Neste ano foram defendidas 11 teses.

Útlima atualização 09/05/2017

Erika Cristine Ilogti de Sa

Título: Aconteceu em 2015 e En 2015 il est arrivé: Ordenação dos Circunstanciais Temporais e Aspectuais no Português e no Francês

Orientadora: Maria Maura da Conceição Cezário Páginas: 222


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

À luz dos pressupostos do funcionalismo norte-americano, este trabalho tem como principal objetivo fazer uma análise comparativa entre os diferentes usos dos circunstanciais temporais e aspectuais na escrita do português e do francês. Para isso, utilizamos um corpus de notícias e editoriais dos jornais O Globo, Folha de São Paulo, Le Monde e Le Figaro. Diversos são os fatores que podem motivar a ordenação dos circunstanciais – entre eles, o tipo de verbo, a representação e a posição do sujeito, o peso do circunstancial, seu papel semântico, sua função discursiva –, por isso, partimos de uma análise estrutural da sentença, investigando também a semântica do circunstancial até chegar ao seu papel discursivo. Dessa forma, pretendemos provar a hipótese de que a ordenação do circunstancial em início de orações é determinada em primazia por motivações discursivas e pragmáticas – e não necessariamente por questões mais sintáticas, como o preenchimento da posição vazia deixada pelo sujeito. Nossa hipótese ganha força ao compararmos as tendências do português com o francês, já que este possui uma estrutura em que o preenchimento do sujeito é obrigatório

Luciana Mendes Pereira

Título: Topicalização e cultura de oralidade

Orientador:Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 220


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese apresenta estudos desenvolvidos sob a luz da psicolinguística tendo como alvo a dislexia, fazendo uso da morfologia, do reconhecimento de letras e do reconhecimento de figuras, sempre comparando disléxicos com bons leitores. As técnicas utilizadas captam o processamento imediato da informação: priming, decisão lexical e rastreamento ocular. O grupo disléxico foi sempre mais lento nas respostas do que o grupo controle em todos os experimentos realizados. A morfologia foi observada através de estudo de priming morfológico e decisão lexical e os resultados mostraram que ambos os grupos tiveram facilitação morfológica. O processamento visual de letras e de figuras comparou pares de itens dispostos para análise em dois experimentos com o rastreador ocular. Para reconhecimento de letras, compararam-se os estilos maiúsculo, script e cursivo, tendo o grupo controle realizado maior tempo de fixação na letra script, mostrando que este estilo tem maior demanda cognitiva nesta faixa etária das crianças. Na comparação entre os estilos, observou-se gradação no tempo de primeira fixação dos diferentes estilos de letras, sendo fixado por menos tempo o estilo maiúsculo. Este resultado confirma a hipótese inicial, de que seria mais perceptível o estilo maiúsculo. O grupo disléxico teve menos tempo de fixação no estilo maiúsculo, e os estilos script e cursivo foram equivalentes. Em relação à identificação sonora, ambos os grupos reconheceram o som independente do estilo de letra. O estudo que tratou a diferença entre figuras revelou que os dois grupos, controle e disléxico, se mantiveram na mesma direção, a diferença novamente ficou por conta do tempo e das vezes em que a área foi fixada. Os disléxicos fixaram menos vezes a área, sendo mais lentos do que os bons leitores. Para o grupo controle, as figuras diferentes por horizontalidade foram as que demandaram mais tempo de fixação, demonstrando um custo maior de processamento. Já o grupo disléxico teve tempos de fixação ocular equivalentes em quaisquer diferenças e nas figuras iguais apresentaram maior tempo quando o estímulo era igual de traçado descontínuo, comparativamente ao traçado contínuo.

Isabella Lopes Pederneira

Título:Implicações teóricas dos verbos leves para o estudo de estrutura argumental

Orientadora: Miriam LemlePáginas: 129


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Linha de pesquisa: Mecanismos funcionais do uso da Língua

O objetivo desta Tese foi restringir as diferenças semânticas básicas na polissemia de verbos leves às suas configurações sintáticas que, potencialmente, podem fazer surgir significados. Estudos formais tentam classificar e conceituar a categoria dos verbos leves. Surgem importantes contribuições para o campo a partir de trabalhos Lexicalistas, como os de Grimshaw e Mester (1988) e Butt (2010). Esta Tese pretende refinar a análise para classificar verbos leves, partindo de referências teóricas construcionistas. Para isso, apontarei problemas nas análises dos trabalhos citados. Mostrarei que possuir ou não uma semântica plena não diz respeito a uma potencialidade inerente à raiz ou mesmo ao complexo raiz e verbalizador, mas a potencialidades configuracionais da estrutura argumental. É um fato que haja menos conteúdo semântico no verbo leve, mas não é possível precisar o tamanho ou a parte do conteúdo semântico que falta. Conseguimos compreender a diferença entre “tomar banho” e “dar banho”, porém isso não faz parte de uma potencialidade da raiz, mas do evento sintático. Uma característica interessante que foi observada é que verbos leves precisam estar inseridos em uma estrutura de evento e, a partir dela, será possível o surgimento do significado para a construção em que o verbo leve está inserido

Flavia Clemente de Souza

Título: Jornais impressos antes e depois da reforma editorial da década de 1950: a língua como elemento de transformação

Orientador: Maria Luiza BragaPáginas: 176


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Linha de pesquisa: Maria da Conceição Paiva

Em 1950, a chegada da modernização dos jornais impressos – que deixam de lado o romantismo e o amadorismo para se tornarem empresas lucrativas – leva à criação de uma nova forma de fazer jornalístico. O principal elemento desta transformação é a imposição de uma nova técnica para redigir os textos informativos, os quais passam a obedecer a regras e métodos estabelecidos por manuais de redação e estilo. Esse momento de transição entre o antigo e o novo se dá pela língua escrita, que se torna, em consequência, um dos principais elementos de transformação dos veículos. A partir da análise das construções presentes nas páginas dos jornais antes e depois do período de sua reestruturação, esta pesquisa tem como objetivo mostrar, por meio do aporte teórico dos Modelos Baseados no Uso e das teorias baseadas em abordagens construcionais, de que forma se verifica essa modificação, ocorrida em cerca de uma década, no domínio discursivo do jornalismo. Com relação ao foco da nossa análise, a comparação será especificamente entre os sintagmas nominais, desvinculados de verbos ou preenchendo a posição de sujeito nas orações.

Fernanda Botinhão Marques

Título: Computações semânticas na síndrome de asperger provendo um conexão entre a linguística e neurociência: dados de imagem do tensor por difusão em ressonância magnética (DTI)

Orientador: Aniela Improta França Páginas: 149


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Historicamente, as pesquisas em linguística evidenciam certa resistência em realizar interdisciplinaridade com as ciências biológicas e neurociências para olhar a cognição da linguagem através de uma nova metodologia: uso de neurofisiologia registrada pela técnica de eletroencefalograma (EEG)/ magnetoencefalograma (MEG); uso de neuroimagem (ressonância magnética) para examinar a integridade de feixes de substância branca e estruturas cerebrais, a funcionalidade das regiões cerebrais diante de um dado estímulo linguístico. Como objetivo, desejamos: promover a conexão entre a linguística e neurociência; examinar a integridade da estrutura dos feixes de conectividade corticais (fundamentais à faculdade da linguagem) em indivíduos com diagnóstico de Síndrome de Asperger (AS) – apresentam inabilidade para compreender contexto na qual expressão descascar abacaxi perde o seu significado composicional primário e carrega um qualis diferente que remete ao conteúdo idiomático – com grupo controle (GC); correlacionar os dados neurofisiológicos de latência de N400 da estimulação linguística de expressões idiomáticas com os níveis de FA (fractional anisotropy) e MD (mean diffusivity) dos adquiridos pela técnica de DTI. Não encontramos diferenças significativas dos valores de FA e MD na comparação de grupos que possa explicar a inabilidade de compreensão de EIs pelos nossos voluntários com AS. No entanto, encontramos algumas correlações significativas de valores de FA e MD com latência de N400.

Rogério Santana Lourenço

Título: Metaimagem: uma análise do discurso nas provas na olimpíada de matemática das escolas públicas (OBMEP)

Orientador:Tânia Clemente de SousaPáginas:146


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Linha de pesquisa:

Esta pesquisa analisa um conjunto de questões e respostas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, OBMEP. O quadro teórico utilizado é o da Escola Francesa de Análise do Discurso, em suas relações críticas acerca da linguística e conceituais sobre o funcionamento da sintaxe e da metáfora como meios de referência. São observados os graus de entrelaçamento linguístico e matemático no raciocínio discursivo com a seleção de questões que: i) contenham determinantes e adjetivos utilizados como recurso discursivo para descrição de elementos geométricos ou gráficos e ii) proponham raciocínios genéricos, no uso de cardinais, ordinais e nominais evidenciados no léxico com a exigência explícita de justificativa argumentativa.

Marília Uchôa Cavalcanti Lott de Moraes Costa

Título: Argument Structure in Language Acquisition: an ERP Study

Orientador: Aniela Improta França Páginas: 200


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Estudos recentes têm demonstrado que crianças de 24 meses calculam es-trutura sintática enquanto ouvem frases (BERNAL et al., 2010; BERNAL, 2006;BRUSINI, 2012) – teses de doutorado. Usando potenciais cerebrais relacionados a eventos (ERPs), esses estudos mostraram que as crianças de 24 meses testadas apresentaram respostas diferentes de ERP para sentenças gramaticais quando com-paradas a sentenças agramaticais. Foi possível ver uma ativação cerebral diferente, quando nomes foram substituídos por verbos e vice-versa tornando as sentenças agramaticais. Isso sugere que as crianças possuíam uma expectativa em relação à gramaticalidade dessas frases, tanto quando foram testadas com palavras reais do seu dia-a-dia, quanto quando eles foram expostos a novas palavras aprendidas no laboratório. Esses resultados nos mostram que as crianças processam as cate-gorias de palavras de maneira online. Nosso objetivo aqui é ir um passo além e compreender como as crianças processam estruturas argumentais. Se as crianças de 24 meses são capazes de processar categorias de palavras, verbos e nomes, de forma diferente, talvez elas façam o mesmo com categorias verbais mais refinadas. Se isso for verdade, é de se esperar um efeito de gramaticalidade quando as crianças ouvirem frases agramaticais. Em verbos de múltiplos argumentos, esses argumentos têm estruturas específicas. Frases com proposições como complemento de verbos de transferência, por exemplo ‘dar’, são agrammaticais. Por outro lado, essa mesma estrutura é perfeitamente gramatical em verbos de comunicação, como por exemplo ‘dizer’ (cf. exemplos abaixo). A fim de investigar o conhecimento de bebês sobre esse tipo de restrição, realizamos um experimento de ERP com adultos e crianças de dois anos de idade. Os participantes assistiram passivamente a filmes, enquanto sua atividade cerebral era registrada. A parte experimental dos filmes contava com sen-tenças respeitando a estrutura sintática de verbos como em (1) ou violando-a como em (3). Note-se que a estrutura em (3) não pode ser usada com verbos de transfer-ência, mas é perfeitamente gramatical em verbos de comunicação, tal como em (2). Esperamos que se as crianças processarem a estrutura sintática desses verbos, então elas devem apresentar uma resposta cortical diferente entre os diferentes tipos de frases. O objetivo deste experimento é contribuir para desvendar o enigma de como as crianças adquirem uma língua, a partir do entendimento de como elas processam estruturas argumentais. Para ser mais específica, buscamos compreender se depois de 2 anos de maturação da cognição de linguagem crianças sabem inconscientemente que certos verbos entram em estruturas argumentais específicas, o que significa que elas também estão cientes de que certas raízes verbais, mesmo que plausíveis na arquitetura da linguagem, resistiriam entrar em outra estrutura possível. Nossos resultados demonstram exatamente nossa predição. Aos 2 anos nossos participantes já apresentaram ativação cortical distinta para frases gramaticais vs. agramaticais.

Adriana Tavares Maurício Lessa

Título:Dissociação entre Tempo e Aspecto na Aquisição da Linguagem

Orientador:Celso Vieira NovaesPáginas:168


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Linha de pesquisa:

Este trabalho investiga a representação linguística de Tempo e Aspecto a partir de um estudo de caso, de caráter longitudinal, dos estágios iniciais do processo de aquisição, com base em dados de produção espontânea e semiespontânea. Colocamos à prova as hipóteses de que (A) os morfemas de tempo e aspecto, ao emergirem, refletem apenas os traços de aspecto lexical, inerentes ao verbo, e (B) os traços de tempo e aspecto ocupam nódulos sintáticos distintos na estrutura sintática sentencial. Os resultados indicaram que o morfema de passado perfectivo se associa ao aspecto lexical culminação, ao emergir, no estágio de uma palavra, passando a se associar, também, a processo culminado e atividade no estágio de combinações múltiplas; o morfema de presente imperfectivo contínuo não progressivo, ao emergir, no estágio de uma palavra, associou-se ao aspecto lexical estado; e o morfema de presente imperfectivo contínuo progressivo, ao emergir, aos 24 (vinte e quatro) meses, durante o estágio de duas palavras, associou-se ao aspecto lexical atividade, passando a se associar, também, a processo culminado, aos 25 (vinte e cinco) meses. Logo, a hipótese A não foi refutada, pois, ao emergir, os morfemas de perfectivo, imperfectivo contínuo não progressivo e progressivo refletiam, respectivamente, os traços de pontualidade, estado ou duratividade do aspecto lexical. Para dar conta da associação do imperfectivo ao processo culminado, no estágio de duas palavras, propomos que a propriedade semântica telicidade é subespecificada nos estágios iniciais, de uma e duas palavras, indo de encontro à proposta de Li e Shirai (2000), de que esse traço ocasiona associação ao perfectivo. Defendemos que a proposta de classificação aspectual de Verkuyl (2002), privilegiando a composicionalidade aspectual, em detrimento da classificação ontológica de Vendler (1967), mostrou-se mais adequada para o tratamento dos dados. Assim, propomos um único traço de aspectualidade para o verbo, que, no estágio de uma palavra, indica, de forma restrita, transição de estado, e, no estágio de duas palavras, passa a indicar, também, progresso dinâmico e não estatividade. Numa análise das diferentes formas verbais produzidas pela criança, verificamos a associação de morfemas diferentes a um mesmo verbo, além de representações sintáticas indicativas de movimento verbal ou checagem de traços, evidenciando que, no estágio de duas palavras, as formas gerundivas apresentam checagem de traços de aspecto gramatical, e, no estágio de combinações múltiplas, a forma perifrástica (“ser + -ndo”) apresenta checagem de traços de Tempo e Aspecto. Logo, a hipótese B não foi refutada. Defendemos, então, a dissociação entre Tempo e Aspecto, a partir da existência de um nódulo AspP, dominado por TP. Este estudo tem como diferencial a credibilidade de que os registros representam, de fato, as produções iniciais de Tempo e Aspecto e destaca a importância de uma análise que não se restrinja a verificar as associações entre o aspecto lexical e a morfologia de tempo e aspecto, incluindo o exame dos estágios de aquisição da linguagem e da emergência de outros elementos sintáticos e movimentos verbais, para validação das propostas acerca da camada funcional da estrutura sintática.

Thiago Oliveira da Motta Sampaio

Título: Coerção Aspectual: Uma perspectiva linguística da Percepção do Tempo

Orientador:Aniela Improta FrançaPáginas:398


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Linha de pesquisa:

Nos últimos vinte anos, os estudos em Linguística Teórica e Experimental observaram um aumento significativo no tempo de leitura de sentenças que combinam verbos pontuais e contextos durativos (ex. a criança espirrou por alguns minutos). Estes efeitos podem ser encontrados através de experimentos de leitura automonitorada (TODOROVA et al. 2000), de rastreamento ocular da leitura (PICKERING et al . 2006) e também com método eletroencefalográfico (PACZYNSKI & KUPERBERG, 2014). Visto que pontualidade e duratividade são dois parâmetros de uma propriedade linguística chamada Aspecto, o fenômeno foi batizado como Coerção Aspectual. Assim, por serem muito curtos, verbos pontuais seriam forçados a assumir uma leitura iterativa em contextos durativos. Uma hipótese alternativa observa o fenômeno por um ponto de vista não linguístico (SAMPAIO, FRANÇ A & MAIA 2014), tendo como suporte o Modelo Relógio Interno, elaborado pela Percepção do Tempo (TREISMAN 1984; MECK 1996). Este modelo propõe que as durações dos eventos do mundo são adquiridas e refinadas de forma estatística ao longo do tempo, nos fornecendo uma média, um piso e um teto para a duração dos eventos aos quais fomos expostos. Assumindo que nosso cérebro conheça a duração média dos eventos, qualquer verbo inserido em um contexto diferente desta média sofrerá coerção. Esta visão abre a possibilidade para que verbos durati vos também sejam afetados pelo mesmo fenômeno (ex. João almoçou por algumas horas; João trabal hou por alguns segundos). Pensando nesta questão, foram elaborados três experimentos de leitura auto monitorada para testar os tempos de leitura de sentenças durativas em diferentes contextos de tempo. O experimento 1 não encontra evidências do aumento d o custo de processamento das sentenças durativas em contextos cíclicos, como dias, meses e anos . Para o segundo e terceiro experimento, em Francês e em Português do Brasil respectivamente, foi rodado um pré teste de categorização, de forma a controlar a duração média de cada evento utilizado. Os verbos que duram por alguns minutos foram os escolhidos para os experimentos principais, sendo combinados a diferentes contextos temporais, como segundos, minutos horas e dias. Ambos os resultados apresentam um aumento no tempo de leitura ao final do sintagma verbal nas condições experimentais comparadas a condição minutos, indicando que verbos durativos também sofrem coerção. Os resultados apresentados nesta tese indicam que o conhecimento da duração média dos e ventos é relevante para o processamento online de sentenças, sendo provavelmente um dos mecanismos envolvidos na Coerção Aspectual. Mais além, esta pesquisa abre as portas para a colaboração entre a Linguística com outras áreas do conhecimento, como a Psicofísica e a Percepção do Tempo.

Lincoln Marco da Silva Salles

Título:Quando os constituintes à esquerda como estratégia de venda são silenciados: análise e tratamento político da sintaxe da corp(oralidade)

Orientador:Tânia da Conceição Clemente de SouzaPáginas:198


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Linha de pesquisa:

A presente pesquisa toma como ponto de partida o trabalho de SALLES (2011) que investigou a sintaxe enquanto elemento verbal, sob enfoque teórico das teorias Sociolinguística e Funcionalista, em duas estruturas de constituintes à esquerda, utilizadas por vendedores ambulantes como estratégia de venda nos carros dos trens da SuperVia na cidade do Rio de Janeiro. O estudo revela a mudança de perspectiva teórica: a utilização da Análise de Discurso peuchetiana para tratar politicamente os dados. Dessa forma, buscamos compreender como o elemento não verbal – o corpo que configura a forma-sujeito vendedor ambulante informal da SuperVia – nas formas do silêncio e silenciamento, significa-se e é significado antes de sê-lo, dadas as condições de produção. Buscamos compreender a sintaxe da corp(oralidade) pelo tratamento algorítmico dado ao elemento não verbal pela proposta que se diferencia da de PÊCHEUX e LÉON (2011). Analisaremos as imagens, discutiremos e depreenderemos o papel e a significação da sintaxe da corp(oralidade), presente em dois movimentos de significação do silêncio. Esses movimentos se referem a duas posições ideológicas opostas e em confronto, a saber, marcadas pela individualização, no que tange à coerção legal, e pelo individualismo, relacionado à reação contrária do indivíduo, como alvitra HAROCHE (1992). Para tecer tamanha discussão e entender o fenômeno em tela, consideramos as relações do corpo dos vendedores ambulantes informais da SuperVia com o silêncio e o silenciamento, o flagrante, a questão da delinquência e da individualização e individualismo, a memória e os atravessamentos, a cidade e a contemporaneidade.

Kellen Cozine Martins

Título: Variação na expressão de passado-no-passado: uma comparação entre o português brasileiro e o português europeu

Orientador:Maria da Conceição de PaivaPáginas:252


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Linha de pesquisa:

Nesta tese, focalizamos o uso variável das formas verbais passado mais-que-perfeito simples, passado mais-que-perfeito composto e passado simples na codificação de passado-no-passado no português brasileiro e europeu falado e escrito. Nosso principal objetivo é identificar as motivações para o uso dessas variantes e discutir suas funções discursivas. Para a fala, analisamos dados da Amostra Censo 2000 e da Amostra Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias, representativos, das cidades Rio de Janeiro e Lisboa. Para a escrita, analisamos textos de diferentes gêneros discursivos (notícia, carta do leitor, crônica, entrevista e editorial) publicados, entre 2002 e 2012, em diferentes jornais e revistas brasileiros e portugueses. A análise dos dados indica o desaparecimento de passado mais-que-perfeito simples na fala. Em ambas as variedades, a variação, nessa modalidade, entre as formas de passado-no-passado é restrita às variantes passado simples e passado mais-que-perfeito composto. No entanto, na escrita, o passado mais-que-perfeito simples pode ser atestado e assume uma importante função semântico-discursiva. Com base em pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista e da Linguística Funcional Centrada no Uso, chegamos a duas conclusões principais. Destaca-se, para a variação entre passado simples e passado mais-que-perfeito composto, o acentuado paralelismo entre fala e escrita no tocante às motivações que controlam o uso da forma simples. Embora não possa ser descartada a influência de fatores morfossintáticos, a análise depreende evidências de que o uso de passado simples com significado de passado mais-que-perfeito é um fenômeno, essencialmente, semântico-discursivo, como indica o efeito regular das variáveis tipo de ponto de referência e tipo sintático da oração. A interpretação de passado simples como passado-no-passado é basicamente orientada por um princípio de temporalidade, subjacente à relação causa-efeito. Sobressai, na análise da escrita, que a variante passado mais-que-perfeito simples, a menos produtiva, constitui uma importante estratégia discursiva para imprimir maior grau de proeminência ao estado-de-coisas descrito em contextos geralmente associados a informação de fundo. Quando em variação com o passado simples, no entanto, o passado mais-que-perfeito simples parece estar a serviço da necessidade de precisão do significado temporal.