Neste ano foram defendidas 7 teses.

Útlima atualização 07/06/2017

Rachel Antonio Soares

Título: Os Esqueletos e Os Envoltórios Lexicais em Entradas Lexicais da Língua Japonesa: composicionalidade, arbitrariedade e delimitações da arbitrariedade

Orientadora: Miriam Lemle Páginas: 151


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Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

A presente tese tem como objetivo identificar contextos sintáticos na língua japonesa nos quais podem emergir leituras idiomáticas: na formação de nomes, com foco no processo de sufixação, e na formação de verbos, com foco na leitura de causatividade. A metodologia deste trabalho toma por pauta a teoria da Morfologia Distribuída (MD). A derivação de palavras em japonês não exibe muitas camadas e recategorizações, como no português. Com isso, em japonês, é muito maior a chance de encontrarmos palavras complexas predominantemente com significado transparente, ou seja, com leitura composicional. Apesar dessa diferença estatística, o japonês também tem no seu léxico palavras complexas com leitura idiomática. Na seção voltada para a derivação de palavras, temos como foco as nominalizações geradas a partir de dois grupos de sufixos: sufixos que atribuem significado de ocupação a uma entidade de traço [+ humano] (-in, -sha e -ka) e sufixos de traço [- humano] que portam o significado de ‘espaço’, ‘local’ (-kan, -shitsu e -ya­). A identificação da camada na qual a leitura idiomática incide se dá a partir da comparação com os casos bem comportados, ou seja, aqueles em que a leitura das palavras complexas é composicional. Em relação às formas linguísticas portadoras da noção de causatividade, persistindo no objetivo de assinalar onde a idiomatização pode acontecer, pretendo conseguir, por uma tipologia básica, uma apresentação original sobre a formação e os tipos de causativas no japonês (causativas lexicais, sintáticas, zero e adversativas) para, a seguir, focalizar a questão da incidência da leitura idiomática em construções causativas (causativas lexicais) e suas nominalizações – com foco em awase.

Cristiane Oliveira da Silva

Título:O processamento do numeral distributivo sohoji-sohoji emKarajá

Orientadora: Marcus Antônio Rezende Maia Páginas:248


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Esta tese teve como objetivo averiguar o processamento do numeral distributivo sohoji-sohoji formado pela reduplicação do numeral um em Karajá, sob uma perspectiva transdisciplinar aproximando os campos da linguística formal, da linguística experimental, da neurobiologia e da etnolinguística. O experimento de neurociência da linguagem pioneiramente realizado com falantes de uma língua indígena brasileira, contribui dados fundamentais para elucidar a complexidade do processamento de sentenças com sohoji-sohoji quando diferentes cenários quantitativos foram anteriormente apresentados. Utilizamos a técnica de extração de ERPs (Event-RelatedBrainPotentials) para observação e extração dos dados de latência e amplitude visando a análise estatística dos dados cronométricos monitorados on-line pelo eletroencefalograma (EEG). Em uma primeira instância, os resultados das análises de variância e teste-t conduzidos sugerem que a leitura adverbial é a preferida, uma vez que, mesmo o distributivo apresentando sintaxe adnominal, a violação de propriedades como a diferenciação de eventos e a exaustão de indivíduos pareceu ser menos complexa que a violação de cardinalidade, exaustividade de eventos e pluralidade de relações indivíduo-evento.

Rafael Saint-Clair Xavier Silveira Braga

Título: Cliticização e redobro de clíticos pronominais em kayabí (tupi-guaraní, tupi): a natureza ambígua de constituintes clíticos

Orientadora: Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 237


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Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Na presente tese propõe-se uma abordagem nova para a cliticização em kayabí(família tupi guaraní, tronco tupi), sobretudo em contextos de redobro de constituintes pronominais. A questão teórica principal discutida aqui é se um clítico pronominal não possui uma dupla identidade morfossintática, isto é, em termos de etiquetamento sintático, o clítico seria um elemento de natureza Xmin/max, ocupando o especificador em uma mesma estrutura de constituintes. Tal proposta possui como pilares os trabalhos de Roberts (2010), por um lado, e Arregi e Nevins (2012), de outro. Os últimos defendem ser o clítico um elemento de natureza D (determinante) gerado no especificador de uma mesma estrutura argumental (em consonância com os trabalhos de Belletti 2005 e van Koppen 2005) enquanto o primeiro, apesar de tratar o clítico em redobro como gerado em uma mesma estrutura, acredita que este nasce como núcleo de um constituinte XP, sofrendo sucessivas incorporações, não pulando a fase de vP e seu núcleo v. Acreditamos que os clíticos pronominais em sendo elementos que não variam com o T(empo), o elemento pronominal em redobro irá mover-se, pulando o núcleo de v-zinho, ocupando um especificador múltiplo de vP ou uma projeção funcional entre vP e TP (cf. ARREGI e NEVINS, 2012). Neste momento, o clítico parece ter uma identidade de constituinte XP. Em seguida, o clítico sofre uma espécie de movimento de núcleo particular para T ou C, que são os hospedeiros dos clíticos, dependendo do contexto sintático do argumento redobrado. Em sendo o kayabí uma língua de ergatividade cindida, quando o argumento envolvido for portador de Caso absolutivo, o hospedeiro para o clítico é o núcleo T(empo). Por outro lado, quando o argumento envolvido for portador de Caso ergativo, o hospedeiro para o clítico será o núcleo C(omplementizador). Nos contextos em que o alinhamento de Caso for o nominativo, o hospedeiro para o clítico nominativo será o núcleo T, ficando o argumento portador de Caso acusativo ou in situ ou com seu Caso valorado em v-zinho. Por fim, em contextos em que argumentos portadores de Caso dativo estão presentes na estrutura argumental, o núcleo responsável pela valoração deste Caso é o preposicional (em contexto de posposição), sendo posteriormente cliticizado para o núcleo T(empo) enquanto o clítico que redobra argumento ergativo será cliticizado no núcleo C(omplementizador).

Elissandra Barros da Silva

Título: A Língua Parikwaki (Palikur, Arawak): Situação Sociolinguística, Fonética e Fonologia

Orientadores: Bruna Franchetto Páginas: 198


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Linha de pesquisa: Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Os Aukwayene, mais conhecidos como Palikur, são um povo que habita a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. No lado brasileiro, somam 1321 indivíduos, distribuídos entre as 13 aldeias localizadas na T.I Uaçá, embora haja algumas famílias dispersas pelas cidades de Oiapoque e Macapá ou vivendo entre outros grupos indígenas da região em decorrência dos casamentso interétnicos. Este povo se orgulha de ser falante do Parikwaki (Palikur), uma das línguas da família Arawak (Payne, 1991; Dixon & Aikhenvald, 1999; Ramirez, 2001; e Fabre, 2005), a única desta família a ser falada na região. Língua e povo são os objetos de estudo desta Tese, uma vez que não é possível dissociá-los, pois estudar ou pesquisar uma língua requer, necessariamente, o conhecimento do povo que a fala. Assim, nossos objetivos nesta Tese são: (1) a descrição do sistema fonológico do Parikwaki, considerando-se a relação existente entre fonética e fonologia; e (2) a observação e análise dos aspectos sociolinguísticos que contribuem para o conhecimento do Parikwaki e de seus falantes. Acreditamos que ao alcançarmos tais objetivos estaremos contribuindo tanto para a descrição fonológica do Parikwaki, fornendo dados e análises que subsidiarão estudos comparativos e aprimorarão o conhecimento linguístico fonológico das línguas indígenas, em especial da família Arawak. Desse modo, a análise sociolinguística ora empreendida objetivou identificar e compreender a situação sociolinguística encontrada nas treze comunidades Aukwayene, com o propósito de demonstrar a complexidade da condição de povo multilingue destes habitantes das margens do rio Urucauá; enquanto a análise fonológica visa descrever os sons Parikwaki e sua distribuição, o que foi realizado através de uma análise segmental e acústica que enfocou os segmentos vocálicos e consonantais; enquanto o estudo da estrutura silábica e da atribuição do acento nesta língua foram submetidos a uma análise autossegmental principalmente focada na Teoria Métrica.

Tatiana Raick Kuczmenda de Albuquerque

Título: A aquisição do movimento de verbo em francês como L2 por falantes do português brasileiro

Orientadores: Marcia Maria Damaso Vieira Páginas: 126


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Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Em francês, como mostra Pollock (1989), T tem traços V fortes que engatilham movimento longo de verbo, o que gera as ordens SVA (O), SVN (O) e SVQ (O). Em português T tem traços V fracos e assim o movimento de verbo é curto. O verbo se desloca para o núcleo de Asp., abaixo de T (Bok-Bennema ,2002). Assim, a língua possui na superfície as seguintes ordens: SAV(O), SNV(O) e SQV(O). Como as posições dos advérbios e do quantificador flutuante são flexíveis, também são possíveis ordens semelhantes ao francês: SVA (O) e SVQ (O).A diferença entre as duas línguas se encontra, então, na força dos traços dos núcleos funcionais responsáveis pela atração do verbo. No processo de aquisição, a tarefa do aprendiz é adquirir os valores dos traços dos núcleos funcionais da língua-alvo.Este trabalho visa, então, a investigar a aquisição do movimento longo do verbo em francês como L2 por falantes adultos do português brasileiro (PB), sob a ótica da Teoria Gerativa.Como hipótese inicial para este estudo, assumimos junto com Herschensohn (1999) e White (2006), a hipótese transferência total/acesso total segunda a qual os valores dos traços dos núcleos funcionais da L1 são transferidos para a L2. Contudo, aos poucos, a partir da percepção dos dados do input, há mudança dos valores dos traços dos núcleos funcionais quando estes são distintos. Só que esta mudança não é instantânea, mas gradual, indo de construção a construção, conforme sugere Herschensohn.

Rita de Cássia Rodrigues Oliveira

Título:Ouvir ler o (in)visível

Orientadores:Tania Conceição clemente de Souza Páginas:


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Linha de pesquisa: Língua e Sociedade

Neste trabalho, tomamos como base teórico-metodológica a Análise do Discurso francesa (AD) e estabelecemos dois objetivos gerais: a) investigar as estratégias oferecidas pelo ENEM para elaboração de questões com imagens para candidatos com deficiência visual, tendo como objeto as questões com imagem da prova convencional e as descrições dessas imagens; b) compreender os processos que sustentam a interpretação dessas questões, tendo como objeto os gestos de interpretação materializados nos comentários feitos pelos estudantes nos simulados comentados.A fim de cumprir os objetivos ‘a’, mapeamos questões com imagens nas provas convencionais do ENEM e as contrastamos com as questões que chegam para os candidatos com deficiência visual. Deparamo-nos com várias estratégias em que relacionamos imagens e suas descrições, a saber: substituição de questões, adaptação de questão e recurso DI (descrição da imagem). Para cumprir o objetivo ‘b’, entrevistamos estudantes com deficiência visual técnica, de uma escola pública de ensino médio, da cidade do Rio de Janeiro, que pretendiam realizar o ENEM e que gostariam de participar da pesquisa. Com a entrevista, pudemos conhecer melhor a realidade de cada estudante em relação ao uso de materiais em alto relevo, sistema braile, sintetizadores de voz e também em relação às experiências deles com ledores. Terminada a etapa de entrevistas, iniciamos a etapa de simulados comentados. Elaboramos e aplicamos simulados comentados do ENEM, como auxílio ledor e com a tecnologia assistiva de sintetizador de voz DOS-VOX, versão 4.5, utilizando as questões com DI da prova do 1º dia do ENEM de 2013, caderno 3 branco.

Nathalie Pires Vlcek

Título: DOCUMENTAÇÃO LINGUÍSTICA ɄTAPINOPONA-TUYUKA: aspectos fonológicos e morfológicos

Orientadora: Kristine Stenzel Páginas:224


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Linha de pesquisa: Estudo das Línguas Indígenas

A presente tese é um trabalho de documentação da língua Tuyuka (TO) falada no alto Tiquié (noroeste amazônico) na área de abrangência da Associação da Escola Indígena Ʉtapinopona-Tuyuka (AEITɄ). Trata-se de um trabalho de descrição e análise de estruturas fonológicas e morfológicas da língua, baseado em dados primários obtidos através de pesquisa de campo e propostas teóricas para as estruturas descritas.

Antes de adentrar nas estruturas, a tese perpassa a contextualização sociolinguística da região, verificando questões de escola, contrapartida e grau de vitalidade da língua (Capítulo 2). Além disso, a metodologia (Capítulo 3) é trabalhada não apenas dando conta dos equipamentos, materiais e procedimentos de análise, mas também debatendo as diferentes tomadas de decisão em campo que levaram a este produto.

No que concerne à fonologia (Capítulo 4), é abordado inicialmente o inventário fonêmico das consoantes e das vogais, por meio de uma análise contrastiva com pares mínimos. Discuto questões de alofonia das consoantes e realizo um experimento sobre a dispersão das vogais orais. Questões suprassegmentais, como padrão silábico, nasalização e tom são discutidos posteriormente neste mesmo capitulo. Em morfologia, descrevo inicialmente a constituição da palavra em Tuyuka (Capítulo 5), analisando posteriormente a estrutura da palavra nominal (Capítulo 6) e da palavra verbal (Capítulo 7). Sob a luz do aparato teórico da linguística centrada no uso, esses dois capítulos dão atenção especial ao sistema de classificação nominal e à expressão da modalidade na palavra verbal.

Sumarizo, enfim, as análises oferecidas e proponho futuros passos para pesquisa (Capítulo 8), inserindo a documentação do Tuyuka no cenário dos estudos das línguas indígenas amazônicas.

Eliaine de Morais Belford Gomes

Título:A Estrutura [SN + Pronome Anafórico + Verbo] nos Gêneros Sermão, Entrevista Televisiva e Aula

Orientadora: Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva Páginas:111


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Linha de pesquisa: Variação e Mudança Linguística

Resumo da Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Linguística, Faculdade de Letras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Linguística. Esta tese tem por objetivo o estudo da estrutura [SN + Pronome Anafórico + Verbo], no português brasileiro, como se verifica em: “Esse material teórico ele vai subsidiar também as discussões...”, na qual um pronome anafórico (ele) aparece, retomando o SN (esse material teórico). A pesquisa investiga a modalidade oral, através da análise de um corpus produzido em situações reais de uso e constituído por vídeos do site “www.youtube.com”, a partir do ano de 2010. Recorrendo a alguns princípios da Linguística Funcional, da Sociolinguística Variacionista, bem como da Análise de Gêneros, investigamos a ocorrência dessa estrutura em três gêneros discursivo-textuais: sermões religiosos, entrevistas televisivas e aulas. A hipótese principal é de natureza discursiva: é a identificação do referente/tópico que motiva essa escolha. De um modo geral, os resultados apontam a ocorrência do pronome anafórico favorecida por motivações discursivo-funcionais. Tais motivações se correlacionam, principalmente, à presença de material interveniente, à mudança de função sintática, a traço de animacidade, a caráter contrastivo, à extensão do SN e à natureza do verbo. Além da análise desses contextos linguísticos, foi feita, também, uma breve comparação de aspectos prosódicos das formas variantes, em que se verificou a presença de movimentos melódicos que permitem diferenciar uma estrutura da outra.