Neste ano foram defendidas 15 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

Mauro Simões de Sant'ana

Título: Sintaxe e processamento de advérbios no português brasileiro

Orientador: Marcus Maia Páginas: 173


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Dentro do quadro teórico do gerativismo, esta tese se propôs a desenvolver um estudo sobre o posicionamento sintático e processamento dos advérbios seguindo a Hipótese do Especificador (HE). Cinque (1999), Alexiadou (2002) e outros contrariam a análise tradicional dos advérbios como adjuntos e postulam que os sintagmas adverbiais são inseridos na derivação sintática como especificadores de projeções funcionais. A principal evidência empírica utilizada por Cinque para justificar a HE é o posicionamento relativo fixo de advérbios. Cinque ressalta que a força da HE reside no fato de fornecer uma explicação puramente sintática para o fenômeno da restrição posicional dos advérbios. De acordo com o autor, em posições de especificador, o advérbio naturalmente entra em relação com o núcleo que o projeta para checar traços. A hierarquia de núcleos na área funcional da sentença estabelecida pela Gramática Universal (GU), consequentemente, gera a hierarquia dos advérbios. Para verificar a realidade psicológica da HE e a atuação de fatores prosódicos na aceitabilidade dos ordenamentos relativos fixos de advérbios no português brasileiro (PB), reportamos nesta tese experimentos de questionário, de leitura automonitorada e de produção oral. Os resultados de todos os experimentos fortaleceram a HE à medida que indicaram a existência de posições fixas para os diversos tipos de advérbios, de ordenamentos relativos fixos, além de indicar a atuação de fatores prosódicos na aceitabilidade de ordenamentos fixos de advérbios tanto em experimentos de leitura como de produção oral. A partir dos resultados dos experimentos investigamos quais núcleos funcionais são gramaticalizados através de advérbios no PB, os ordenamentos relativos fixos de advérbios existentes no PB e a possibilidade de alguns núcleos funcionais projetarem advérbios na camada complementizadora da sentença.

Karen Sampaio Braga Alonso

Título: Construções binominais quantitativas e construções de modificação de grau: uma abordagem baseada no uso

Orientadores: Mario Martelotta e Lílian FerrariPáginas: 155


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Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Este trabalho descreve as construções binominais quantitativas do tipo um N1 de N2 (ex: um litro de leite, uma cambada de crianças, um pouco de pão etc.) em termos de suas propriedades como pareamento de forma e sentido. Após observação de dados, pode-se chegar a quatro padrões distintos relacionados a um padrão mais amplo de construção binominal quantitativa. A pesquisa se baseia na perspectiva da Linguística Baseada no Uso, em que a gramática é vista como moldada pelo discurso, sendo a análise linguística realizada sob um ponto de vista cognitivo-funcional. Sendo assim, a partir da análise de exemplos retirados dos corpora do Grupo de estudos Discurso & Gramática (referente aos informantes do Rio de Janeiro) e de 6 inquéritos entre dois informantes retirados do site do Projeto NURC, foram encontradas quatro construções relativas a um N1 de N2, a saber: a) uma construção relacionada ao processo de extração de unidade ou porção – Num N1 de Nsing2 -, em que um é numeral, N1 exprime quantidade específica e N2, tomado como incontável ou contínuo, tende a aparecer no singular; b) uma construção relacionada ao processo de multiplexização – Num N1 de Npl2 – em que um é numeral, N1 exprime quantidade específica e N2, tomado como contável ou discreto, tende a aparecer no plural; c) uma construção relacionada ao processo de extração de unidade ou porção associado à avaliação subjetiva do falante a respeito da quantidade referida por N2 – Art Indef N1 de Nsing2 – em que um é artigo indefinido, N1 exprime quantidade indeterminada e N2, tomado como incontável ou contínuo, tende a aparecer no singular; d) uma construção relacionada ao processo de multiplexização associado à avaliação subjetiva do falante a respeito da quantidade referida por N2 – Art Indef N1 de Npl2 – em que um é artigo indefinido (que pode ser substituído por uma), N1 exprime quantidade indeterminada e N2, tomado como contável ou discreto, tende a ser pluralizado. Considerando isso, a pesquisa mostrou como esses quatro padrões foram se gramaticalizando ao longo do tempo, o que, ao final, permitiu que se chegasse a uma relação de herança de familiaridade entre eles, em que o licenciamento de um se deve à pré-existência de outro. Foi apresentada também uma proposta de descrição da relação entre construções binominais quantitativas e construções de modificação de grau do tipo um N Adj (a exemplo de um pouco cansada, um bocado triste, etc.). Observou-se que o padrão Art Indef N1 de Nsing2 é capaz de gerar construções desse tipo, em um processo de gramaticalização de construções sustentado pela metáfora conceptual ESTADOS SÃO LOCAIS.

Gabriela de Campos Barbosa

Título:Atitudes Linguísticas em Portugal: Uma Fronteira entre Brasileiros e Portugueses

Orientadora: Lucia de San Tiago Dantas Páginas: 135


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

A presente investigação analisa as atitudes lingüísticas de brasileiros, imigrantes recentes (década de 2000) em Portugal, com o objetivo de verificar a manutenção ou não de imaginário binacional a partir daquilo que esses sujeitos referem sobre as variedades linguísticas do português do Brasil e de Portugal. Tal investigação é de natureza sociolinguística, porque as atitudes linguísticas são capazes de influenciar os destinos linguísticos de qualquer comunidade. O referencial teórico que norteia a pesquisa tem suas bases na Sociolinguística, Antropologia Linguística e Psicologia Social. A metodologia baseia-se em técnicas de análise de dados e medida de atitudes sociais comuns nesta última área de conhecimento. Mais especificamente, os dados obtidos por meio de entrevistas e questionários são aplicados a uma escala de medição de atitudes, conhecida como Escala de Likert. Até o momento, constata-se que há diferenças de crenças e valores entre brasileiros imigrantes recentes em Portugal e portugueses lá residentes considerando-se aquilo que os primeiros referem sobre os usos do português europeu. As atitudes linguísticas encontradas denotam que, em relação aos grupos estudados, mantém-se o imaginário binacional Brasil Portugal, principalmente entre os indivíduos com menos tempo de permanência no país e sem vínculo familiar direto com portugueses. A ideia de limite político está marcada. Brasileiros preferem o português do Brasil e o sentem como sua variedade linguística. Entendem-se como povo distinto do português, com distintas crenças e variedade linguística.

Adriana Leitão Martins

Título: A desintegração do tempo na demência do tipo Alzheimer

Orientador: Celso Novaes Páginas: 240


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Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Este estudo tem por objetivo investigar a origem do comprometimento linguístico de indivíduos com a demência do tipo Alzheimer (DTA). Especificamente, busca-se investigar a origem do déficit na expressão linguística de tempo por esses sujeitos, tomando-se como hipótese que ele seja decorrente de impedimentos em módulos cognitivos não-linguísticos. Assume-se que a mente opere com diferentes módulos cognitivos que interagem, como o módulo da linguagem e o módulo dos conceitos. A fim de atingir o objetivo proposto, quatro pacientes com DTA e quatro indivíduos-controle foram submetidos a um teste neuropsicológico – o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) – e a dois testes linguísticos – um de julgamento de gramaticalidade e outro de preenchimento de lacuna. Por meio dos resultados no MEEM, os pacientes foram divididos em dois grupos: um constituído de indivíduos sem déficit cognitivo e outro, de indivíduos com déficit cognitivo. Os testes linguísticos investigavam o conhecimento de Tempo e Aspecto, e seus resultados revelaram um desempenho inferior dos pacientes em relação ao dos controles. Além disso, observou-se que mesmo o desempenho dos pacientes sem déficit cognitivo era inferior ao dos controles. Notou-se ainda uma tendência de os pacientes com déficit cognitivo apresentarem um desempenho inferior ao dos demais pacientes. Esses resultados foram interpretados como se todos os pacientes possuíssem um comprometimento na expressão linguística temporal, que esse problema poderia ser atribuído a um comprometimento essencialmente linguístico e que, em pacientes com déficit cognitivo, o desempenho linguístico seria mais prejudicado por ser decorrente de comprometimentos em módulos cognitivos não-linguísticos e linguístico. Com isso, a hipótese deste estudo pôde ser refutada. Como uma contribuição adicional desta pesquisa, tem-se que ela permitiu que fossem fornecidas evidências de que as categorias de Tempo e Aspecto estejam dissociadas no módulo da linguagem.

Ricardo Araujo Ferreira Soares

Título:Do tratamento formal da fala conectada em francês

Orientadora: Marília Facó Páginas: 222


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Nosso trabalho volta-se para o (re)exame de fenômenos de fala conectada, entre os quais incluem-se aqueles conhecidos como liaison e elision. Nomeados como fenômenos distintos, estes ajustamentos podem ser tratados como a manifestação do mesmo fenômeno. Tal fenômeno, conhecido como truncamento, requer, para sua implementação, informação de mais de um componente da gramática. Realizamos uma revisão no tratamento dado a esse fenômeno em francês no âmbito da tradição gerativa incluindo-se aí o Programa Minimalista. Nossa pesquisa insere-se no quadro da Teoria da Otimalidade (Optimality Theory), desenvolvida a partir de trabalhos de Prince & Smolenski (1993) e McCarthy & Prince (1993), e visa alcançar, a partir do estudo de aspectos de língua francesa, uma maior compreensão sobre a variação interlingüística no que tange a fala conectada e contribuir para o entendimento dos mecanismos fonológicos que assinalam relações gramaticais.

Gean Nunes Damulakis

Título:Fonologias de língua macro-jê: uma análise comparativa via teoria da otimalidade

Orientador: Marília Facó Páginas: 178


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Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Neste trabalho, tratamos da questão da variação entre línguas Macro-Jê, sobretudo dentro da família Jê. Examinar diferenças e semelhanças entre línguas deste tronco – mais particularmente dentro da família Jê -, sobretudo no que concerne à formação silábica, utilizando, para isso, o instrumental teórico da Teoria da Otimalidade (OT, Optimality Theory, Prince & Smolensky, 1993 e McCarthy & Prince, 1993). Discutimos também alguns aspectos fonológicos de línguas desse tronco. As línguas aqui analisadas são: Kaingáng, Parkatêjê, Apinajé, Mebengokre (Família Jê) e Krenak (Família Botocudo). Guiando-nos dentro da OT, tentamos indicar quais são as restrições prosódicas respeitantes à silaba – sobretudo aquelas que se baseiam em traços fonológicos – pertinentes a essas línguas e procuramos abrir caminho para a revelação de uma gramática fonológica (em termos otimalistas) da língua que lhes deu origem: o Proto-Jê.
No que tange à nasalidade, examinamos a existência de segmentos de contorno nasal e seus reflexos sobre a configuração silábica e sobre as restrições que comandam essa configuração. Algumas restrições mostraram ter importante atuação nessas línguas, como as restrições da escala de sonoridade e daquelas derivadas de Princípio do Contorno Obrigatório. Atestamos, por exemplo, que essas restrições atuam na formação de onset complexo nessas línguas. Em relação à escala de sonoridade, discutimos sua interpretação diante de segmentos em contorno nasal.

Aline Rodrigues Benayon

Título:Aquisição das fricativas no Português Brasileiro: propriedades distribucionais e variação

Orientadora: Christina Abreu Páginas: 141


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta pesquisa observa, sob o construto teórico dos Modelos Multirrepresentacionais, a aquisição das fricativas sibilantes no dialeto carioca, visto que podem ser alofones em distribuição complementar e em variação ou fonemas de acordo com a posição que ocupam na sílaba. Postula-se que os segmentos são adquiridos a partir da forma fonética da palavra armazenada no léxico, a qual é associada a uma nuvem de ocorrências das categorias. Isto implica dizer que a representação é altamente redundante, uma vez que as unidades linguísticas seriam armazenadas com suas propriedades previsíveis e não previsíveis (Pierrehumbert, 2001, 2003). Os dados foram coletados de 19 crianças, com idade de 1 ano e 9 meses até 4 anos e 6 meses, que compõe a amostra AQUIVAR (PEUL/UFRJ). Essa amostra é transversal e dividida de acordo com a classe socioeconômica a que as crianças pertencem. Em relação aos resultados encontrados sobre a aquisição das fricativas sibilantes como fonemas, em posição de onset silábico, e como alofones, em posição de coda silábica, o comportamento observado da produção das crianças aponta para o fato de que a realização das fricativas, no período aquisitivo, se processa em função de suas propriedades distribucionais. Isto é, a estabilização da coda medial antes da coda final e das fricativas em onset se deve a sua previsibilidade como alofone vis-a-vis sua imprevisibilidade como fonema. Em relação à aquisição das variantes sociofonéticas, em posição de coda, observou-se que, apesar de a palatal apresentar maiores índices de produção, as outras formas alternativas também ocorrem, indicando a coexistência dessas quatro variantes na fala das crianças. Em coda interna, a fricativa velar/glotal apresentou um índice de produção de apenas 3% e não houve diferença de comportamento entre os grupos de crianças das duas classes socioeconômicas, devido à frequência do item lexical mesmo. Já, em relação à coda final, a realização de (h) ocorreu somente nas crianças de classe socioeconômica mais baixa e também em itens lexicais específicos. Sobre o zero fonético, observou-se a forte relação da aquisição dessa variante com a aquisição da concordância nominal, em que possui status morfológico.

Sandra Aparecida Faria de Almeida

Título:Subjetividade e intersubjetividade: as construções completivas epistêmicas em inglês

Orientadora: Lílian Ferrari Páginas: 209


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Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

O presente trabalho enfoca construções completivas epistêmicas em inglês, sob a perspectiva teórica da Linguística Cognitiva, e mais especificamente, da Gramática de Construções, com o objetivo de contrastar construções do tipo [X thinks that Y] e [X thinks Y].Tendo em vista que a língua inglesa apresenta duas construções sintáticas diferentes para sinalizar conteúdo semântico semelhante, a questão que se coloca, a partir do Princípio da Não-Sinonímia (GOLDBERG,1995), é: qual a diferença pragmática existente entre essas construções? Este trabalho busca responder a essa questão, tomando como ponto de partida as noções de subjetividade e intersubjetividade (LANGACKER, 1990; VERHAGEN, 2005). A análise é baseada em dados linguísticos reais, que reúnem construções de complementação instanciadas pelos verbos epistêmicos “to suppose”, “to guess”, “to think”, “to believe”, “to find” e “to know”, retiradas de entrevistas transcritas. Os principais achados da pesquisa podem ser assim resumidos:
(i) Construções completivas epistêmicas (e.g. “I think that he’ll come” and “I think he’ll come”) são mais subjetivas do que construções independentes ( e.g. “He’ll come”), já que as primeiras codificam, direta ou indiretamente, o Ground (falante, ouvinte e circunstâncias imediatas do evento de fala), enquanto as últimas apresentam o evento como se não houvesse nenhum sujeito da consciência implícito.
(ii) Construções completivas epistêmicas, em geral, indicam intersubjetividade, mas o fazem de modo diferente dependendo da estrutura sintática selecionada. As construções completivas sem complementizador sinalizam conjunção cognitiva em relação à perspectiva de outros participantes apresentada no discurso precedente ou disponível através de conhecimento compartilhado; as construções completivas com complementizador indicam disjunção cognitiva em relação à perspectiva de outros participantes.
A principal contribuição do trabalho é o tratamento dos fenômenos de subjetividade e intersubjetividade em construções completivas epistêmicas sob uma perspectiva distinta das propostas de viés discursivo existentes na literatura (TRAUGOTT e DASHER, 2005; VERHAGEN, 2005). Argumenta-se, de forma pioneira, que a intersubjetividade transcende a construção de complementação complexa, codificando a relação entre a perspectiva do falante ou de outros participantes, disponíveis no contexto discursivo precedente.

Gabrieli Pereira Bezerra

Título:Sintagmas nominais como rótulos em livros didáticos de história do Brasil

Orientadora: Vera Paredes Páginas: 138


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Este trabalho identifica e analisa SN’s que funcionam como rótulos em um corpus de livros didáticos de História do Brasil, publicados em diferentes épocas. Usamos como critério para a identificação dos rótulos o fato de o rótulo exigir sua lexicalização no cotexto para a compreensão de seu significado. Após o levantamento dos dados, os rótulos foram analisados quanto à forma e à função. Em relação ao aspecto formal, identificamos a estrutura do rótulo – nome-núcleo, determinante e modificador. Além disso, agrupamos os nomes-núcleos conforme o aspecto semântico em: nomes gerais, nomes de eventos, processos e ações e nomes metalinguísticos. Quanto ao aspecto funcional, analisamos o direcionamento do rótulo, que mostrou ser sua função intrínseca, porque o rótulo necessariamente remete a outra parte do texto, que pode ser de extensão variada. Dessa forma, o rótulo funciona como prospectivo ou retrospectivo. Também constatamos que o rótulo desempenha funções na organização tópica dos livros didático, como: introdutor, continuador e concluidor. Por fim, buscamos correlacionar o uso dos rótulos aos tipos textuais em que se inserem e mostrar que a avaliação expressa pelo rótulo contribui para explicitar o ponto de vista do produtor do texto.

Maria de Fátima Sousa de Oliveira Barbosa

Título:(Im)polidez em EAD

Orientadora: Maria Cecília Páginas: 172


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta pesquisa analisa os processos interacionais de (im)polidez entre interactantes de um curso de graduação e de um curso de pós-graduação, oferecidos a distância, investigando os recursos linguísticos utilizados para denotarem os Atos de Ameaça à Face, que constituem a Teoria da Polidez. Indeterminação do sujeito, modalização, passivização e imperativo positivo são os processos linguísticos utilizados para observar a (im)polidez. A investigação é processada em mensagens virtuais trocadas entre alunos e mediadores dos referidos cursos, as quais se constituem gênero emergente. São observadas as competências linguística e pragmática e a competência informacional que corresponde ao letramento digital, necessário para realizar práticas de leitura e escrita no espaço cibernético. A pesquisa lida com pressupostos teóricos que ultrapassam as fronteiras da Sociolinguística e busca referência na linguística Textual, na Análise do Discurso e na Pragmática para dar conta dos fenômenos gramaticais requisitados para explicar a (im)polidez nas interações.A análise qualitativa dos dados mostra resultados relevantes para a EAD, tais como os processos de co-construção do conhecimento entre mediador e aluno, a necessidade de investir em processos linguísticos denotadores de envolvimento, a marcação de um novo gênero com características próprias do ambiente virtual e a constatação de um campo de trabalho em aberto para o linguista, bem como deixa campo aberto para futuras discussões.

Vania Lisboa da Silva Guedes

Título:Nominalizações deverbais em artigos científicos: uma contribuição para a análise e a indexação temática da informação

Orientadores: Maria Cecília e Marisa Leal Páginas: 110


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Este estudo analisa o discurso científico e tecnológico sobre a indústria de vinhos, em português do Brasil, investigando a recorrência das nominalizações deverbais no léxico do gênero artigo de periódico e suas funções de índices na indexação. Assim, o objetivo é, por um lado, desenvolver uma análise linguística léxico-morfológica do discurso sobre a indústria de vinhos e, por outro lado, contribuir para o desenvolvimento de modelos de sistemas semi-automáticos de indexação. Estabeleceu-se a hipótese de que as nominalizações deverbais formalmente descritas por [X] v ® [ [X] v -ção ] N são predominantes no campo semântico da indústria de vinhos e, portanto, estão presentes no léxico dos artigos de periódicos, nessa área do conhecimento, exercendo funções de índices mais relevantes, devido às suas frequências de ocorrências. Para tal, consideram-se como referencial teórico a análise de gêneros textuais, a teoria lexical e a indexação da informação, fundamentada em leis e princípios bibliométricos. A partir daí, selecionam-se quatro artigos sobre a indústria de vinhos, publicados na Scientific Electronic Library Online. Os artigos foram processados pelo Software Rank Words 2.0. Para cada artigo, foi produzida uma lista, em ordem decrescente, de frequência de ocorrência das palavras. Em cada lista, é verificada a aplicação das leis de Zipf e Ponto de Transição de Goffman, investigada a recorrência de nominalizações deverbais formuladas de acordo com [X] v ® [ [X] v -ção ] N , [X] v ® [ [X] v -mento] N , [X] v ® [ [X] v -ncia ] N , [X] v ® [ [X] v -agem ] N , [X] v ® [ [X] v -da ] N e também verificadas suas frequências relativas e graus distintos de relevância de suas funções de índice, para a indexação da informação. Visando à confrontação dos dados, o método é aplicado a dois artigos sobre Economia. Finalmente, menciona-se que os dados obtidos corroboram a hipótese acima mencionada, revelam maior adequação do método aos artigos sobre Economia e evidenciam a importância das abordagens teóricas e descritivas da nominalização deverbal para a indexação da informação científica e tecnológica, no âmbito da Ciência da Informação.

Fernanda Abreu e Silva Alencar

Título:A relação semântica de elaboração na fala e na escrita: forma e função

Orientadora: Maria da Conceição Páginas: 139


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Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Nesta Tese, analisamos a relação semântica de elaboração na modalidade falada e escrita do português brasileiro contemporâneo. Delimitamos nosso objeto de análise às elaborações que expandem um SN, procurando identificar as propriedades formais, semânticas e discursivas dessa relação lógico-semântica. Partimos da hipótese de que a elaboração desempenha um papel central não só na especificação/determinação de sintagmas nominais, mas também na orientação argumentativa do discurso. Uma outra hipótese é a de que as diferenças entre fala e escrita refletem uma estreita correlação entre as características formais e semânticas do SN elaborado e as características formais e semânticas do segmento elaborador. Para a verificação dessas hipóteses, utilizamos a Amostra Censo 80, como representativa da modalidade falada, e uma amostra de diferentes gêneros textuais (crônica, opinião, notícia/reportagem, editorial) coletados nos jornais O Globo, Jornal do Brasil, Extra e O Povo. A análise considera inicialmente os subtipos de relação que se estabelecem entre os dois segmentos discursivos vinculados e, a seguir, as propriedades semânticas, morfossintáticas e discursivas dos sintagmas nominais elaborados, as propriedades dos segmentos elaboradores, os indicadores formais das relações entre eles e as funções textuais-discursivas da elaboração. Através de um tratamento quantitativo que permitiu verificar a distribuição dos dados de acordo com esses diferentes parâmetros, foi possível depreender as similaridades e diferenças decorrentes das especificidades na forma de planejamento de cada uma das modalidades. As diferenças mais relevantes dizem respeito ao tipo de SN elaborado: na escrita, predominam os rótulos com maior conteúdo semântico, tais como metalinguísticos e indiciais, relacionados prioritariamente com verbos do tipo mental. Na fala, prevalecem SNs com baixo conteúdo semântico, genéricos e essencialmente fóricos, associados, predominantemente, a verbos relacionais. Apesar dessas diferenças, a elaboração desempenha papel similar nas duas modalidades: constitui importante estratégia de especificação/identificação de referentes introduzidos como informação nova e, além disso, desempenha papel de relevo na organização discursiva, o que pôde ser observado principalmente através das correlações com as variáveis gênero e tipo textual. Mostramos ainda que funcionalmente a elaboração reflete a variação observada no tipo de SN elaborado. Na escrita, destaca-se a função de reforço de orientação argumentativa, relacionada aos rótulos metalinguísticos e indiciais. Na entrevista sociolinguística, além dessa função, ressalta também a de detalhamento de uma situação complexa, especialmente relacionada à expressão “o seguinte”. Dessa forma, concluímos que as características da elaboração decorrem, principalmente, dos objetivos comunicativos de cada gênero discursivo.

Sheila Lúcia de Oliveira Bezerra

Título:Percepção da fala em situação de teste: o comportamento linguístico analisado sob a ótica dos modelos multirrepresentacionais

Orientadora: Christina Abreu Páginas: 142


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta pesquisa teve como objetivo investigar, em situação de teste, em que medida a sistematicidade na recorrência dos erros de interpretação de palavra falada pode subsidiar a discussão de hipóteses sobre a representação mental dos itens lexicais e a organização do léxico. O trabalho conjuga questões de percepção e reconhecimento da palavra falada, tomando por base os fundamentos teóricos dos modelos multirrepresentacionais. Os resultados revelaram: 1) a importância do armazenamento feito através da experiência para a formação de nuvens de exemplares de representações linguísticas, uma vez que crianças e adolescentes apresentaram mais erros de percepção que adultos; 2) e que as substituições realizadas, na maioria, apresentam um grau significativo de semelhança com o segmento alvo em suas características fonéticas, dando suporte à hipótese que defende que as regularidades e similaridades observadas nos itens lingüísticos são usadas na estrutura de armazenagem.

Andreia Rezende Garcia Reis

Título:Orações de gerúndio nas modalidades falada e escrita do Português

Orientadora: Maria da Conceição Páginas: 183


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese investiga as orações de gerúndio que codificam, juntamente com a oração núcleo, relações semânticas de concomitância, modo, tempo, condição, finalidade, causa, consequência e concessão no português falado e escrito contemporâneo. O objetivo central é de verificar a hipótese de que diferentes feixes de propriedades, tanto da oração de gerúndio quanto da oração núcleo, podem favorecer uma determinada interpretação semântica em detrimento de outras. Para verificar essa hipótese, foram utilizados dados de 32 entrevistas sociolinguísticas realizadas com falantes cariocas (Amostra Censo, 2000) e 350 textos – cartas de leitor, artigos de opinião, crônicas, reportagens e notícias – publicados nos jornais cariocas: Jornal do Brasil, O Globo, Extra e Povo. Considerando as diversas relações lógico-semânticas que emergem nos períodos com orações de gerúndio, são analisados parâmetros morfossintáticos, semânticos e discursivos, com o objetivo de identificar as propriedades mais relevantes para uma determinada interpretação, assim como os padrões de organização mais gerais dessas estruturas oracionais. Os resultados obtidos mostram que as orações adverbiais de gerúndio são mais frequentes na modalidade escrita, e, sobretudo, nos gêneros textuais de caráter mais argumentativo. Além disso, verificamos que as diferentes relações lógico-semânticas agrupam-se de acordo com suas propriedades, ocupando pontos distintos num continuum de integração semântica. As orações de gerúndio concomitantes e modais constituem um grupo com propriedades muito semelhantes e estão em pontos mais à esquerda no continuum de integração; as orações finais têm comportamento diferenciado das demais, pois codificam estado de coisas posterior ao da núcleo e estariam menos integradas; as orações temporais, consecutivas e concessivas ocupam uma terceira posição no continuum e possuem propriedades muito semelhantes; as condicionais e causais são as menos integradas à núcleo, formando um quarto grupo e desempenhando funções discursivas e textuais mais específicas, relacionadas mais frequentemente aos constituintes situados na margem esquerda da oração, como ligação com o discurso anterior e introdução de enquadramentos. Através da comparação entre as orações adverbiais de gerúndio e orações hipotáticas finitas, mostramos que, apesar das muitas similaridades entre essas duas estruturas, elas não são inteiramente equivalentes.

Amanda Beatriz Araujo de Oliveira

Título:A referência estendida em diferentes gêneros jornalísticos

Orientadora: Vera Paredes Páginas: 148


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Este trabalho analisa um mecanismo especial de coesão, chamado referência estendida, ou seja, alguns itens da língua precisam remeter a outros que apresentam uma extensão maior do que um nome para serem entendidos (Halliday e Hasan, 1984), contribuindo para a coesão do texto e também para a progressão tópica. O estudo em questão é uma análise empírica, feita com base em textos da modalidade escrita, em três gêneros jornalísticos de natureza, predominantemente, argumentativa – o editorial, o artigo de opinião e a crônica -, encontrados em dois jornais da imprensa carioca – O Globo e Jornal do Brasil. Como este fenômeno, em português, pode ser expresso de três formas distintas, a saber: pronome demonstrativo neutro isso, sintagma nominal e anáfora zero, o estudo seguiu a abordagem da Sociolingüística Variacionista Laboviana. Os resultados apontaram um aumento significativo do uso de nomes em relação à língua falada (Oliveira, 2000, 2001, 2002). Em relação ao uso da anáfora zero, os fatores que mostraram maior relevância foram a ambigüidade contextual, a semântica do verbo, o número de orações englobadas, o direcionamento fórico, a função sintática e a relação sintática da oração. Na oposição entre o pronome neutro e o SN, os fatores que favorecem são a ambigüidade de referência e o gênero textual.