Neste quadriênio foram defendidas 18 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Julia Oliveira Costa Nunes

Título: A ordenação dos advérbios temporais e/ou aspectuais em -mente no português escrito contemporâneo

Orientador: Maria Maura Cezario Páginas: 88


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O presente trabalho está focado no estudo da ordenação dos advérbios com sufixo -mente e valor básico de tempo. Consideramos não somente os advérbios com noção aspectual ou temporal, mas também aqueles itens que apresentavam uma polissemia tempo/aspecto + modo. A partir dos pressupostos teóricos da corrente funcionalista, estabelecemos as hipóteses de que (i) o papel semântico exercido pelo advérbio deve influenciar na posição que este ocupa na frase na medida em que está relacionado ao grau de integração entre o item e o verbo ou entre o item e a cláusula; e (ii) o contexto discursivo em que o advérbio está inserido tenha interferência na forma com que os itens se apresentam. Em um corpus formado a partir de textos do discurso jornalístico (notícias e editoriais), extraídos dos jornais Folha de São Paulo e Globo Online, além da revista Época, coletamos e analisamos todas as orações que continham advérbios de tempo e aspecto, sempre considerando o contexto no qual estavam inseridos. A análise dos dados revelou que, apesar de não influenciar na posição do item adverbial, o contexto discursivo, em virtude de características específicas, tem relação com a semântica dos advérbios, ao passo que em cada gênero textual analisado houve predominância de um tipo semântico ou outro. Além disso, constatamos que a posição do advérbio tende a variar de acordo com sua semântica e percebemos que, muitas vezes, a função discursiva destes tem papel importante. A análise desenvolvida nos mostrou também que há outras motivações, de cunho sintático, além daqueles aspectos controlados como fatores da pesquisa. Percebemos que, além da própria semântica do advérbio, o tipo de estrutura também tem influência na ordenação do mesmo.

Wendel Fernandes Processy

Título: A passagem de pronome relativo para conjunção latina: uma abordagem funcional

Orientador: Mario Eduardo e Vanda Santos Páginas: 188


Resumo da Dissertação Download em PDF

Este trabalho tem como finalidade detectar a passagem de pronome relativo latino quod a conjunção integrante, usando por linha teórica os preceitos da Gramática Funcionalista, entre eles a teoria da gramaticalização, que é a principal orientação desta pesquisa, o princípio da arcação e o princípio da iconicidade. Para desenvolver tal estudo foram utilizados corpora de duas sincronias diferentes. A primeira sincronia refere -se o latim clássico (século I a.C), tendo como corpora os discursos de Cícero Pro Archia, Pro Marcello, Orationes quattuor in Catilinam, Pro Murena e os comentários de César sobre a guerra da Gália denominado De Bello Gallico. A segunda sincronia refere -se ao latim cristão (século IV d. C), que se apoiou nos sermões de Santo Ambrósio editado no livro De Mysteriis Liber Vnus e a Vulgata de São Jerônimo, além dos livros de São Mateus, São Marcos e São Lucas. Verificou-se que nos corpora do latim clássico a conjunção integrante quod fora pouco atestada, ocorrendo apenas com verbos que indicam afastamento, verbos unipessoais e construções unipessoais, mesmo com estes tipos de verbos era pouco freqüente, referindo a língua outros tipos de estruturas. Os resultados obtidos na análise demonstram que da sincronia mais antiga para a mais recente ocorreu o aumento da freqüência de uso da conjunção integrante quod, tornando-se a mesma a única conjunção introdutora de cláusula subordinada substantiva dos corpora pesquisados.

Viviane dos Ramos Soares

Título:A negação no contato entre dialetos

Orientador: Lilian Ferrari Páginas: 87


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Esta dissertação investiga a estrutura de sentenças negativas no Português Brasileiro (PB), a partir do contato dialetal entre cariocas e cearenses, com foco sobre aquelas em que a partícula não aparece anterior ao verbo [não V], anterior e posterior ao verbo [não V não] ou somente posterior ao verbo [V não]. Com base na Teoria da Acomodação Dialetal (TRUDGILL, 1986), na Teoria da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972) e na Teoria de Redes Sociais (MILROY, 1980), o objetivo desta pesquisa é o de verificar como as escolhas linguísticas e extralinguísticas dos migrantes influenciam o processo de acomodação. A análise é baseada no levantamento e na descrição dos usos das negativas, realizado de acordo com a metodologia de quantificação da Sociolinguística Variacionista. As conclusões a que chegamos são favoráveis às nossas expectativas de que há contextos linguísticos que podem aumentar ou diminuir a frequência da acomodação. A análise sob a perspectiva de redes sociais aos quais os indivíduos estão ligados também contribui para a descrição dos aspectos estruturais observados na análise de cunho quantitativo.

Kalimi Lima Coca

Título:“Desliga senão acaba a pilha!” O uso de construções formulaicas na aquisição de condicionais

Orientador: Lilian Ferrari Páginas: 80


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O presente trabalho investiga o uso de construções condicionais por crianças em processo de aquisição da linguagem, a partir do referencial teórico da Lingüística Cognitiva. As construções formulaicas do tipo [X senão Y] são enfocadas no estudo, considerando-se a freqüência significativa com que ocorrem no discurso infantil e suas peculiaridades formais e funcionais. A metodologia empregada envolveu registros em áudio de duas crianças, uma do sexo masculino e uma do sexo feminino, e posteriores transcrições que constituíram a fonte de dados para a análise. Os resultados da pesquisa permitiram que se estabelecesse a generalização semântico-pragmática de que as construções [X senão Y] apresentam atos de fala diretivos (pedidos, perguntas, etc) na posição X, e justificativas para esses atos na posição Y. Tais características resultam do fato de que essas construções desempenham funções pragmáticas específicas em contextos interacionais, a saber: a criança se sente compelida a justificar um ato de fala que acabou de realizar (produção da construção completa pela criança) ou atende a uma solicitação de justificativa por parte do adulto (produção compartilhada).

Jessica da Silva Anunciação

Título:“Quando e não sou eu”: mesclagem conceptual em dêiticos de primeira pessoa

Orientador: Lilian Ferrari Páginas: 70


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Este trabalho insere-se nas propostas de estudos e pesquisas no âmbito da Lingüística Cognitiva, que têm como objeto privilegiado de investigação as operações cognitivas envolvidas na mente humana no processo de construção do significado a partir de pistas lingüísticas específicas. À luz da Teoria dos Espaços Mentais, aborda-se o fenômeno da dêixis e, em especial, analisam-se os dêiticos não-prototípicos de primeira pessoa do singular proferidos por um pastor protestante. Argumenta-se que os dêiticos nãoprototípicos evidenciam mesclagem conceptual entre falante e ouvinte (s), sinalizando, no corpus analisado, aproximação virtual entre pastor e fiéis , de modo compatível com o objetivo persuasivo dos sermões.

Jaqueline Silveira Coriolano

Título:Variação na concordância de número em duas comunidades rurais afro-brasileiras

Orientador:Maria Luiza Braga Páginas: 112


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Nesta dissertação investigamos as orações circunstanciais de gerúndio no português do Brasil. Tendo por base teórica os pressupostos da linguística funcional, analisamos as referidas orações em textos falados e escritos. Discutimos inicialmente o estatuto sintático das orações investigadas e as relações semânticas por elas expressas, baseando-nos em Haspelmath (1995) e König (1995), respectivamente. Valendo-nos dos critérios sugeridos por Haspelmath, defendemos que as cláusulas de gerúndio constituem processos de subordinação. O exame também mostra que elas tendem prototipicamente a expressar a relação de modo; outras relações possíveis de serem inferidas são: condição, tempo, causa, concessão, consecução e finalidade. Verificamos ainda que as orações de gerúndio são produtivas tanto na modalidade falada quanto na escrita e ocorrem pospostas à oração principal. Ademais, elas se vinculam a orações transitivas com argumento interno realizado. O sujeito das orações de gerúndio está normalmente implícito e é correferencial com o sujeito da oração matriz. O tipo de verbo material é o mais recorrente, tanto em orações gerundiais quanto em orações principais. Constatamos ainda que as orações analisadas foram mais frequentes no tipo textual descrição.

Glauber Romling da Silva

Título: Fonologia da língua Paresi-Haliti (Arawak)

Orientador:Bruna Franchetto Páginas: 321


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Este trabalho apresenta uma descrição preliminar da fonética e da fonologia da variante majoritária da língua Paresi-Haliti (Arawak). A língua Paresi-Haliti conta com 1649 falantes que vivem em 30 aldeias em 10 áreas indígenas no Estado de Mato Grosso, Brasil. O primeiro capítulo introduz a forma de organização da dissertação, fornece informações etnográficas sobre o Paresi e sobre o processo de pesquisa, comenta trabalhos anteriores e oferece um panorama das línguas da família arawak. O segundo capítulo provê um inventário dos segmentos fonéticos e uma lista de dados transcritos foneticamente. O terceiro capítulo apresenta um inventário fonêmico, comentando as principais alternâncias, e analisa os principais processos fonológicos e morfofonológicos observados no estudo. A abordagem destes últimos é baseada no Modelo da Geometria de Traços de Clements & Hume (1995). Para uma primeira abordagem da prosódia, utilizamos o modelo da Teoria Métrica de Idsardi (1992). O quarto capítulo dá um pequeno esquete da fonética e da fonologia da variante majoritária do Paresi-Haliti. Em anexo, apresentamos uma proposta ortográfica e uma amostra do corpus de dados analisados para esta dissertação.

Clara Oliveira Esteves

Título: Representação e acesso ao conhecimento fonológico em crianças com dislexia do desenvolvimento

Orientador:Christina Abreu Gomes Páginas: 108


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O presente estudo analisou o desempenho de 11 crianças disléxicas e 13 crianças com desenvolvimento típico – ambos os grupos com idades entre os 8 e os 11 anos – em um teste de Nomeação de Figuras, a fim de investigar a natureza da dificuldade para recuperação de palavras apresentada pelo grupo experimental. Para tanto, tomou-se como embasamento teórico os Modelos Multirrepresentacionais de Linguagem, que pressupõem a abstração da linguagem de forma gradual, em diferentes níveis, a partir de um léxico organizado em redes de conexões. Os resultados mostraram que os disléxicos forneceram mais respostas incorretas do que o grupo controle, mas foram capazes de aumentar o número de respostas corretas após pistas semânticas e, principalmente fonológicas, fornecidas pelo examinador durante o teste. Ainda, as substituições fonológicas realizadas pelos disléxicos diferiram em quantidade mas não em termos da sua natureza com relação às substituições realizadas pelo grupo controle. Para ambos os grupos, as substituições fonológicas evidenciaram preservação da representação da informação fonológica abstrata da forma da palavra, assim como da informação fonética fina, apesar de o acesso à forma da palavra no léxico se apresentar dificultado, principalmente nas palavras de baixa freqüência. Estes resultados localizam o problema em termos do acesso às formas das palavras no léxico e indicam a preservação dos padrões fonológicos abstratos dos quais as formas das palavras são feitas, explicando também a inexistência de déficits fonológicos mais significativos no discurso oral dessas crianças.

Mariana Chaves Ruiz Guedes

Título: Consciência fonológica em períodos pré e pós-alfabetização

Orientador:Christina Abreu Gomes Páginas:



Esta pesquisa se concentrou na investigação da consciência fonológica de crianças com desenvolvimento típico, através da comparação da sensibilidade de crianças de diferentes faixas etárias às similaridades fonológicas compartilhadas por palavras. Considerando a caracterização da consciência fonológica e a sua relação com o aprendizado da leitura e da escrita, observadas na literatura pesquisada, pretendeu-se, a partir dos fundamentos teóricos dos Modelos Baseados no Uso, promover uma nova reflexão sobre a natureza e o desenvolvimento da consciência fonológica. Visando atingir este objetivo, foi aplicada uma Testagem da Consciência Fonológica, desenvolvida especificamente para esse estudo, em 46 crianças, agrupadas em quatro faixas etárias de acordo com sua série escolar, estudantes de uma escola particular da cidade do Rio de Janeiro. A coleta e análise dos dados demonstrou um desenvolvimento gradual da sensibilidade das crianças para unidades fonológicas compartilhadas pelas palavras, em função do avançar da idade/escolaridade. Esses resultados constituem evidência adicional de que a sensibilidade fonológica é um conjunto de habilidades que se desenvolvem de forma gradual, sugerindo-se estar relacionada ao desenvolvimento lingüístico da criança, principalmente à expansão lexical, e ao aprendizado do sistema de escrita alfabético.

Juliana Novo Gomes

Título: A direcionalidade no relacionamento semântico: um estudo de ERP

Orientador:Aniela Improta França e Antonio Fernando Páginas: 162


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Em contraste com previsões conexionistas de que a relação entre duas palavras soltas seria fruto de mera associação semântica, este estudo tem como hipótese que certas relações entre duas palavras são mediadas por uma estrutura sintática que surge espontaneamente no momento da exposição à situação de priming. Foram incluídas várias séries de pares prime-alvo, sendo duas delas idênticas, apenas com direcionalidades inversas (o prime em uma série é o alvo na outra). Se a hipótese sobre a mediação sintática estivesse certa, haveria diferença entre o tempo de ativação de alvos em uma ou outra direção. De fato a análise dos ERPs revelou diferenças entre as séries, ligadas à direcionalidade e também a outros fatores sintáticos.

Jeane Cristina de Oliveira Nunes

Título: Estudo da complexidade interna das palavras inglesas segundo sua origem

Orientador:Miriam Lemle Páginas:



De acordo com o modelo da Morfologia Distribuída (Halle & Marantz 1993), estou assumindo a existência de uma só máquina gerativa que estabelece correspondências entre som e significado, ou seja, a sintaxe vai até dentro da palavra. Neste trabalho, duas questões estão em foco: (i) qual a proporção entre palavras de origem latina e germânica no Inglês segundo tipos de textos; (ii) qual é a relação entre a origem e a complexidade interna das palavras. Utilizei três tipos de textos do Inglês escrito como amostras para fazer a análise das palavras : (i) estórias em quadrinhos eletrônica e impressa; (ii) revista de variedades e (iii) textos de editorial jornalístico e textos científicos. Pude observar que (i) há uma hierarquia crescente e estatisticamente significativa na proporção entre palavras de origem latina e palavras de origem germânica na seqüência dos três tipos de textos examinados; (ii) quanto à complexidade interna das palavras: entre as palavras de origem latina, a proporção de palavras complexas nos textos científicos é maior do que a proporção de palavras complexas entre as de origem germânica; (iii) as palavras de origem germânica e as de origem latina podem atingir complexidades internas semelhantes; (iv) as palavras inglesas de origem latina, muitas vezes, correspondem a palavras portuguesas cognatas. Neste caso, há muitos casos em que a palavra portuguesa tem um número de camadas maior do que a inglesa. Para chegar a tais conclusões, foi necessário tomar decisões analíticas, ou seja, optar entre alternativas de recortes das palavras.

Fernanda Duarte Senna

Título: Substituições em testes de Nomeação e Repetição de indivíduos afásicos sob a ótica da fonologia de uso

Orientador: Christina Abreu Gomes e Gastão Coelho Páginas: 84


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A presente dissertação teve como objetivo analisar as substituições envolvendo semelhanças fonológicas que ocorrem durante o discurso de indivíduos normais e afásicos, utilizou-se para obtenção dos dados uma tarefa de nomeação de figuras e repetição de palavras. Os Modelos baseados no Uso e a Lingüística Probabilística adotam como pressuposto a organização lexical em redes de similaridades fonéticas e semânticas. A Hipótese geral adotada e ratificada seria a de que a forma sonora das substituições e a da forma alvo se relacionaria com as hipóteses de organização lexical em redes e alguns fatores poderiam influenciar nessa organização e conseqüentemente no acesso, corroborando para a hipótese de acesso a informação de diferentes níveis de abstração. Os dados demonstram além da variedade de respostas e porcentagens, a importância do tamanho e dos segmentos iniciais para o acesso lexical. Apesar da diferença de comprometimentos, observou-se certa semelhança entre afásicos e não afásicos.

Erika Cristine Ilogti de Sá

Título: Ordenação de locuções de tempo e aspecto em textos jornalísticos: uma abordagem funcional

Orientador: Maria Maura e Maria da Conceição Paiva Páginas: 120


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Nesta pesquisa, procura-se investigar o posicionamento das locuções adverbiais temporais e aspectuais a partir de um corpus formado por textos jornalísticos. Diversos são os fatores que podem motivar a ordenação das mencionadas locuções, como seu papel semântico, sua função discursiva, seu tamanho, a transitividade da oração etc. O principal objetivo dessa análise foi estudar os fatores cognitivos e/ou discursivos, além de estruturais, que motivaram o posicionamento de tais locuções, já que, de acordo com os pressupostos funcionalistas, cada posição assumida possui uma função diferente no discurso. Em um corpus formado por diferentes gêneros textuais (editoriais e notícias) presentes em jornais e revistas, foram coletadas e analisadas todas as locuções adverbiais temporais e aspectuais encontradas. A análise dos dados mostrou que o valor semântico das locuções adverbiais influencia seu posicionamento na cláusula, assim como sua função discursiva. Constatou-se ainda que o tamanho da locução atua na ordenação, pois aquelas com um maior peso fonológico tendem a não interromper o fluxo de informações estabelecido entre o verbo e seus argumentos (mais ligados sintático e semanticamente). Além disso, pode-se verificar a influência da transitividade da oração (segundo Hopper & Thompson 1980 e Thompson & Hopper 2001) e do contexto discursivo em que a locução estava inserida, no posicionamento das locuções adverbiais temporais.

Eloisa Maria Le Maitre de Oliveira Lima

Título: Quando a percepção chega às consoantes: estágio dois no desenvolvimento linguístico

Orientador: Aniela Improta França e Aline da Rocha Páginas: 113


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Quando um bebê começa a falar, por volta dos 12 meses, evidencia-se um output linguístico que é ainda bem limitado pela própria condição motora do bebê. Como observadores, perdemos então as fases encobertas do Mecanismo de Aquisição de Linguagem (Language Acquisition Device – LAD) que prepara a circuitaria que dá suporte à fala. O problema é: como monitorar a aquisição de linguagem na mente de um bebê que ainda não fala? Este trabalho retrata o uso de duas técnicas de monitoração próprias para o período pré-fala, correspondendo à primeira e à segunda fases do experimento. A primeira delas é o chupetógrafo, que registra a frequência e a intensidade da sucção de bebês. Sabe-se que nos bebês há uma ligação fisiológica entre a sucção e a atenção. Trata-se da sucção não-nutritiva (SNN), que pode manifestar-se pela simples presença da chupeta ou mesmo espontaneamente. Na SNN há aumento no ritmo e no volume de sucção proporcionalmente ao nível de interesse e foco que o bebê dispensa a dado estímulo. Desta forma, buscou-se desenvolver um aparelho que pode registrar com precisão a sucção em seus aspectos de frequência por segundo e pressão, de forma que esses dados possam ser relacionados à estimulação linguística. A segunda técnica utilizada foi a monitoração do olhar de bebês para objetos que ele reconhece ou não. Os testes foram feitos com bebês de 3, 4, 5 e 6 meses, e os estímulos eram palavras e não-palavras que designam objetos concretos mostrados para os bebês durante a primeira fase do experimento e depois reconhecidos pelos bebês durante a segunda fase. Verificou-se que a computação de arbitrariedade saussureana é mais operante nos bebês mais novos do que nos mais velhos. Interpretou-se esse decréscimo como a entrada dos bebês mais velhos em uma fase sintática de aquisição de linguagem em que há reinterpretação

Adriana Zanela Nunes

Título: Conectores conclusivos em periódicos cariocas: uma visão variacionista

Orientador: Helena Gryner Páginas: 102


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O estudo em questão trata de um fenômeno variável: o uso do conector que introduz orações conclusivas, no discurso argumentativo na imprensa. Encontramos variação entre o conector canônico portanto; conectores não-canônicos (aqueles que alternam com o portanto) e por último a ausência do conector – conector zero. No âmbito da amostra utilizada, o conector portanto é o conector canônico por ser o mais frequente. Os conectores não-canônicos que ocorrem menos frequentemente são: por isso, pois, então, aí, assim, e, consequentemente. Estes conectores explícitos e o zero são mutuamente substituíveis. Gryner (2000) em A sequência argumentativa: estrutura e funções propõe um esquema para caracterizar a estrutura da sequência do texto argumentativo. A autora apresenta um quadro com a estrutura argumentativa básica, constituída por categorias e funções facultativas e obrigatórias. Trata-se simplificadamente das seguintes categorias: posição – ponto de vista – asserção básica sustentada pelo locutor; explicação/justificação – explicitação das causas e razões da posição defendida pelo locutor; sustentação – evidência que sustenta a posição do locutor; contraste – oposição entre duas categorias; conclusão – fecho da argumentação, confirmação da posição defendida pelo locutor; avaliação (ou coda) – asserção externa ao argumento que expressa a atitude do locutor.Explicação/justificação, sustentação e contraste constituem a argumentação propriamente dita; posição e conclusão constituem a tese e sua retomada; coda constitui uma avaliação externa ao texto.

Priscilla Rodriguez Guidi Bittar

Título: Aquisição de interrogativas e causativas do japonês por falantes do português brasileiro

Orientador: Marcia Damaso Páginas: 84


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Esta dissertação possui como objetivo investigar a aquisição de estruturas interrogativas e estruturas causativas em língua japonesa como L2, por parte de falantes nativos de português brasileiro, estudantes universitários da língua japonesa. Para a análise dos dados tomamos por base os estudos de Cheng (1997), White (2004) para a análise das interrogativas. Para orientar a pesquisa, no que tange às causativas, adotamos os seguintes autores: Okamoto (2007), Cabrera e Zubizarreta (2002) e Fuji, Hashimoto e Murasugi (2008). O corpus da pesquisa foi obtido através de testes de julgamento de gramaticalidade de orações em japonês e de testes de versão do português para o japonês, aplicados a três grupos de diferentes níveis de proficiência. Os resultados desta pesquisa revelam que nas interrogativas há movimento de Qu nos estágios iniciais, mostrando a existência de transferência das propriedades dos núcleos funcionais da L1 para a L2. Já os resultados dos testes referentes à aquisição de causativas revelam a atuação da GU, uma vez que os aprendizes de japonês parecem percorrer os mesmos estágios que os aprendizes do japonês como L2

Maria Paula Roncaglia

Título: Processamento métrico e sintático de bilíngues tardios de espanhol e alemão: evidências de ERP

Orientador: Aniela Improta França Páginas: 108


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Nos primeiros anos de vida, indivíduos codificam lingüisticamente propriedades prosódicas significantes para a L1, tornando-se insensíveis para as não-relevantes. Dupoux et al (1997) reportam uma “surdez” acentual em falantes nativos de francês, língua sem acentuação lexical contrastiva. Schmidt-Kassow e Kotz (2009a) relatam esta mesma “surdez” em bilíngües tardios de francês e alemão na detecção de violação métrica em L2, mesmo sendo acentuação contrastiva para esta. Este estudo acredita que bilíngües tardios de espanhol e alemão já possuem em sua L1 informações prosódicas necessárias para a percepção de variação acentual em L2. Para isso, participantes ouviram sentenças corretas, contendo violação sintática, ou métrica ou ambas as violações em alemão, devendo julgá-las. Resultados comportamentais e de ERP apontam para a percepção de violação métrica e sintática no processamento de L2.

Daniela Cid de Garcia

Título: Elementos estruturais no acesso lexical: o reconhecimento de palavras multimorfêmicas no Português Brasileiro

Orientador: Marcus Maia e Aniela Improta França Páginas: 88


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O trabalho faz uma revisão dos principais modelos do processamento lexical, retomando e discutindo diferentes estudos realizados nas últimas três décadas, e descreve um experimento que se propõe investigar o papel do processamento morfológico no reconhecimento de palavras e na organização lexical, verificando se a ativação de uma palavra passa, no momento mais inicial e automático, pela sua decomposição em morfemas. A realização desse estudo se justifica não só pela tentativa de contribuir com evidências para solucionar o problema teórico sobre a representação e ativação lexical, como também pela utilização de um desenho experimental ainda não utilizado, eficaz na aferição dos fatores presentes nesse processo – por permitir a comparação, num mesmo teste, entre os principais elementos tidos como participantes no processamento lexical. Utilizou-se, como metodologia, um experimento de priming encoberto, com decisão lexical, em que se testou a relação entre prime e alvo em quatro contextos: (1) prime e alvo relacionados morfologicamente (FILA/fileira); (2) prime e alvo com relação apenas semântica (ORDEM/fileira); (3) prime e alvo com relação apenas fonológica (FILÉ/fileira) e (4) prime e alvo sem nenhuma das relações anteriores. Nossa hipótese é de que haveria facilitação mais expressiva na condição em que as palavras tivessem relação morfológica, devido à identidade de raízes, o que foi confirmado pelos resultados. Essa facilitação expressiva de palavras morfologicamente relacionadas favorece os modelos de decomposição plena e pode ser interpretada a partir da proposta não-lexicalista da Morfologia Distribuída.