Neste ano foram defendidas 19 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

LILIANE RAMONE

Título: NATIVOS ENTRE NATIVOS: ESPECIALIZAÇÕES ACÚSTICAS DE FALANTES COM TROCAS REFERENTES AO TRAÇO DE SONORIDADE

Orientadora:Aniela Improta FrançaPáginas: 188


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Linha de pesquisa:Língua e Sociedade

Esta tese teve como objetivo geral verificar as características acústicas e sua contraparte perceptiva observadas na produção de fones em indivíduos que apresentam trocas relativas ao traço de sonoridade. A percepção do traço de sonoridade foi evidenciada precocemente em bebês e a categorização parece ser feita mediante exposição da língua materna até o final do primeiro ano de vida (WERKER & TEES, 1984). Por meio de uma dinâmica de ‘peneiras’, implementando uma sequência de testes, este trabalho procurou averiguar marcas acústicas especificas na produção sonora, assim como aspectos perceptivos igualmente específicos que pudessem apontar as características do vozeamento nesses indivíduos estudados. Utilizando como ferramenta a análise acústica foi possível verificar diferenças na duração de oclusivas e fricativas na produção sonora de falantes com alteração no traço de sonoridade assim como verificar como esses falantes são guiados por uma percepção particular.

Vilma Maria Reis Cavalcante

Título:O SUJEITO NULO NO PORTUGUÊS DO MARANHÃO

Orientadora: Celso Vieira NovaesPáginas: 203


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Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Este estudo trata do sujeito nulo no português do Maranhão e tem por base as ideias contidas no Programa Minimalista chomyskiano (1999). A noção de sujeito nulo descrita neste estudo é considerada a evolução teórica da concepção de parâmetro que, inicialmente, se apresenta como conjunto de propriedades sintáticas, segundo Chomsky (1981) e Rizzi (1982), e, posteriormente, como traços morfológicos, segundo Chomsky (1999) e Haegeman & Guerón (1998). As duas concepções são apresentadas com base na descrição e comparação do inglês, língua sem sujeito nulo, ao italiano e ao português Europeu (doravante PE), línguas de sujeito nulo, e, posteriormente, ao sujeito nulo no português do Brasil (PB), para o qual apresentaremos um conjunto de explicações retiradas de três estudos: Figueiredo (1996), Duarte (1995), Novaes (1996). Os dados do português do Maranhão foram retirados de 10 entrevistas com indivíduos ludovicenses, com nível superior, divididas em dois grupos etários, o primeiro entre 20 e 25 anos e o segundo entre 60 e 65 anos. Desse corpus, foram retirados 1.112 dados de sujeitos, dos quais 819 são de sujeitos plenos e 293 de sujeitos nulos. Para capturar a natureza do sujeito nulo no português do Maranhão, objetivamos: a) registrar ocorrências de sujeitos nulos e plenos; b) identificar as pessoas verbais com as quais ocorre sujeito nulo; c) identificar em que tempos verbais ocorrem preferencialmente esse sujeito nulo; d) identificar em que tipo de oração o sujeito nulo está inserido; e) verificar como se dá a sua identificação e recuperação. Em relação à variável não linguística, objetivamos: a) verificar a importância da faixa etária na realização do sujeito nulo. As nossas hipóteses são: a) se é verdade que o português do Maranhão conserva a segunda pessoa “tu” com verbo flexionado com -s, então o português do Maranhão apresentará um paradigma verbal “rico”; b) se o português do Maranhão preserva o sujeito nulo, então esse ocorrerá, preferencialmente, com pessoas gramaticais mais marcadas morfologicamente em tempos verbais como o presente, o pretérito perfeito e o pretérito imperfeito; c) se o paradigma verbal do português do Maranhão é “rico”, como hipotetizamos, será verdade também que será possível registrar altos percentuais de ocorrência tanto em orações independentes quanto em orações subordinadas; d) se o português do Maranhão preserva AGR “forte” e paradigma verbal “rico”, o mesmo preservará, preferencialmente, sujeito nulo identificado e recuperado pela flexão; e) se o sujeito nulo for preservado no Maranhão, como hipotetizamos, preservará também a identificação e a recuperação do sujeito nulo nas orações subordinadas via flexão. Em relação à variável não linguística faixa etária, a nossa hipótese é de que os falantes maranhenses da faixa etária mais alta (60 a 65 anos) produzirão mais sujeitos nulos do que os falantes da faixa mais jovem (20 a 25 anos). A análise dos resultados sugere que o português do Maranhão tem comportamento idêntico ao do PB, apresentando sujeito nulo de 1ª pessoa do singular e do plural, sujeito nulo expletivo e sujeito nulo correferencial em orações subordinadas.

José de Ribamar Dias Carneiro

Título:POVOS E LÍNGUAS INDÍGENAS NO MARANHÃO: CONTATO LINGUÍSTICO

Orientadora: Marília Lopes da Costa Facó Soares Páginas: 273


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Tendo como lócus de pesquisa a cidade de Barra do Corda, no Estado do Maranhão, o presente trabalho insere-se no campo dos estudos sobre contato linguístico, em interface com a descrição de línguas indígenas, sobretudo no que diz respeito a traços fonológicos e morfológicos apoiados em itens e/ou elementos de origem indígena. Agrega também uma abordagem de topônimos e a presença de vocabulário de origem indígena na fala de maranhenses cuja língua materna é o português. E resulta de um projeto de pesquisa que, refletido na tese de doutorado aqui apresentada, inclui aspectosdo português falado por indígena e não indígena. A pesquisa realizada tem, entre seus resultados, a admissão de que os informantes entrevistados exibem usos linguísticos reveladores de um processo de mudança, com maior incidência para os falantes indígenas. Os resultados obtidos são cotejados com fenômenos estudados por outros pesquisadores em outros lugares do Brasil, verificando-se que o português, falado como segunda língua por indígenas em Barra do Corda contém processos observáveis em outros lugares do país – o que revela serem esses processos de natureza muito mais abrangente e já envolverem falantes de português como primeira língua fora de uma situação de contato com línguas diferentes (o que não exclui o contato entre variedades do próprio português , mas aponta para fenômenos passíveis de serem atribuídos a mecanismos internos à própria língua, independentemente do contato linguístico). O confronto de resultados deixa igualmente claro que, entre os indígenas no Maranhão, os Guajajara são os que mais se aproximam da variedade linguística do portuguêsque contém os processos identificados. E que são os Kanela a estar mais afastados dessa variedade, já que revelam, ao tentar falar português como segunda língua, traços de sua própria língua materna – o que significa que, como estratégias para a aquisição de uma segunda língua ( no caso o português do Brasil), lançam mão de material e regras/restrições existentes em sua própria língua materna. Quanto aos campos mais fortemente estruturados de uma língua (ou variedade linguística) menos prestigiada, em situação de contato linguístico, os resultados iniciais apontam para a fonologia da língua Kanela (família Jê, tronco Macro-Jê) como um campo mais fortemente estruturado do que a fonologia do Guajajara (família Tupi-Guarani, tronco Tupi).

Thiago Coutinho Silva

Título:POR DENTRO DOS NOMES A morfologia nominal em Kotiria (Tukano Oriental)

Orientadora:Bruna Franchetto Páginas: 201


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Linha de pesquisa:Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Esta tese tem como objetivo a descrição e analise de alguns fenômenos relacionados aos sintagmas nominais em Kotiria (Tukano Oriental). Partindo dos trabalhos de Stenzel (2013), Waltz (2007) e Giacone (1967), nos aprofundamos nas informações disponveis sobre os sintagmas nominais na literatura sobre as línguas da família Tukano, em especial na literatura sobre a língua Kotiria. Em seguida, revisamos o desenvolvi-mento historico da chamadaDP-hypothesis(cf. Abney, 1987; Bernstein, 2001 e 2008; entre outros) e depois, tendo como base os trabalho de Borer (2005) e Cowper & Hall (2012), apresentamos uma proposta propria de analise sintatico-semântica dos classifi cadores e dos traços envolvidos na individuaçaoo dos nominais da língua Kotiria. E, por fi m, partindo de dados de natureza morfossintatica e das ideias desenvolvidas neste trabalho, sugerimos uma nova proposta de organização dos traços e, consequentemente, das subclasses da categoria nominal da língua Kotiria.

Marije Soto

Título:ERP and fMRI EVIDENCE OF COMPOSITIONAL DIFFERENCES BETWEEN LINGUISTIC COMPUTATIONS FOR WORDS AND SENTENCES

Orientador: Aniela Improta Franca Páginas: 185


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Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Neste estudo, investigamos funções cognitivas subjacentes ao componente de Potencial Relacionado ao Evento (PRE) conhecido com o N400 medido em palavras alvo em contextos sentenciais e em paradigmos de priming. Efeitos relatados na literatura sugere que esses efeitos são qualitativa- e quantitativamente iguais; ademais, tem dados que indicam que informação discursiva e enciclopédica afetam medidas de N400. Isso sugere que o componente N400 reflete alguma espécie de processamento semântica amodal de cognição geral. Porém, contestamos essa visão, propondo que os tempos de apresentação dos estímulos nesses estudos são lentos demais para replicar as condições de processamento de fluxo de fala natural ultra-rápido, e, nesse caso, o efeito provavelmente reflete processos pós-sintáticos; além disso, não se disassociam adequadamente fatores semânticos e sintáticos. Em vez disso, no nosso estudo, usamos tempos de apresentação rápidos de 200ms por palavra (grupo) com intervalos de 100ms. Baseado na premissa que o processamento de linguagem se dá inicialmente por um mecanismo estritamente bottom-up sintático automátic e inevitável, prevemos nenhuma diferença entre efeitos de N400 para sentenças contextualizadas vs. descontextualizadas effects, como em, resp., Até sem capacete vs. Todos os dias, João dirige sua moto. Repetindo as mesmas palavras alvo no paradigma de priming, prevemos um ganho cognitivo para os pares relacionados sintático-semânticamente (e.g. CAPACETE moto) vs. pares associados apenas semanticamente (e.g. ÔNIBUS moto), sob a suposição que mecanismos sintáticos ocorrem espontaneamente, assim fortalecendo significado na forma de estruturação frasal (e.g. um sintagma prepositional) sempre quando um predicador pode ser implicitamente interpretado (e.g. uma preposição), como em CAPACETE (para) moto. Nossos dados indicam que há, de fato, nenhum efeito geral para contexto na tarefa de sentenças (F(1,18)=0,419, p=0,526). Para os pares de priming tipo sintático-semântico, o ganho cognitivo previsto se deu na forma de latências mais rápidas (efeito geral para tipo de relação F(2,32)=11,26, p=0,000). Ambos esses resultados apontam para um mecanismo de estruturação frasal automático, rápido e inevitável. Os dados também mostram que o contexto sentential e paradigmas de priming de palavras geram componentes de N400 que são diferentes em magnitude, tipo de efeito (i.e.a latência é afetada com priming,mas não com sentenças), e distribuição, o que sugere que funções cognitivas sutilmente diferentes subjacem ao efeito. Para examinar correlações anatômicas entre a diferença na distribuição do efeito, um estudo de Imagem de Ressonância Magnética funcional (IRMf) foi aplicado para investigar se diferenças gradativas de complexidade sintática no escopo do sintagma verbal correlaciona com gradações em ativação na área de Brodman 44, uma subparte da área de Broca, que, na literatura, vem sido associada à complexidade sintática. Os resultados deste estudo ainda são inconclusivos.

Juliana Novo Gomes

Título:INVESTIGATING THE DISSOCIATION BETWEEN N400 AND P600 EFFECTS ON THE SYNTAX-SEMANTICS INTERFACE: AN ERP STUDY

Orientador: Aniela Improta FrançaPáginas: 209


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Linha de pesquisa:

Esta tese trata da cronologia das etapas envolvidas no processamento de sentenças. Usando frases com papéis temáticos invertidos, recentes pesquisa com Potenciais bioelétricos relacionados a eventos linguísticos (ERPs) sob a luz da Teoria da Ilusão Semântica, desafiam o pressuposto de que os processos sintáticos e semânticos estão fortemente acoplados. Com este trabalho procuramos reestabelecer uma correspondência direta entre os modelos Sintaxe-Primeiro e o processamento de sentenças on-line, relacionando-os com as recentes descobertas neurofisiológicas de que há duas vias de processamento, uma ventral e uma dorsal, a primeira para palavras e itens coordenados e a segunda para estruturas hierárquicas. Usamos a técnica de extração de ERPs de voluntários estimulados por sentenças com papéis temáticos invertidos tanto na voz ativa quanto na passiva, afim de investigar se existem tipos distintos de processamento que se sucedem durante a derivação de sentenças. Encontramos evidências em favor de um modelo Sintaxe-Primeiro durante o qual o acesso lexical aconteceria antes da concatenação do VP. A dificuldade de concatenação do VP gera um N400. Já na janela subsequente (550-800 ms) a dificuldade em fazer a integração entre o argumento externo armazenado na memória e o VP produz um P600.

Orleane Evangelista de Santana

Título:Contato dialetal e o estabelecimento de uma variedade urbana em Imperatriz – Maranhão

Orientador: Christina Abreu Gomes Páginas:151


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Linha de pesquisa: Tecnologia Linguística e Materiais Pedagógicos

O trabalho focaliza a formação de uma variedade urbana capturada em meio à mistura dialetal que se verificou na formação populacional de Imperatriz, cidade originalmente isolada na fronteira do Bioma Amazônico, no Sudoeste do Estado do Maranhão e que a partir dos anos sessenta teve um crescimento muito rápido com a chegada de um grande número de migrantes. Os dados foram analisados a partir do conceito de Koineização, formação de uma variedade a partir do contato entre falantes de variedades mutuamente inteligíveis, considerando a origem rural recente e o processo rápido de urbanização. Foram analisadas duas variáveis fonológicas: alternância entre a lateral palatal e a semivogal (mulher ~ muyé); alternância entre ditongo e vogal nasal átonos finais e vogal oral (homem ~ homi), e uma variável morfossintática: alternância entre presença e ausência de concordância verbal (cantaram ~ cantaru ~ cantou), usando dados de 18 falantes da Amostra de Imperatriz, estratificada por idade, sexo e escolaridade, através de uma perspectiva variacionista. Os dados coletados e analisados foram submetidos ao programa Goldvarb 2001 e Rbrul. Os resultados para as variáveis sociais revelaram que, para a variante semivogal, a distribuição por faixa etária sinaliza mudança em progresso no sentido de perda dessa variante e que não há diferença de comportamento entre os sexos feminino e masculino, sendo essa variante favorecida por falantes com baixa escolaridade. Para a ausência de concordância verbal, o perfil é de variação estável, ocorrendo na mesma proporção nos três níveis de escolaridade, sendo que as mulheres utilizam um pouco mais essa variante do que os homens. Para a variante vogal oral, os resultados indicam mudança em progresso no sentido de ampliação da variante nasal (ditongo ou vogal), não havendo diferença de comportamento entre os dois sexos, sendo os falantes menos escolarizados os que a favorecem. Assim sendo, na cidade de Imperatriz, o fenômeno dos dialetos em contato parece não ser apenas resultado de uma koineização, mas a formação de uma variedade que preservou algumas marcas regionais, típicas de fala rural, e descartou outras em função do contexto socioeconômico. O rápido processo de urbanização levou à diminuição das variantes estigmatizadas, as quais coexistem com variantes menos estigmatizadas. Quanto à alternância entre ditongo e vogal nasais átonos finais e vogal oral, os resultados obtidos para as variáveis estruturais revelaram favorecimento da vogal oral em vocábulos com maior número de sílabas; pelos nomes; pelas consoantes [-alto] e consoantes [+nasal] em contexto anterior e quando a próxima sílaba tônica está a distância de 2, 3 ou + sílabas da nasal final precedente. A análise da variação do ponto de vista segmental revelou ainda que a vogal oral tende a ocorrer em ambas as vogais-núcleo, com leve vantagem do núcleo ẽ; pelos mais velhos, independente da escolaridade; e por alguns itens lexicais, sendo, possivelmente, os que estão resistindo à implementação da nasal. Verificou-se, portanto, que tanto há motivação fonética, o efeito da próxima sílaba tônica, quanto efeito do item lexical no favorecimento da variante oral.

Tereza Cristina Mena Barreto de Azevedo

Título:Realização morfológica dos traços de perfect no português do Maranhão

Orientadora: Celso Vieira Novaes Páginas: 189


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Esta tese tem por objetivo entender o modo como os traços de aspecto, em particular os traços de perfect, estão representados mentalmente. Especificamente, buscamos investigar as diferentes realizações morfológicas do traço de perfect no português (do Maranhão). Verificamos, também, quais categorias de verbos são compatíveis com as morfologias de perfect. Propusemos uma representação para a camada flexional nas realizações morfológicas dos traços de perfect no português do Maranhão. O perfect é o aspecto que relaciona uma situação passada à sua relevância no presente. O perfect noportuguês do Brasil manifesta-se mais claramente pelo passado composto, formado pela perífrase verbal “ter” + particípio, e pela perífrase verbal “estar” + gerúndio, denotando uma situação completa que apresenta uma relação com o presente (Vocêtem estudado bastante ultimamente /João está trabalhando no banco do Brasil desde 1986). Consideramos que o perfect é um aspecto verbal que, interessantemente, compartilha propriedades aspectuais e temporais, e que os traços referentes ao aspecto sejam comuns a todas as línguas, mas as diferenças residiriam na realização morfológica. Esperamos checar as seguintes hipóteses: Hipótese I- no português do Maranhão, o falante realiza o perfect exclusivamente por meio do pretérito perfeito composto (“ter” + particípio);Hipótese II-no Português do Maranhão, as ocorrências com perfect têm maior incidência (com mais de 70%) com os verbos de atividade. A partir disso, investigamos que tipos de verbo são compatíveis com as realizações morfológicas de perfect no português do Maranhão e propomos uma representação para camada flexional. Os dados para esta pesquisa foram coletados através de entrevistas com oito informantes com baixa escolaridade, divididos por faixa etária em dois grupos: Grupo I, composto por informantes de faixa etária entre 18 e 30 anos, sendo dois informantes do sexo masculino e duas informantes do sexo feminino, e Grupo II composto por informantes de faixa etária entre 50 e 62 anos, sendo dois informantes do sexo masculino e duas informantes do sexo feminino. Verificamos, a partir da análise dos conjuntos de dados do corpus analisado, que as possíveis realizações morfológicas no português do Maranhão do traço aspectual de perfect foram relizadas pelo pretérito perfeito composto (“ter” + particípio), pela perifrase “estar” + gerúndio, pelo presente do indicativo + advérbio, pretérito perfeito simples + advérbio, pretérito imperfeito +advérbio e outras formas perifrásticas. Encontramos, no conjunto de daos, verbos de atividade, estado, processo culminado e culminação.Ressaltamos que, no conjunto de dados, encontramos apenas perfect de situação persistente.

Maura Rejanne Amaral Rodrigues Amorim

Título:Preferência e Transferência no Processamento de Orações Relativas Apostas a Sintagmas Nominais Complexos em Português e Inglês

Orientadora: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas:160


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Trata-se de um estudo que procurou identificar as preferências no processamento de orações relativas apostas a sintagmas nominais complexos em português e em inglês, em grupos de monolíngues e bilíngues, visando também, neste último grupo, aferir possíveis efeitos de transferência e de erosão. Para tanto, foram realizados experimentos off-line (questionários) e em leitura automonitorada (on-line). Os experimentos off-line, nas versões em português e em inglês, foram aplicados a monolíngues de português e de inglês e a bilíngues em português com inglês como L2 que responderam às duas versões. Os sujeitos foram 40 falantes monolíngues em português, estudantes do curso de Pedagogia, Enfermagem ou Zootecnia de uma faculdade particular da cidade de Timon (Maranhão), 40 falantes nativos de inglês, da University of Massachusetts, EUA, e 40 professores de língua inglesa, com português como L1, de cursos de línguas e/ou das redes públicas, estadual e municipal, da cidade de Teresina – Piauí, que responderam às duas versões, em que se observou a compreensão de orações relativas ambíguas. Os materiais consistiram de frases com dupla possibilidade de interpretação, sendo ambas bem formadas gramaticalmente, objetivando-se verificar se há, por parte dos sujeitos indagados, uma preferência de análise na compreensão das orações relativas ambíguas e, se a preferência se dá pela aposição da OR ao SN1 alto, ou se pela aposição da OR ao SN2 baixo. No caso dos falantes bilíngues, pretendeu-se verificar se há transferência das preferências de processamento da L1 para a L2. Finalmente, pretendeu-se observar, ainda, se haveria uma variação nessa interpretação quando ocorre a alternância do pronome relativo QUE com A/O QUAL e THAT com o pronome WHO, nas versões em português e em inglês, respectivamente. Foram realizados também 4 experimentos de leitura automonitorada (on-line), também na versão em português e em inglês, aplicados a 24 monolíngues em português, 24 falantes nativos em inglês e 24 professores de língua inglesa, com português como L1 que responderam ao experimento nas duas versões. Esses sujeitos são professores de cursos de línguas e/ou das redes públicas, estadual e municipal, da cidade de Teresina – Piauí, havendo-se objetivado medir o tempo médio de leitura dos segmentos em que se dividiram as frases, especialmente o segmento que continha a oração relativa, crítico. Este estudo em Psicolinguística Experimental toma, portanto, como método de pesquisa, questionários off-line e experimentos on-line, baseados em Cuetos & Mitchell (1988) e outros autores, sobre o processamento de ORs por monolíngues e bilíngues, tais como os trabalhos de Dussias (2003), Maia & Maia (1999, 2001, 2005), Fernández (1998, 2002, 2005), Papadopoulou & Clahsen (2003), Ribeiro (2004, 2005), White (1998), destacados dentre vários outros. Discutem-se os resultados com base na Teoria do Garden Path, a Hipótese do Construal, a aposição preferencial do falante nativo, a aposição preferencial do falante de L2, questões associadas à Language Dependency x Language Independency no Processamento de Sentenças por Bilíngues, bem como a interferência da L1 na L2 e a erosão (attrition) sofrida pela L1 em virtude da L2. Este trabalho dialoga com trabalhos já conhecidos na literatura que relatam que português e inglês apresentam preferências diferentes quanto à aposição da OR a sintagmas nominais complexos. Finalmente, nossos dados apontam que os bilíngues em português-inglês apresentam um comportamento language independent verificando também evidências de transferências no processamento de OR ambíguas nos experimentos off-line. Entretanto, nos experimentos de Leitura Automonitorada, os dados apontam para um comportamento language dependent.

Maria José Quaresma Vale

Título:“As estratégias de relativização na fala de adultos maranhenses”

Orientadora: Maria Cecília de Magalhães Mollica Páginas: 103


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Este estudo analisa, à luz do modelo teórico de estudo da variação e mudança referido como Sociolinguística Variacionista, as estratégias de relativização na fala de adultos maranhenses, levando em conta fatores linguísticos e sociais testados em outros estudos, com o objetivo de identificar, como se apresenta essa regra variável numa comunidade de fala ainda não estudada. A pesquisa se baseou em estudos anteriores, como os realizados com analfabetos do Rio de Janeiro (cf. Mollica, 1977) e com informantes da cidade de São Paulo, com diversos níveis de escolaridade (cf. Tarallo, 1983). Nossa variável sociolinguística levou em conta as relativas padrão, cortadora e copiadora e a análise foi apresentada em dois grupos – relativas que só admitem a padrão e a cópia (com os relativos em função de sujeito e objeto) e relativas que admitem as três variantes (com os relativos em funções oblíquas). Os resultados demonstraram baixa ocorrência de relativas copiadoras em todas as funções, tanto na fala dos adultos letrados como dos não letrados, um resultado que fica bem abaixo do encontrado na fala de adultos não alfabetizados em outras pesquisas. Quanto às relativas cortadoras, essas predominam principalmente na fala dos [-Letrados], o que confirma outros resultados. A diferença mais notável foi encontrada nas relativas padrão em funções oblíquas, com expressivo índice de ocorrências na fala dos [+Letrados], o que confirma o papel da escola e do contato com a escrita e a leitura na aprendizagem de tais estruturas. Entre os menos letrados, elas estão praticamente ausentes, exceto pelo uso do relativo “onde”, que é expressivo na nossa amostra em seu significado original e retomando um antecedente locativo. Os resultados indicam ainda, nos dados dos [-Letrados], a ausência dos relativos “quem” e “cujo” e apenas 3 ocorrências de “o qual” (embora usado de forma não canônica). A presença de todos os tipos de relativos na fala dos [+Letrados] sugere que é a escola que ainda consegue recuperar o quadro de relativos já ausente no PB oral. Uma análise de regra variável das relativas com funções oblíquas, que opôs relativas padrão a relativas cortadoras, já que a cópia não alcançou o estatuto de regra variável, tomando como valor de aplicação a relativa cortadora, apontou como fatores que a favorecem, nesta ordem, o grau de letramento, o tipo de preposição apagada e a função sintática do relativo. O gênero dos falantes, o traço de animacidade e o status informacional do antecedente não exercem efeito sobre variável. Da mesma forma, o fator processamento, ligado à distância entre o relativo e a posição canônica do constituinte relativizado, foi desconsiderado pelo Programa, certamente por ser, juntamente com os fatores de natureza informacional e semântica, um fator que atua como favorecedor da cópia, uma variante não considerada em nossa rodada de regra variável por alcançar índices que a colocaram como regra semicategórica. Foram confirmadas parcialmente as hipóteses levantadas em relação aos fatores sociais e estruturais. Entretanto, somente uma análise que contemple uma amostra estratificada por faixas etárias e diferentes níveis de escolaridade, entre outros fatores sociais, poderá permitir generalizações mais sólidas sobre o português do Maranhão e tornar comparações com as demais regiões e estados brasileiros possíveis.

Jose Haroldo Bandeira Sousa

Título:Metáforas e contexto cultural na Comunidade Quilombola de Cipoal dos Pretos

Orientadora: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 120


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Esta tese tem como objetivo investigar a produção metafórica dos falantes da Comunidade Quilombola de Cipoal dos Pretos (Maranhão, Brasil). A partir das ideias de Lakoff& Johnson (1980) sobre metáfora conceptual e, sobretudo, dos critérios estabelecidos por Kovecses (2010) para a variação linguística e cultural da metáfora, demonstrou-se que o contexto concorre diretamente para que haja criatividade na produção de expressões metafóricas peculiares e pouco familiares a outras variedades do português brasileiro. Os dados utilizados incluem oito entrevistas com falantes de ambos os sexos, distribuídos de acordo com faixa etária (15-30; 31-45; 46-60; acima de 60 anos). As entrevistas foram gravadas e transcritas a partir de princípios sociolinguísticos de coleta de dados (Labov, 1972b; Milroy 1987;Ferrari 1994). A partir da análise da fala espontânea coletada em Cipoal dos Pretos, detectaram-se os seguintes fatores como motivadores da criatividade metafórica observada nos dados: a) o ambiente físico imediato (em especial, características da flora e fauna locais); b) características e atividades físicas relacionadas ao corpo humano; c) atividades socioculturais que caracterizam a vida cotidiana dos habitantes da comunidade; d) atividades socioculturais associadas ao contexto cultural mais amplo. A principal contribuição do trabalho está relacionada ao fato de se atestar, por meio de um corpus de oralidade, que a criatividade metafórica é motivada por parâmetros ambientais, corporais e socioculturais específicos. Em especial, demonstra-se que há um entrelaçamento entre esses dois últimos parâmetros em Cipoal dos Pretos, em função do papel fundamental das atividades corporais e do trabalho braçal nas atividades agrícolas desenvolvidas na comunidade

Fernando Orphão de Carvalho

Título:Disparidades entre Input e Output em Sequências Vocálicas: Equilibrando Contraste e Marcação nas Gramáticas das Línguas

Orientadora: Marília Facó Soares Páginas: 203


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Apresentamos aqui os resultados da investigação de um conjunto de fenômenos relativos à fonotática de sequências vocálicas em línguas pertencentes a distintos agrupamentos genéticos e cujas gramáticas ocupam pontos distintos do espaço tipológico de possibilidades a esse respeito. Embora as análises aqui discutidas sejam construídas utilizando-se o aparato da Teoria da Otimalidade (TO), argumentamos que as hipóteses aqui defendidas se sustentam por si mesmas, independentes de um compromisso com a correção ou o caráter iluminador dessa teoria particular. De forma sucinta, podemos dizer que o problema tratado é o de avaliar hipóteses alternativas para a análise fonológica de sequências de superfície [VV] e – indo do input para o output – como diferentes línguas lidam com inputs de estrutura /V1+ V2/. O tratamento de sequências vocálicas pelas gramáticas das línguas naturais envolve uma interação entre o caráter marcado de configurações como ditongos, hiatos e vogais longas, e a necessidade de preservação de contrastes subjacentes: exatamente o tipo de interação que a TO visa a compreender. Para cada uma das línguas oferecemos uma gramática parcial – isto é, um conjunto hierarquizado de restrições sobre formas de output e potencialmente conflitantes entre si – que constituem cada uma delas uma forma alternativa de lidar com esse conflito, e que serão justificadas a partir de comparações entre as formas atestadas e outros candidatos a output.

Evaldino Canuto de Souza

Título:Análise contrastiva do futuro verbal em Inglês e Português: Uma abordagem baseada no uso

Orientadora: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 182


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

O presente trabalho de pesquisa analisa contrastivamente o futuro verbal comWILL em inglês e português, considerando, inicialmente, que as gramáticas de línguainglesa para brasileiros postulam duas traduções possíveis decorrentes da equivalênciaou correspondência, quase biunívoca, entre o futuro morfológico (Nós transformaremos nossas escolas) e o will future (We will transform our schools), bem como do futuroperifrástico (Nós vamos transformar nossas escolas) e o „going to‟ future (We are goingto transform our schools). Por outro lado, à luz dos dados – sentenças no futuro com “will”, retiradas do discurso de posse do Presidente Barack Obama (EUA, 2009), e analisadas em dez traduções profissionais veiculadas no Brasil – verificou-se ser possível depreender somente daquela sentença no futuro com „will‟, pelo menos duas traduções diferentes, em português: Nós transformaremos nossas escolas (futuro morfológico) e Nós vamos transformar nossas escolas (futuro perifrástico). Diante dessa situação, levantamos, inicialmente, a seguinte pergunta: O futuro com “will”, em inglês, corresponde ao futuro morfológico ou ao futuro perifrástico, em português? Buscamos a resposta para o questionamento elencado no âmbito da Teoria dos Atos de Fala, ancorada em um repertório de modelos conceptuais pré-existentes na mente dos falantes e que dão sustentação às estruturas linguísticas que expressam futuridade. Partimos, pois, de uma revisitação aos trabalhos de AUSTIN (1962) e SEARLE (1969,1979), que serviram de base para aprofundarmos o tratamento do fenômeno sob a ótica da Linguística Cognitiva. Nesse sentido, apoiamo-nos na relevante contribuição de MARMARIDOU (2000) para os estudos da Pragmática, e em especial, dos atos de fala. Sobre o Futuro Verbal em Inglês, citamos DECLERK (2006), e sobre o Futuro em Português recorremos aos trabalhos de FERRARI & ALONSO(2009, 2010), Fundamentamo-nos, também, na Teoria dos Protótipos (Rosch 1973, 1975, 1978, Lakoff 1987). Isto posto, a hipótese geral que orientou o trabalho foi a de que a estruturação semântica radial inerente aos atos de fala associados à construção de futuro com WILL influencia a escolha da forma verbal de futuro em português. Ao analisarmos os dados a partir da estrutura conceptual da noção de futuro, ficou demonstrado, que em inglês, o enquadramento semântico do evento futuro (evento futuro em si ou evento futuro resultante do presente), e o tipo de ato de fala realizado(compromissivo ou assertivo) são relevantes para o uso do WILL-FUTURE. Em Português, os mesmos fatores podem atuar, mas em combinações diferentes. Extraordinariamente, ao traduzir do inglês para o português, é preciso considerar que uma sentença no will future pode estar instanciando um ato compromissivo, que por sinal, é sua instancia mais prototípica. Assim sendo, o tradutor, contrariando a Gramática Normativa que prescreve o uso do futuro morfológico, deverá enquadrar o evento com o futuro perifrástico (IR+INFINITIVO), a partir, também, de uma sentença no WILL FUTURE.

Antonio Luiz Alencar Miranda

Título:Crenças, atitudes e usos variáveis da concordância verbal com o pronome tu.

Orientadora: Maria Cecília de Magalhães MollicaPáginas: 157


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

O trabalho focaliza atitudes e crenças manifestas por maranhenses sobre o falar local, relacionando-as com os usos em contextos reais de fala. Volta-se para o exame da variação da concordância verbal na segunda pessoa do singular com o pronome sujeito explícito tu,na fala maranhense nas cidades de Caxias e em São Luís. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, que analisa o imaginário de um grupo de pessoas da cidade de Caxias em relação à afirmação popular de que no Maranhão se fala o melhor português. A pesquisa situa-se na área da Sociolinguística e segue as orientações metodológicas da linguística variacionista, com base nos pilares encontrados no texto basilar de Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]) e Labov (1966, 1969, 2008, [1972b]). O estudo lança mão de abordagem qualitativa e quantitativa. Discute questões relacionadas a atitudes a partir de fatos sócio-históricos, de alguns indicadores apontados pelos sujeitos em exame e de resultados provenientes de análise de correlação de variáveis. No tratamento quantitativo dos dados, foi utilizado o programa Goldvarb X. Os experimentos em campo foram realizados por meio de entrevistas. Os dados para análise variacionista provêm de duas amostras: (1) corpus do projeto Atitudes Linguísticas dos Falantes do Maranhão (ALFMA) que integra a amostra Caxiense e (2) corpus da amostra Ludovicense disponibilizada em Carneiro (2011), que contém os dados de São Luís. O estudo comprova a existência do mito, uma vez que os índices são maiores para a avaliação positiva do que para a negativa em todos os perfis de falantes. A pesquisa aponta, a partir das crenças e das atitudes, o sotaque como elemento de sustentação do mito no imaginário maranhense. Com efeito, os resultados atestam contradição entre atitudes e crenças dos falantes e seus usos, se tomamos a estrutura canônica como paradigma, em relação à avaliação dos informantes quanto à existência do mito. Os falantes realizaram o verbo com a marca de concordância apenas 4,5% e 5,1% nas amostras estudadas, respectivamente. Por fim, os resultados obtidos ratificam achados de outras pesquisas sobre o tema desenvolvido em outras comunidades brasileiras. Portanto, ainda que a existência do imaginário se confirme no grupo estudado, é possível tratar-se de padrão que se perpetua de forma subjacente na maior parte da população do Estado e, por tradição ou mera intuição, reflete ainda a percepção e sensibilidade linguística de muitos brasileiros

Ana Maria Sá Martins

Título:Traços de aspecto subjacentes aos diferentes usos do gerúndio

Orientadora: Celso Vieira NovaesPáginas: 217


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Este trabalho tem por objetivo geral investigar o modo como o aspecto está mentalmente representado. E como objetivos específicos, identificar os diferentes usos do gerúndio no português do Maranhão e investigar os diferentes traços linguísticos subjacentes ao uso do gerúndio no português do Maranhão. Buscamos refutar a hipótese de que o gerúndio é utilizado no português do Brasil para expressar exclusivamente o traço de continuidade. Especificamente, buscamos argumentar em favor da proposta de que o gerúndio é utilizado no português do Brasil para expressar outros traços além do traço aspectual de continuidade, de acordo com a teoria gerativista de Chomsky (1986), considerando que essa teoria põe em evidência o conjunto de traços linguísticos que são significativos para o sistema linguístico. O corpus desta pesquisa é constituído por dados de 8 informantes ludovicenses, com escolaridade de nível fundamental, divididos pela faixa etária em dois grupos: 18 a 30 anos (dois homens e duas mulheres) e 50 a 62 anos (dois homens e duas mulheres). Os fatores linguísticos considerados foram o tipo e a forma de gerúndio, além do aspecto semântico-lexical do verbo que aparece no gerúndio. Tomamos por base as classificações desses fatores linguísticos propostas por Lobo (2001), Cunha & Cintra (1985) e Vendler (1967), respectivamente. A análise dos resultados evidencia que os traços subjacentes ao uso do gerúndio que se realizam nos exemplos de Cunha & Cintra (1985), bem como nos dados do português falado do Maranhão, são os traços de aspecto, isto é, os traços aspectuais realizam-se nas formas gerundivas e os traços de tempo e concordância não se realizam através dessas construções. Essa análise parece estar de acordo com a proposta de Sigurðsson (2005) de que todas as línguas têm o mesmo conjunto de traços, o que pode variar é o modo como se realizam esses traços. Na amostra do português do Brasil foram encontrados gerúndios com os traços subjacentes de continuidade e de perfectividade. E nos dados do português do Maranhão, gerúndios com traços subjacentes de continuidade, perfectividade e não atualização do evento. Desse modo foi possível refutar a hipótese desta pesquisa.

Deline Maria Fonseca Assunção

Título:Posição Variável do Sujeito no Falar Maranhense

Orientadora: MARIA LUIZA BRAGA Páginas:244


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Esta tese tem como objetivos analisar a ordem Verbo-Sujeito (VS) nas letras das toadas do Bumba-meu-boi, comparativamente às entrevistas, as quais visam representar a Variedade de fala maranhense, e verificar suas motivações gramaticais e pragmático-discursivas. Para isso, adotamos o Funcionalismo como base teórica, por entendermos que o sistema linguístico é maleável e se adapta às pressões de uso, não podendo, portanto, ser estudado separadamente. Partindo de resultados de pesquisas anteriores (cf. VOTRE e NARO, 1986; BERLINCK, 1988; COELHO, 2000; SPANO, 2008, entre outras) levantamos a hipótese de que a ordem VS é motivada por fatores gramaticais e pragmático-discursivos. Os procedimentos metodológicos de codificação e processamento dos dados adotados são os da Sociolinguística laboviana, com a utilização do programa VARBRUL/GoldVarb 2001. Os corpora utilizados são constituídos por 128 letras de toadas do Bumba-meu-boi do Maranhão, nos “sotaques” de Zabumba, de Matraca e de Orquestra, e 6 entrevistas, que estão na coletânea intitulada Memória de Velhos. Depoimentos. Uma contribuição à memória oral da cultura popular maranhense. Tendo em vista os objetivos, os quadros de referências teóricas e as hipóteses norteadoras, foram postuladas variáveis independentes capazes de identificar as motivações para o uso da ordem VS nos dois corpora. Os resultados mostram que, tanto no Bumba-meu-boi quanto na Variedade de fala maranhense, há uma significativa supremacia da ordem Sujeito-Verbo (SV), indiciando que a ordem VS é uma ordem marcada, tendo em vista sua baixa frequência e sua independência em relação ao gênero discursivo. Os fatores que estatisticamente favorecem o uso da ordem VS são de natureza gramatical e pragmático-discursiva, a exemplo, da Transitividade verbal, especialmente no que concerne aos verbos inacusativos, do grau de informatividade do referente do SN sujeito, da agentividade e da definitude do SN sujeito.

Raquell Fellet Lawall

Título:O Processamento do Clítico SE Incoativo e Télico em Espanhol como L1 e como L2

Orientadora: Marcus Antonio Rezende MaiaPáginas: 255


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

La presente tesis busca contribuir, con datos empíricos, con los estudios de base formalista en adquisición de segunda lengua, investigando la tipología lingüística como un punto central en ese proceso. Buscamos establecer una conexión entre una teoría de representación para la segunda lengua, la Teoría de Gramáticas Múltiples(Amaral & Roeper, 2014), y un modelo descriptivo formal de base lexical: la HPSG (Head-Driven Phrase Structure Grammar), originalmente propuesto por Pollard & Sag (1987), con el intuito de explicitar la relación entre léxico y gramática. La investigación enfoca las semejanzas y diferencias en el procesamiento morfosintáctico del español como segunda lengua (L2), en la interlengua avanzada de hablantes adultos de inglés y de portugués brasileño (PB), como primera lengua (L1). Se investigan dos usos del pronombre clítico „se‟ en español, que presenta múltiples matices semánticas y posibilidades estructurales, comportándose ora como marcador incoativo, como en „La flecha se rompió‟; ora como marcador de finalización de un evento, como en „El niño se comió la manzana‟. Se realizaron tres experimentos para verificar el procesamiento de los dos usos del clítico „se‟ ya relatados. Los experimentos se realizaron siempre con 16 sujetos hablantes nativos de español, de diversas nacionalidades, 16 hablantes de PB y 16 hablantes de inglés, como primera lengua (L1), aprendices avanzados de español (L2), em um design intrasujetos (within subjects). Se testó, en los experimentos realizados, la hipótesis de que hay diferencias entre las gramáticas de L2, sensibles a la cuestión tipológica, cuando comparadas a la gramática nativa del español. El primero es el de Juicio de Aceptabilidad Auditiva con el „se‟ incoativo, que buscó verificar la aceptabilidad de frases con y sin el marcador incoativo „se‟ em español, contrastándose La flecha se rompió vs. La flecha rompió. El segundo es un test de Lectura a Ritmo Individual con el „se‟ télico, que analisó el procesamiento de frases con y sin el clítico „se‟, marcador de completud de un evento, asociadas a una preposición congruente o no para una lectura télica, como en El niño se comió la manzana en/*por un minuto vs. El niño comió la manzana en/por un minuto. El tercer experimento es una Tarea de Picture Matching con el „se‟ incoativo y con el „se‟ télico, que testó la congruencia o no de imágenes y de frases con y sin el clítico „se‟ incoativo y el clítico „se‟ télico. Los resultados de los tres experimentos apuntan para un procesamiento morfosintáctico en L2 sensible no sólo al uso de los clíticos, sino que a la tipología próxima o distante en relación con el español. La importancia de este proyecto se justifica por la escasez de trabajos que buscan establecer un diálogo entre representación y procesamiento lingüístico en el ámbito del bilingüismo, con foco en la tipología lingüística. Así, pretendemos contribuir para la viabilidad de tal conexión, llevando, como consecuencia, a una mejor comprensión acerca de la competencia de los aprendices avanzados de español como L2, que tengan como L1 una lengua tipologicamente más próxima, como el portugués, y una tipologicamente más distante, como el inglés.

Julia Oliveira Costa Nunes

Título:Mente de Antigamente.

Orientadora: Maria Maura Cezario Páginas: 182


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

O presente trabalho tem por objetivo investigar os possíveis conjuntos de fatores que podem motivar as diferentes posições dos advérbios com sufixo –mente (construção Xmente) com valor temporal ou aspectual (como frequentemente continuamente e atualmente) em diferentes sincronias do português escrito(do século XVI ao século XX), bem como analisar a possível trajetória de mudança semântica das mesmas construções. Utilizamos os pressupostos teóricos da Linguística Centrada no Uso ou Linguística Funcional Centrada no Uso, na qual, tendo em vista que a linguagem é um instrumento de interação social, se considera que a investigação linguística está além da estrutura gramatical, contemplando as motivações para os fatos da língua no contexto discursivo. Propomos nossa tese a respeito da construção estudada com base em duas premissas: (i) advérbios de aspecto (e os polissêmicos) passaram a ocupar as posições imediatas ao verbo ao longo dos séculos, principalmente a pós-verbal, acompanhando a mudança geral e fixação de ordem vocabular, assim como os advérbios qualitativos (cf. Martelotta, 2004; Moraes Pinto, 2008; Vlcek, 2010), por terem natureza semelhante. Já os advérbios de tempo, por serem periféricos à estrutura da cláusula, são mais livres na ordenação, pois se relacionam ao evento como um todo, portanto, esperamos um aumento do número de advérbios em posição marginal; (ii) a construção Xmente perdeu analisabilidade, mas ainda é parcialmente composicional. Mente não pode mais ser recuperado como o substantivo, mas a construção ainda mantém as propriedades semântico-morfológicas da base adjetival. Se a base é monossêmica, o advérbio também será. Os advérbios de base polissêmica são mais propensos à mudança do que aqueles considerados monossêmicos.

Gláucia dos Santos Vianna

Título:Corpo Surdo:na língua, na corporeidade e na história, os sentidos.

Orientadora: Tânia Clemente de Souza Páginas: 180


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Em sociedades de “visibilidade”, muitas são as formas de discursividade também desenvolvidas e geradas por sujeitos Surdos usuários de língua visuo-gestual, cuja corporeidade, extraem-se inesgotáveis significados. As experiências visuais não se restringem à capacidade de produção e compreensão linguística, entretanto, é na formulação do discurso que a linguagem ganha vida, que a memória se atualiza, que os sentidos se decidem, e que os sujeitos Surdos desnudam seus corpos e sua carne, em gestos simbólicos de interpretação que denunciam o pertencimento ao mundo da visibilidade. A concepção de Gestos de Leitura nos permite falar de leitura, de interpretação de significados, a partir dos seus corpos discursivos e da sua língua, no intuito de tentar compreender e interpretar os simbolismos que se traduzem em sentidos. Dessa forma, a pesquisa em questão, sob a perspectiva histórico-ideológica da Análise do Discurso, objetiva posicionar o corpo como o principal vetor linguístico das sociedades de visibilidade surdas, cujas marcas identitárias são asseguradas pelo contexto discursivo das línguas sinalizadas. Com base nesse pressuposto, discute-se, igualmente, o papel do Corpo em sua relevância linguística, importando ser debatida sua caracterização como um lócus comunicacional que não somente opera com foco de expressão através da linguagem, como também com a capacidade de espocar línguas sinalizadas, cujas propriedades gramaticais são, indiscutivelmente, por ele acionadas. Para tal, este estudo aporta sua análise em um corpus constituído por filmagens de línguas de sinais (em Libras) cujo discurso se investe de sentidos, porque deriva de um jogo definido pela formação ideológica dominante dos sujeitos Surdos em determinados contextos. As imagens, portanto, se traduzem em texto porque significam; organizam a relação da língua com a história, proporcionando gestos de leitura que permitem interpretar os aspectos linguísticos investidos em memória, em sua espessura semântica, em seus simbolismos e em seus corpos. Configuram, portanto, verdadeiras “peças de arquivo”, pois se investem de inesgotáveis possibilidades interpretativas, cuja materialidade linguístico-histórica revela as condições contextuais de produção que, inegavelmente são afetadas pela ideologia dos seus produtores Surdos e por diferentes formações discursivas.