Neste quadriênio foram defendidas 19 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Genne Eunice da Silva

Título: Parâmetros e Macroparâmetros: Um olhar sobre as línguas indígenas Tembé e Guajajára

Orientador: Marília Facó Páginas: 169


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A presente dissertação aborda estruturas sintáticas das línguas indígenas Tembé e Guajajára no sentido de analisar semelhanças e/ou diferenças na posição dos constituintes nas sentenças. A análise das sentenças dessas duas línguas se justifica pelas evidências sintáticas encontradas, as quais sinalizam em direção a um provável diagnóstico de valor positivo para o parâmetro da polissíntese. Essas evidências são baseadas nos estudos de Baker quanto à postulação de macroparâmetros. Dentre as propriedades analisadas – favoráveis ao parâmetro –, verifica-se que a incorporação nominal sintática (única variável independente) faz-se presente em ambas as línguas, bem como o movimento obrigatório de elementos interrogativos do tipo QU e a ausência de sintagmas nominais reflexivos. Tem-se ainda a possibilidade da presença de afixos de concordância nulos, o que aponta para uma mudança nas línguas. Contudo, propriedades como a presença de verdadeiros quantificadores e a ordem vocabular condicionada ao tipo de oração contribuem negativamente para o parâmetro da polissíntese. Mediante esse cenário sintático, observa-se, além de uma possível valoração para o parâmetro em questão, um comportamento explícito de mudança sintática nas línguas analisadas.

Maria José Ferreira da Silva

Título: Propriedades formais e semântico-discursivas das orações causais com porque

Orientador: Maria da Conceição de Paiva Páginas: 115


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Nesta dissertação analisamos as orações causais com o conector porque no português brasileiro falado, representado por uma amostra de 32 entrevistas sociolingüísticas da variedade carioca (Amostra Censo 2000). Tomamos como ponto de partida a proposta de Sweetser (1990) de que esse conector realiza conexões nos domínios do conteúdo, epistêmico e dos atos de fala, constituindo, assim, um caso de ambigüidade pragmática. Através da análise do uso da língua, buscamos identificar as propriedades formais, semânticas e discursivas que possam distinguir esses três tipos de construção causal. Partindo do princípio de que a conexão de orações só pode ser entendida na conjugação entre diferentes domínios, analisamos propriedades ligadas aos níveis morfossintático, semântico e discursivo que foram considerados separadamente para a oração núcleo e para a oração causal. No nível morfosssintático, verificamos a correlação entre os três tipos de construção causal e os grupos de fatores forma de realização, correferencialidade e animacidade do sujeito das orações interligadas assim como os padrões de correlação temporal estabelecidos nesses períodos complexos. No nível semântico, focalizamos o tipo de verbo do predicado e, no nível discursivo, examinamos o status informacional das duas orações e a realização explícita de um elemento de modalização em cada uma delas. São considerados também a disposição sintagmática das orações que compõem o período e o tipo de texto em que eles ocorrem. A análise da distribuição dos dados mostrou o predomínio das construções causais no domínio do conteúdo, embora possa ser identificado um número significativo de porque na ligação de porções discursivas maiores. O tratamento estatístico das variáveis propostas permitiu identificar que, de forma geral, os três tipos de construção causal se aproximam por apresentarem características comuns. No entanto, algumas diferenças quantitativas apontam a relevância sobretudo de aspectos semânticos e discursivos na especificação das construções causais epistêmicas e de atos de fala em relação às de conteúdo. O estudo fornece ainda evidências de que as orações com porque, independentemente do domínio em que se inserem, apresentam um conjunto de propriedades que indicam maior estreitamento sintático.

Leandro Santos Abrantes

Título:Os sistemas vocálicos do português brasileiro e do inglês norte-americano: um estudo acústico

Orientador:Myrian Azevedo de Freitas Páginas: 200


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Este trabalho objetiva descrever semelhanças e diferenças entre os sistemas vocálicos do GenAm (ou IAG) e do PB-RJ, analisando seus elementos não só segundo suas características acústicas absolutas, mas também segundo as relações que cada elemento desempenha para com os outros em sistema. Para tanto, analisar-se-ão os quatro primeiros formantes, a freqüência fundamental, a duração e a intensidade. Pelos primeiro e segundo formantes, concentrações de energia acústica que refletem a vibração do ar pulmonar num determinado formato assumido pela cavidade oral é, geralmente, possível se distinguirem as vogais em português e em inglês: F1 – dimensão vertical (alta – média – baixa) e F2 – dimensão horizontal (anterior – central – posterior). Estudos de Ladefoged & Broadbent 1957 e Ladefoged 1989, provam que as vogais têm uma natureza relacional em sua dispersão pelo espaço acústico. Isto se deu pela constatação de que sons que ocupam um lugar similar no padrão geral de um determinado sistema no Espaço Acústico Vocálico (EAV), mesmo com freqüências absolutas diferentes, eram compreendidas como uma mesma vogal. As vogais se dispõem, portanto, pelo espaço acústico, de maneira a se relacionarem umas com as outras. Nem se percebem isoladamente, nem estão categórica ou pontualmente dispostas interlingüística ou interdialetalmente. Embora na prática de ensino de inglês a brasileiros, certas vogais sejam assumidas como idênticas a vogais do português em sua produção, observando Liljencrants & Lindblom 1972, Lindblom 1986, Ladefoged & Broadbent 1957, Ladefoged 1989 e Baptista 2000, partimos da hipótese de que isto não se comprova nem do ponto de vista dos valores absolutos – há diferenças interpessoais, interdialetais, etc., nem do ponto de vista relacional – são diferentes as relações desempenhadas pelos itens dos dois sistemas. O corpus compõe-se de uma lista de palavras, em contexto [‘hVd], para cada idioma. Foram gravados 20 informantes norte-americanos e 20 informantes brasileiros, dos quais metade era de homens, e a outra metade, de mulheres. As características acústicas tomadas de cada palavra foram as freqüências dos 4 primeiros formantes, a freqüência fundamental, a intensidade e a duração. Com os dados obtidos, compararam-se as características acústicas das vogais das duas línguas estudadas para comprovar a existência de dois sistemas diferentes, cujas relações intervocálicas eram diferentes em cada um deles. O fato de as vogais serem percebidas de forma relacional demanda um modelo que explique sua aquisição pelo falante não em termos de valores absolutos, mas traduzindo as relações de dispersão vocálica que mantêm no sistema em questão. Por esta razão, este trabalho visa a investigar as relações que as vogais do português e as do inglês mantêm entre si nas variedades escolhidas, para que se possa compreender mais acerca da aquisição fonológica de inglês como LE por falantes cariocas. Espera-se, assim, contribuir para metodologias mais adequadas ao ensino de pronúncia das vogais de uma LE.

Flávia Diniz de Souza Coutinho

Título:Funk e mudança lingüística: uma análise sociométrica

Orientador:Maria Cecilia Magalhães Mollica Páginas:160


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A partir da suposição de que palavras, expressões e processos morfológicos empregados no universo funk são apropriados por jovens que não pertencem às comunidades em que essas canções são compostas, o presente trabalho propôs-se a verificar se, na fala distensa de um grupo de adolescentes, estudantes de uma mesma escola privada da cidade do Rio de Janeiro, pertencentes à classe média alta, esses itens lexicais seriam percebidos. Para tal, efetivou-se coleta de dados nas letras do Proibidão, subgênero do funk carioca. A análise dos dados obrigou-nos a recorrer a estudos morfológicos em função da presença de muitos itens formados a partir do acréscimo do morfema –ão. Também valemo-nos de contribuições da Lingüística Cognitiva, uma vez que o corpus continha um número significativo de palavras e expressões cunhadas metaforicamente. No entanto, por considerar a língua em uso, no seio das comunidades de fala, correlacionando aspectos lingüísticos e sociais, o instrumental teórico da Sociolingüística é preponderante no estudo. Os jovens, cuja fala observamos, foram submetidos a uma análise sociométrica, técnica criada pelo psiquiatra romeno J.L. Moreno (1972), que consiste na representação gráfica das relações sociais no grupo, a partir das perguntas de um questionário e da subseqüente tabulação das respostas. A análise de sociogramas, em que se levou em conta a presença ou ausência de ligação dos informantes com o funk, possibilitou-nos a imediata visualização da configuração do grupo, que se mostrou bastante alterada, em cada uma das situações. Tais configurações foram cotejadas com a presença ou ausência dos dados. Após tais procedimentos, verificamos poucas ocorrências dos elementos lingüísticos em questão e concluímos que, por mais que os movimentos culturais pareçam fortes e penetrantes, a língua só assimila inovações quando há condições positivas para isso. Quando barreiras normativizadoras e de natureza avaliativa do ponto de vista negativo estão presentes, a mudança lingüística fica inviabilizada.

Pablo Pullig Teixeira

Título:Estudo comparativo sobre o fenômeno do sujeito nulo em português do Brasil e hebraico moderno

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 188


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Esta dissertação apresenta como objetivo investigar o fenômeno de apagamento de sujeito em português do Brasil e em hebraico moderno, por intermédio de análise de fala espontânea. Entende-se que as duas línguas são favoráveis ao apagamento de sujeito, baseando-se, inicialmente, nas propostas de Duarte (1993, 1995) e Novaes (1996), para o português do Brasil e Vainikka & Levy (1995), Horesh (2003) e Shlonsky (2007), para o hebraico moderno. Para a realização deste estudo foram selecionadas doze entrevistas, retiradas da Internet, respectivas a um total de treze entrevistados. Sete entrevistados eram falantes nativos de português do Brasil e seis entrevistados eram falantes nativos de hebraico moderno. A partir da amostragem oriunda dos dados de fala espontânea coletados, foi possível comprovar que as duas línguas possuem certos comportamentos semelhantes para o apagamento de sujeito. Além disso, foi possível observar que em língua hebraica, no tempo passado, há mais sujeito nulo do que sujeito preenchido e que, em certos contextos específicos de tempo presente na língua semítica, o sujeito nulo apresentou caráter de variável.

Viviane Ribeiro Correa de Araujo

Título:Educando a distância: um estudo de estratégias lingüístico-textuais

Orientador: Maria Cecília Mollica Páginas: 201


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Esta dissertação tem como objeto de estudo o texto do material impresso voltado para a educação a distância – EAD –. Ao analisá-lo nos confrontamos com o seguinte problema: de que forma esse texto é capaz de suprir lingüístico e textualmente as dificuldades interacionais decorrentes de uma situação de aula sem a presença do professor? Para solucionar essa questão, as hipóteses que nortearam esta dissertação foram: 1) o texto do material impresso para EAD apresenta características que funcionam como valioso instrumento para que as barreiras relacionadas à distância física professor-aluno sejam rompidas e o conhecimento possa ser difundido de maneira eficaz nesta modalidade de ensino e; 2) para suprir a ausência da figura do professor, o texto escrito assume características da linguagem oral utilizada em sala de aula e é organizado textualmente visando aproximar-se, ao máximo, das etapas de uma aula presencial. Com o estudo, verificamos que: 1) escrever para EAD não é o mesmo que escrever um texto teórico tradicional; 2) as estratégias lingüísticas de interação são utilizadas para simular uma conversa didática entre professor e aluno, tal qual espera-se de uma aula que permita a interação face a face e; 3) as estratégias textuais de organização do conteúdo auxiliam o aluno – já tão habituado ao ensino tradicional – a criar uma cultura de como estudar a distância partindo do modelo de aula que já é de seu conhecimento.

Luana Gomes Pereira

Título: Orações condicionais em português e em inglês: uma análise contrastiva

Orientador: Helena Gryner Páginas: 118


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Neste trabalho investigamos o comportamento das orações condicionais na língua escrita contrastando o português ao inglês, a partir de textos extraídos da imprensa brasileira e da americana. O foco do trabalho é a variação na ordem das orações – antepostas ou pospostas em relação à oração núcleo – em um contexto de uso real. Como orações condicionais, consideramos aquelas com a presença da conjunção se e equivalentes em português e da conjunção if ou equivalentes em inglês. Para tal, nos baseamos nos princípios do Funcionalismo quanto à noção de marcação e iconicidade (Givón, 1995) e da Teoria da Variação (Labov, 1972), que possibilita explicitar a sistematicidade do fenômeno através da correlação entre posição anteposta (vs. posposta) e as variáveis lingüísticas e extralingüísticas. Utilizamos o pacote de programas Goldvarb 2001 para uma análise quantitativa dos corpora, constituídos dos jornais O Globo, Jornal do Brasil1 e Extra para o português e Washington Post, New York Times e USA Today para as ocorrências em inglês. Constatamos correlação positiva entre a anteposição e as variáveis conectivo, jornal-fonte e gênero textual, que confirmam nossas hipóteses.

Cassiano Luiz do Carmo Santos

Título: As orações complexas de conformidade em português e em inglês

Orientador: Maria Luiza Braga Páginas: 138


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Análise das orações complexas de conformidade em Língua Portuguesa e em Língua Inglesa na modalidade escrita jornalística e suas relações com os constituintes extra-oracionais. Análise destes elementos através de alguns dos pressupostos da Teoria da Variação.

Tatiana Raick Kuczmenda de Oliveiras

Título: As classes verbais em Paumarí

Orientador: Márcia Dâmaso Vieira Páginas: 103


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O objetivo deste trabalho foi investigar as classes verbais intransitivas do Paumarí, com a finalidade de entender o fenômeno da ergatividade da língua. Através de evidências gramaticais, concluímos que o Paumarí não distingue sintaticamente verbos inergativos de verbos inacusativos. Ambos têm estrutura inacusativa e por isso, o sujeito intransitivo tem o mesmo comportamento sintático e morfológico que o objeto. Tal fato explica a ergatividade da língua. Essa hipótese tem como base os trabalhos de Wiltschko (2000) que postula a indistinção das classes verbais intransitivas na língua Halkomelem, também do tipo ergativo e de Souza (1994, 2006) para a língua Bakairi.

Helena de Mesquita da Silva

Título: A periferia esquerda da oração em oshikwanyama

Orientador: Marcus Maia Páginas: 114


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A presente dissertação tem por objetivo fazer descrição preliminar de aspectos morfológicos e sintáticos da língua oshikwanyama, da família Bantu, falada no extremo sul de Angola e extremo norte da Namíbia, na África a partir de dados primários coletados junto a falantes nativos da língua, residentes no Rio de Janeiro. Este trabalho se propõe a estabelecer um diálogo entre os dados e as teorias selecionadas a fim de harmonizá-las e testar suas pertinências descritivas e explicativas quando aplicadas à oshikwanyama. A partir de esboço tipológico referencial, desenvolvemos a pesquisa focalizando então as construções interrogativas relacionando-as a construções localizadas na periferia esquerda da oração no âmbito da teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky & Lasnik, 1993; Chomsky, 1995) considerando as propostas de Rizzi (1997, 1999) e Lisa Cheng (1993). Focalizamos também a construção negativa, apreciando o conceito de marcação tipológica adaptado por Greenberg (1966), seguido por Croft (2004) e a pertinência de sua aplicação à língua oshikwanyama.

Mariana de Souza Martins

Título: A palatalização de oclusivas dentais em contato dialetal

Orientador: Maria Cecilia de Magalhães Mollica Páginas: 146


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Esta dissertação centra-se no estudo da palatalização de oclusivas dentais em situação de contato dialetal. Com base na Teoria da Sociolinguística Variacionista (Labov, 1972; 1994) e na Teoria da Acomodação (Giles, 1977) e (Trudgill, 1986), temos por objetivo constatar se migrantes paraibanos, residentes no Rio de Janeiro, apresentam indícios de acomodação linguística ao dialeto carioca, após tempo de convivência na cidade. Propomos análise às consoantes [s] e [c] seguidas de uma vogal foneticamente realizada como alta anterior [i] ou decorrentes de processo de elevação da vogal /e/. Assim, acreditamos que, nas interações face a face, os falantes acomodam linguisticamente um ao outro, reduzindo as diferenças entre seus padrões discursivos e adotando traços reciprocamente. Se um falante acomoda frequentemente a um mesmo dialeto ou sotaque, a acomodação poderia, com o tempo, se tornar permanente. Utilizamos, como estratégias de pesquisa, as análises quantitativa e qualitativa para melhor compreensão dos resultados encontrados. As conclusões a que chegamos são favoráveis às expectativas, na medida em que falantes mais novos e juízo de valor positivo em relação à nova situação de contato tendem a apresentar palatalização. Há também contextos linguísticos em níveis lexicais e pós-lexicais que podem facilitar ou dificultar a frequência de acomodação.

Mariana Klôh Rabello

Título: A expressão de diferentes vozes nas notícias jornalísticas

Orientador: Vera Lúcia Paredes Páginas: 110


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O presente trabalho está centrado na inserção de diferentes comentários nas notícias jornalísticas. Consideramos como forma de manifestação de tais comentários o discurso direto, o discurso indireto e a expressão circunstancial. Para analisar o uso dos tipos de discurso nas notícias, estabelecemos a hipótese de que haveria correlações entre a alternância dos discursos e certos aspectos mais específicos relacionados à incorporação da fala dos participantes, a saber: o tipo semântico do verbo introdutor de tais discursos, sua localização e função nas notícias e sua relação com o veículo utilizado. Para tal, trabalhamos com um corpus formado por jornais destinados a um público leitor de diferentes extratos sócio-econômicos (O Globo, Folha de São Paulo, Extra, O Dia, JB e Povo), no intuito de investigar possíveis correlações entre essa categoria externa à língua e as demais categorias lingüísticas. A análise dos dados revelou que há um equilíbrio entre os jornais na utilização dos tipos de discurso; porém, os verbos mais neutros, como dizer, foram mais recorrentes nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, enquanto os jornais mais populares como O Dia e Povo apresentaram uma maior diversidade de verbos para introduzir a voz do outro na notícia jornalística. Quanto à localização dos discursos, percebemos uma distinção entre as notícias a depender do conteúdo temático – grande parte das notícias políticas era totalmente constituída de citações, diferentemente das notícias policiais.

Waniston Coelho Celeri

Título: A composicionalidade aspectual revisitada

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 99


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O objetivo principal desta dissertação foi contribuir para a compreensão de como está representada a noção de aspecto na mente humana por meio da investigação da proposta da composicionalidade aspectual. A proposta de Verkuyl (2003) de que um verbo de caráter mais eventivo associado a um complemento de cardinalidade mais especificada engendraria um enunciado de leitura mais terminativa foi a base de nosso estudo. Partindo de resultados obtidos em experimentos anteriores, elaboramos um experimento no qual acrescentamos a presença do adjunto como variável a ser investigada. Tal experimento consistiu de um teste de relacionamento de figura-sentença respondido por 16 informantes nativos do português do Brasil. A partir dos resultados obtidos, foi possível afirmar que: a) o adjunto adverbial tem um papel fundamental na composição aspectual de uma sentença e b) a proposta de Verkuyl (op. cit.) é falha ao considerar que apenas o verbo e seu complemento são o bastante para compor o aspecto de uma sentença.

Elaine de Souza Gonçalves

Título: Avaliação de desvios de percepção em crianças aprendizes de inglês como L2

Orientador: Myrian Azevedo de Freitas Páginas: 80


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Esta pesquisa teve como objetivo investigar em que medida a recorrência dos desvios em testes de percepção com crianças aprendizes de inglês como L2 pode subsidiar a discussão de hipóteses sobre a representação mental dos itens lexicais e a organização do léxico nas interlínguas destes aprendizes. O trabalho leva em consideração o papel do input na aquisição fonológica e busca apoio na teoria de exemplares (Pierrehumbert, 2001) e em modelos baseados no uso (Bybee, 2001) para exame dos dados. Foram elaborados 2 corpora a fim de comparar o desempenho dos informantes em tarefas de reconhecimento diante de palavras conhecidas e desconhecidas por eles. Os corpora são formados por itens lexicais monossilábicos terminados nas consoantes oclusivas orais do inglês [p], [t], [k], [b], [d], e [g]. Ambos os corpora 1 e 2 aplicados na fase dos testes de percepção foram gravados em sentenças veículo por uma falante semi-nativa e uma falante não-nativa. Os resultados da análise apontaram a importância do armazenamento feito através da experiência para o reconhecimento fonológico tendo em vista que (i) as substituições feitas apresentaram um grau significativo de proximidade com o sistema representacional da fala compatível com convenções da língua-alvo; (ii) houve, por parte dos alunos informantes desta pesquisa, maior identificação com a produção oral não-nativa do que com a fala semi-nativa na língua-alvo. O bom desempenho global dos aprendizes pode ser atribuído à quantidade e qualidade diferenciada do input que vêm recebendo, e constitui um facilitador para separação entre as categorias de sua L1 e as da L2 em seu léxico mental. A riqueza do input forneceu-lhes exemplares – tokens . suficientes para orientar sua categorização de forma a demonstrar um nível de proficiência elevado no domínio das relações grafema/fone na L2 o que indica que a freqüencia token exerce papel importante no reconhecimento de das relações gráfico-fonéticofonol lógicas na língua-alvo.

Luciano Sebastião Bandeira Benedito

Título: Polissemia e ordenação do item mal no português escrito: Uma análise diacrônica

Orientador: Mário Eduardo Toscano Martelotta Páginas: 104


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Este trabalho tem como principal objetivo descrever e analisar diacronicamente, sob o enfoque funcionalista, a perda de mobilidade do advérbio qualitativo mal, que ocorreu gradativamente, culminando com a atual posição deste item, ou seja, pós-verbal. Também foram do interesse deste trabalho os usos gramaticalizados do mal, tais como prefixo, conjunção e o mal funcionando como negação e negação retórica. Nestes últimos casos, tivemos também interesse em observar os tipos de verbos a que o mal faz referência e compará-los com o mal como advérbio qualitativo. Tivemos como foco principal, no que diz respeito ao mal como advérbio qualitativo, observar a ordenação do referido advérbio, o alvo ao qual ele faz referência e a proximidade desse advérbio com relação ao seu alvo. Com isso, pretendemos principalmente demonstrar que a posição pré-verbal do mal gradativamente desaparece do nosso idioma, ao longo dos períodos analisados neste trabalho. No que tange ao advérbio referindo-se a adjetivos/particípios, partimos da hipótese de que o mesmo deveria ocorrer antes de seu alvo. Fizemos uma pesquisa empírica qualitativa e quantitativa com o intuito de se analisar o fato acima explicitado cujos resultados obtidos demonstramos através de tabelas após a análise dos corpora. Esta pesquisa teve como base teórica, principalmente Martelotta (2004), Silva & Silva (2001),Givón (1979) e Marouzeau (1949).

Luciana Mendes Pereira

Título: Processamento da leitura de orações relativas: Um estudo comparativo entre crianças com dislexia e grupo controle

Orientador: Marcus Maia Páginas: 157


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Analisa-se o processamento da leitura em crianças com e sem dislexia, avaliando sua sensibilidade a concordância de numero,através de tarefa de leitura auto monitorada, observando tambem respostas interpretativas finais. A compreensão da concordâncias era examinada em periodos em que uma oração relativa e aposta aum sintagma nominal (SN) complexo. Pesquisas sobre a compreensão de oracoes relativas por parte de indivíduos adultosfalantes de portugues brasileiro e europeu sem dislexia, como os de Lourenço-Gomes (2003) e Maia, Lourenço-Gomes & Moraes (2004)evidenciaram preferência por aposição alta em estudos off-line (questionário). Por outro lado, Maia et alii (2007) usam medidas on-line e off-line no mesmo instrumento experimental, observando preferência por aposição alta na medição off-line e aposição baixa na medição on-line. Na presente pesquisa, que utiliza técnica semelhante autilizada em Maia et alii (2007)observam-se diferencas nos tempos de leitura (on-line)com maiores latências para os dislexicos, mas asrespostas off-line nao diferem significativamente entre os doisgrupos. O experimento evidencia que as criancas sem dislexia apresentam desempenho na leitura e compreensao de orações relativas apostas a SNs complexos, semelhante ao verificado em adultos em estudos equivalentes com falantes de portugues brasileiro e europeu. As criancas dislexicas demonstraram menos15sensibilidade na tarefa on-line, nao apresentando preferência de aposição (seja local, ou nao local), embora apresentem o mesmopadrao de resposta off-line que o grupo controle. Os resultados deste experimento podem contribuir para a prática fonoaudiologica e para os estudos da Psicolingüística.

Diego Leite de Oliveira

Título: As construções condicionais em russo e em português: uma análise comparativa

Orientador: Maria Luiza Braga e Noé Silva – USP (co-orientador) Páginas: 142


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Nesta dissertação investigamos o uso das construções condicionais, fornecendo uma análise comparativa entre duas línguas indo-européias de parentesco relativamente distante: russo e português. Entendemos que a relação estabelecida entre as orações que constituem a construção condicional se trata de hipotaxe, caracterizada não pelo encaixamento de uma oração subordinada em uma oração matriz, mas sim pela relação entre um elemento dependente (a oração hipotática) e o seu dominante (a oração núcleo), o que pode ser conferido em Halliday (1985). Analisamos, especificamente, as construções que apresentam o conectivo prototípico de cada língua, a saber, iesli, no caso do russo, e se, no caso do português. Para isso, utilizamos textos extraídos dos principais jornais do Rio de Janeiro (Brasil) e de Moscou (Rússia), controlando o número de palavras da amostra organizada, bem como o gênero e o tipo textuais. O foco principal de nossa análise se concentra na variação posicional da oração hipotática em relação à oração núcleo. A hipótese que orienta a dissertação é a de que a variação posicional da oração hipotática na construção condicional pode ser explicada pela combinação de fatores de ordem semântico-pragmática e fatores de caráter estrutural, o que é possível aplicar tanto ao russo como ao português, indicando a potencial universalidade de explicação do fenômeno sob investigação

Rodrigo Alipio Carvalho do Nascimento

Título: Zero ou um: uso do artigo indefinido diante de nomes incontáveis

Orientador: Maria Cecilia Magalhâes Mollica Páginas: 123


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A pesquisa desta dissertação volta-se para o uso do artigo indefinido diante de referentes de traço não contável. A utilização no português falado do Brasil de estruturas como Eu quero uma água e Aceita ø bebida? fez-se notar tanto em dados de crianças, jovens e adultos quanto em distintos contextos. Cercamos o fenômeno no contexto em que nos parece que ele seja mais recorrente. Acreditamos que ele opera notoriamente em (i) contextos de pedido e oferta de produtos, como por exemplo em interação cliente-vendedor; (ii) em gêneros procedimentais, como as instruções de receita culinária. Nosso principal objetivo é o de demonstrar a sistematicidade existente da variação, aparentemente aleatória, de tal modo a determinar as motivações de uso. Estabelecemos a relação da perspectiva dos estudos sócio-interacionais com o tratamento laboviano dos dados. A escolha de uso ø ou um está correlacionada a motivações externas ao sistema lingüístico e sujeita a pressões de natureza comunicativa de acordo com o contexto em que falante e ouvinte acham-se envolvidos. O “corte” que nós fizemos nessa dissertação, considerando apenas os dados interacionais, está longe de representar todos os aspectos que envolvem o objeto de estudo. Apresentamos uma proposta de análise centrada na gradiência de formalidade das construções. Apresentamos resultados estatísticos referentes a variáveis lingüísticas que demonstram efeito positivo na escolha das formas variantes. Entretanto, como não foi feita uma abordagem longitudinal nem estratificação etária, não chegamos à conclusão, nesta etapa da pesquisa, se o fenômeno configura uma inovação lingüística.

Priscilla Mouta Marques

Título: Aspectos gramaticais e discursivos da ordenação Sujeito-Verbo no Português Arcaico

Orientador:Mario Eduardo Toscano Martelotta Páginas: 95


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Este trabalho tem como objetivo analisar a ordenação do sujeito em relação ao verbo no português arcaico, observando o que motiva a ocorrência desse termo na posição pré ou pós-verbal. Levamos em consideração, para tal análise, tanto o aspecto gramatical/sintático quanto o discursivo. Observar a ordem sujeito-verbo no português arcaico, por seguir este estudo a linha funcionalista, implica analisar a relação existente entre cada ordenação possível e o contexto comunicativo em que ela é empregada. Visando atingir tal objetivo, utilizamos, como corpora, os textos Bíblia Medieval Portuguêsa, de Neto (1958) e O Orto do Esposo, de Maler (1956). Fizeram parte da análise todos os tipos de cláusula (exceto as adjetivas cujo conectivo exerce a função de sujeito) em frases afirmativas e negativas. Após o levantamento dos dados, tendo todos os aspectos sido observados, criamos o banco de dados e utilizamos oprograma estatístico SPSS, versão 13, para a obtenção da freqüência e para o cruzamento das variáveis em análise. Segundo o princípio funcionalista da marcação, intrinsecamente relacionado à freqüência, consideramos, a partir dos dados coletados, que VS é a ordem nãomarcada em contextos intransitivos e as estruturas SVC e VSC são as não-marcadas em contextos transitivos e copulativos no português arcaico. Verificamos que, dentre todas as variáveis estruturais e discursivas analisadas, ostatus informacional foi o fator mais importante para a compreensão do fenômeno de ordenação do sujeito dentro da cláusula, confirmando o que já apontara Berlinck (1989) em sua análise do português do século XVIII.Concluímos, por fim, que tal fenômeno no português arcaico mostrou-se essencialmente funcional. Inclusive em casos em que aparentemente se verificava influência de um fator estrutural, observamos que atuavam aspectos discursivo-pragmáticos.