Neste ano foram defendidas 7 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

Daniela Cid Garcia

Título: Efeitos Composiciona is no Reconhecimento Visual de Palavras Compostas em Inglês: um Estudo com MEG

Orientadora: Aniela Improta França Páginas: 92


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Esta tese teve como objetivo examinar as bases neurofisiológicas da computação do sentido em palavras compostas, em uma perspectiva de aproximação entre pesquisa linguística e neurobiologia. O experimento realizado contribui com pistas sobre como operações combinatórias intralexicais são implementadas no cérebro. Utilizamos a técnica de magnetoencefalografia (MEG) para monitorar a atividade eletromagnética cortical durante um teste de leitura em que palavras compostas do inglês foram contrastadas com palavras-controle monomorfêmicas (e.g. SAILBOAT vs. SPINACH). Em primeira análise, o trabalho dialoga com recentes estudos que têm destacado o Campo Medial Anterior (Anterior M idline Field – AMF : componente de MEG que ocorre em torno de 400 ms após a apresentação do estímulo e tem sua fonte geradora no córtex pré -frontal ventromedial) como possível correlato neurofisiológico da composicionalidade semântica. Além disso, assumindo que o AMF possa ser considerado uma medida dependente da composicionalidade semântica intralexical, este trabalho traz evidências preliminares de um possível estágio de recomposição que deve ocorrer no curso temporal do reconheciment o lexical. Esse estágio daria conta da diferença entre palavras transparentes e opacas, já que a decomposição inicial ocorre para ambas. Na manipulação da transparência semântica, palavras opacas apresentaram atividade diferente das palavras transparentes e novas.

Glauber Romling da Silva

Título: Morfossintaxe da língua Paresi-Haliti (Arawak)

Orientadora: Bruna Franchetto Páginas:603


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese tem como objetivo descrever os principais aspectos da gramática paresihaliti, uma língua pouco documentada. Na Parte I Introdução, apresentamos no Capítulo 1 Língua, Povo e Documentação, os principais aspectos da língua, seus falantes e território e relatamos o processo de documentação. No Capítulo 2 Fonologia, apresentamos o sistema fonológico da língua à luz da teoria autossegmental da Geometria de Traços (Clements & Hume, 1995). No Capítulo 3 Unidades Morfossintáticas definimos as noções de palavra gramatical e fonológica. Na Parte II Categorias Lexicais Abertas, iniciamos com a descrição dos nomes no Capítulo 4. No Capítulo 5, descrevemos os verbos, em suas classes, morfologia de aspecto, processos de incorporação e de mudança de valência. A Parte III Categorias Lexicais Fechadas é dedicada aos principais aspectos das posposições (Capítulo 6), advérbios (Capítulo 7), adjetivos (Capítulo 8) e conjunções (Capítulo 9). Na Parte IV A Periferia Esquerda e Além, o Capítulo 10 busca explicar as principais características sintáticas da distribuição das categorias funcionais externas à concha lexical, que chamamos de NMA – FT (Negação, Modo, Aspecto – Foco, Tempo). Ao final dessa parte, apresentamos o que identificamos como interjeições e ideofones (Capítulo 11). Na Parte V Sintaxe encerramos a gramática descritiva com o Capítulo 12, que descreve a sintaxe da oração e do período. Na Parte VI Ensaio Formal, damos foco a uma generalização exocêntrica: predicados monoargumentais (nomes, verbos e posposições) exibem padrões simétricos de concordância a depender da posição dos argumentos que selecionam. No Capítulo 13 propomos um ensaio formal, nos moldes minimalistas (Chomsky, 1989,1993, 1995, 2000, 2001), para esse quebra-cabeças. A Parte VII Conclusões, com o Capítulo 14 Considerações Finais, levanta alguns desdobramentos que podem ser explorados em trabalhos futuros. Nos apêndices, apresentamos um caderno de imagens do trabalho de campo, uma narrativa interlinearizada e exemplos do léxico utilizado para a formatação de um dicionário preliminar.

Natália Sathler Sigiliano

Título: A Construção Aspectual Inceptiva do Português com verbos não canônicos

Orientadora: Maria Luiza Braga Páginas: 186


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Adotando uma perspectiva baseada no uso, esta tese investiga a Construção Aspectual Inceptiva do Português (CI), que segue o padrão [(SN) V1fin (Prep) V2inf]. Foram analisados sincronicamente e diacronicamente os preenchimentos de V1 por cair, danar, deitar, desandar, desatar, disparar, entrar, pegar e romper. Realizaram-se buscas no Córpus do Português, no Córpus Conceição de Ibitipoca, no Córpus Juiz de Fora e Arredores e no Córpus Procon JF, com o intuito de examinar as relações sintático-semânticas que perpassam a CI e as relações subjacentes ao seu emprego. Com o intuito de verificar as relações sintático-semânticas entre os elementos que compõem a CI, foi realizado um estudo de caso que partiu do verbo pegar, o qual pôde ser observado tanto nas suas relações lexicais quanto gramaticais. Por meio dele, foi possível propor uma rede de motivações sintáticas e observar as restrições semânticas do uso de V1 e de Prep associadas à categoria de movimento. Uma análise diacrônica com vias a analisar a gramaticalização da CI corroborou essas restrições inclusive no que tange à escolha do V2. A aplicação do parâmetro da extensão e do princípio da persistência mostrou ser a CI uma construção em processo de gramaticalização, em que a posição de V1, com o passar do tempo, é preenchida por diversos verbos não canônicos, persistindo a categoria de movimento associada a eles, e, a extensão a novos contextos em que se restringem as ligações entre determinados V1 e tipos específicos de V2. Foram buscadas também evidências translinguísticas da metáfora de movimento na CI, visto que a linguagem é corporificada. Para tanto, analisaram-se dados em diversas línguas, as quais revelaram haver forte associação ao tipo semântico de V1 na CI não canônica do português com a do estoniano, espanhol, francês e japonês, por exemplo. Foi desenhado um experimento com vias a observar a relação corpo x linguagem e suas manifestações nos usos aspectuais. Essa pesquisa psicolinguística não mostrou dados estatisticamente relevantes no que tange à ativação neuronal de movimento e o uso de V1 que denote essa noção; ela colaborou com pesquisas já realizadas que demonstraram a inexistência de relações direção e velocidade de resposta no que diz respeito ao uso de expressões metafóricas.

Fernanda Duarte Senna

Título: Acesso e representação lexical na produção de afásicos sob a ótica da fonologia de uso

Orientadores: Christina Abreu Gomes e Gastão Coelho Gomes Páginas: 189


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

A presente tese teve como objetivo analisar o acesso lexical e representação fonológica de Afásicos e controles. Utilizou-se para obtenção dos dados uma tarefa de nomeação de figuras e repetição de pseudopalavras. A base teórica para a análise dos dados foram os Modelos Baseados no Uso e a Linguística Probabilística, que adotam como pressuposto a organização lexical em redes de similaridades fonéticas e semânticas. A Hipótese geral adotada e ratificada seria a de que a forma sonora das substituições e a da forma alvo se relacionaria com as hipóteses de organização lexical em redes e alguns fatores poderiam influenciar nessa organização e consequentemente no acesso, corroborando para a hipótese de acesso a informação de diferentes níveis de abstração. Os resultados demonstram, além da variedade de respostas e porcentagens, a importância de variáveis como idade de aquisição, frequência de ocorrência, familiaridade, tamanho do alvo, entre outras no acesso lexical e de frequência e de tamanho do estímulo na representação do conhecimento fonológico em Afásicos e controles.

Diogo Oliveira Ramires Pinheiro

Título: A inversão do sujeito no português brasileiro: uma abordagem cognitivista

Orientadores: Miriam Lemle e Antonio Fernando Catelli Infantosi Páginas: 196


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Esta tese se propõe a investigar a inversão do sujeito no português brasileiro falado à luz da Linguística Cognitiva. Para isso, são combinados dois modelos teóricos complementares: uma versão recente da Teoria dos Espaços Mentais (SANDERS; SANDERS; SWEETSER, 2009; 2012; FERRARI; SWEETSER, 2012) e a Gramática de Construções goldbergiana. Assumindo o Princípio da Não-sinonímia (GOLDBERG, 1995), e considerando que sentenças SV e VS frequentemente expressam o mesmo conteúdo objetivo, toma-se como ponto de partida a seguinte pergunta: qual é a diferença semântica e/ou pragmática entre as duas estruturas? As principais descobertas são as seguintes: (i) As estruturas SV e VS ativam redes distintas de espaços mentais: a primeira instrui o ouvinte a posicionar o Ponto de Vista no Espaço de Ato de Fala, localizado no ground comunicativo, ao passo que a segunda promove o deslocamento do Ponto de Vista para o Domínio do Conteúdo; como resultado, sentenças VS envolvem uma redução da distância entre sujeito conceptualizador e objeto conceptualizado; e (ii) a construção VS predica uma cena de experiência perceptual direta que inclui três elementos (Observador, Campo Visual e Entidade Focalizada), dos quais apenas o último é perfilado (os demais permanecem pressupostos). A principal contribuição do trabalho consiste na sugestão de que a ordem VS pode ser explicada com base na ideia de deslocamento do ponto de vista, na medida em que a posição pós-verbal do sujeito fornece instruções específicas a respeito do estabelecimento da rede de espaços mentais e das projeções entre esses espaços.

Clara Oliveira Esteves

Título: O conhecimento fonológico de crianças com Dislexia, Desvio Fonológico e Distúrbio Específico de Linguagem: uma análise multirrepresentacional da linguagem

Orientadores:Christina Abreu Gomes Páginas: 131


Resumo da Tese

Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Essa tese analisou o desempenho de 18 crianças com transtornos de linguagem (7 com Dislexia (DIS), 7 com Desvio Fonológico (DF) e 4 com Distúrbio Específico da Linguagem (DEL)) e 18 crianças com desenvolvimento típico (DT – 7 pareadas com o grupo DIS, 7 pareadas com o grupo DF e 4 pareadas com o grupo DEL pela idade) em um teste de Repetição de Pseudopalavras, a fim de investigar o conhecimento fonológico das mesmas. Medidas de memória sequencial auditiva, vocabulário receptivo e acuracidade de palavras reais foram utilizadas comparativamente. Assumiram-se os pressupostos dos Modelos Multirrepresentacionais (MMR), que preconizam a abstração da linguagem de forma gradual, constituindo diferentes tipos de conhecimento fonológico, a partir de um léxico adquirido através do uso da linguagem na interação com o outro e organizado em redes de conexão. A comparação entre os desempenhos das crianças nos 4 testes mostrou que o principal preditor para o desempenho no teste de Repetição de Pseudopalavras foi vocabulário receptivo. Como consequência, neste teste, os grupos DT e DIS (com vocabulário dentro do esperado para a idade) obtiveram melhores desempenhos que o grupo DF (vocabulário 21% abaixo do esperado), que por sua vez, apresentou melhores desempenhos que o grupo DEL (vocabulário 65% abaixo do esperado). Os grupos DT, DIS e DF não foram sensíveis ao efeito de frequência silábica dos estímulos, diferindo do grupo DEL. Por fim, grupo DF acessou informações fonológicas abstratas, mas falhou na organização do detalhamento fonético, enquanto o grupo DEL apresentou dificuldades com os padrões fonológicos abstratos. Estes resultados localizam os déficits fonológicos das crianças com diferentes transtornos de linguagem em tipos de conhecimento fonológico também diferentes, caracterizando a sua natureza distinta, além de reiterar os pressupostos dos MMR de linguagem, de que o léxico dá suporte à organização dos padrões fonológicos abstratos.

Leandro Santos Abrantes

Título: Produção, percepção e representação: a contribuição da análise dos sistemas vocálicos do português brasileiro e do inglês norte-americano

Orientadores: Myrian Freitas Páginas: 816


Resumo da Tese

Linha de pesquisa:

Este trabalho visa a mapear os espaços vocálicos perceptuais do português brasileiro e do inglês norte-americano tanto como línguas maternas quanto como línguas estrangeiras. Para analisar as características perceptuais dos sistemas vocálicos do inglês e do português como línguas maternas, foram realizados um teste de percepção em que estímulos baseados em dados de produção vocálica do português foram apresentados a juízes brasileiros, e outro teste de percepção em que estímulos baseados em dados de produção vocálica do inglês foram apresentados a juízes norte-americanos. Do mesmo modo, com o objetivo de se observarem as características perceptuais dos sistemas vocálicos do inglês e do português como línguas estrangeiras, foram realizados um teste de percepção em que estímulos baseados em dados de produção vocálica do inglês foram apresentados a juízes brasileiros, e outro teste de percepção em que estímulos baseados em dados de produção vocálica do português foram apresentados a juízes norte-americanos. Os estímulos utilizados no experimento foram criados por síntese de fala com o programa KLSYN (Klatt, 1980; Klatt & Klatt, 1990), com base nos valores apresentados em Abrantes (2008). Participaram do experimento 20 juízes brasileiros – 10 homens e 10 mulheres – e 20 juízes norte-americanos – 10 homens e 10 mulheres. Nos quatro testes, construídos e executados com o programa ALVIN (Hillenbrand & Gayvert, 2003), os estímulos eram apresentados sempre em associação a um par de palavras – contendo vogais adjacentes – na língua materna do juiz, juntamente com a solicitação de que este identificasse cada som ouvido clicando na palavra correspondente. Como dados utilizados neste estudo, foram aproveitados não só as respostas dadas pelos juízes, mas também a latência de resposta a cada estímulo. Em estudo anterior (Abrantes, 2008), comprovou-se a natureza relacional das vogais em sua disposição sistêmica no espaço acústico, conforme apontaram Liljencrants & Lindblom (1972) e Schwarz (1997a, b). No presente estudo, investigamos a presença destas propriedades vocálicas também nos espaços perceptuais do português brasileiro e do inglês norte-americano. Assumindo, portanto, a fonologia vocálica como produção, percepção e representação das vogais de uma dada variedade linguística, e tomando por base as evidências dos estudos de produção vocálica, partimos da hipótese de que a análise da percepção vocálica mostrará espaços acústicos perceptuais que também se baseiam no caráter sistemático e nas propriedades de dispersão e concentração vocálicas.