em Para (SN) Infinitivo compartilham também a propriedade semântica de apontarem para um espaço-mental que representa o destino de um movimento no plano das intenções. Desenvolve-se uma análise sincrônica das relações de herança existentes entre as construções em estudo, propondo-se, com base na Hipótese das Generalizações de Superfície, uma rede de motivações para tais construções no PB atual. Evidência estatística para a proposição da rede é fornecida através da aplicação testes de similaridade semântica em falantes universitários do PB, nos quais se julga a possibilidade de anteposição do esquema sintático em questão em relação ao seu contexto construcional mais imediato. Posteriormente, investiga-se o percurso histórico de formação dos padrões construcionais em para (SN) infinitivo, desde o Latim, passando pelo Português Europeu Medieval e Clássico, até o PB. Em vista da impossibilidade de se tratar, diacronicamente, a Rede de Construções em Para (SN) Infinitivo como produto de um processo unidirecional de gramaticalização, propõe-se a Hipótese da Convergência Construcional por Via de Generalizações de Superfície, segundo a qual, construções não relacionadas historicamente, ou oriundas de processos de gramaticalização distintos, podem formar uma rede motivada sintática e semanticamente pelo efeito das generalizações realizadas pelos falantes a partir das formas de superfície das construções. Tanto a análise sincrônica quanto a diacrônica são baseadas em dados de fala e escrita, respectivamente, levantados a partir de corpora da fala mineira e de textos históricos de diversos gêneros.