Nesse período foram defendidas 15 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Talita Moreira de Oliveira

Título: Referência nominal, pronominal e anáfora zero na fala

Orientador: Vera Lúcia Paredes P. da Silva Páginas: 124


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Este trabalho investiga a continuidade referencial em discursos oficiais, isto é, proferidos em situações muito formais, como as Assembléias Gerais da Organização das Nações Unidas e as sessões de posse na Academia Brasileira de Letras. É considerada a continuidade de referentes de 3ª pessoa, identificáveis (definidos e determinados), na posição de sujeito e em orações com verbos finitos e suas formas de expressão variantes: sintagmas nominais, pronomes e anáforas zero. Associando a perspectiva teóricometodológica variacionista a conceitos do funcionalismo americano, utilizamos a escala de conexão discursiva, o traço de animacidade do referente, a ambiguidade, a ênfase (ou contraste), o tipo sintático da oração, os tipos textuais e a situação comunicativa como variáveis neste estudo. Além disso, foram consideradas na análise duas situações: o preenchimento ou não do sujeito e, no caso de sujeito preenchido, se o preenchimento ocorria através do nome ou do pronome.
Os fatores que se mostraram sistematicamente mais relevantes nesta investigação foram a ambiguidade, os tipos de oração e a escala de conexão discursiva. Os tipos de texto, na análise do sujeito preenchido vs. não-preenchido, e a ênfase, em nome vs. pronome, também se mostraram significativos. Observou-se que contextos ambíguos, orações principais e independentes e graus que indicam conexão de discurso menor favorecem a presença de sujeitos e retomadas nominais. As sequências expositiva/explicativa e argumentativa e o caráter não-enfático ainda favorecem preenchimento do sujeito e o uso do nome, respectivamente.

Wendy Barile

Título: A transparência semântica e o processamento morfológico em palavras compostas com dois ideogramas em japonês

Orientador: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 97


Resumo da Dissertação Download em PDF

O presente estudo procurou observar a natureza morfológica das palavras compostas em japonês e a interação deste fator com a transparência semântica. Foram elaborados dois experimentos de priming utilizando palavras compostas transparentes e opacas semanticamente em japonês apresentando cinco condições para o prime: o primeiro constituinte, o segundo constituinte, um constituinte não relacionado e uma condição em branco. No primeiro experimento, utilizando um SOA de 150ms, foram observadas diferenças entre os tipos de palavra. Embora tenha ocorrido efeito de facilitação nas palavras compostas transparentes precedidas pelo primeiro ou segundo constituinte, o mesmo não foi observado nas palavras compostas opacas. Por outro lado, o segundo experimento, com SOA de 60ms, demonstrou padrões de resposta similares entre as palavras transparentes e opacas: não houve interação, nem efeito significante em relação ao tipo da palavra, mas houve um efeito extremamente significativo para as condições do prime. Os resultados parecem apontar para a participação das unidades morfológicas e um encontro tardio dos traços semânticos no processamento de palavras compostas em japonês. Este resultado está de acordo com a teoria da Morfologia Distribuída que defende a decomposição morfológica e a participação de traços semânticos tardiamente no curso temporal do reconhecimento de uma palavra. Adicionalmente, os experimentos também demonstraram diferenças significativas entre as duas condições controles (constituinte não relacionado e condição em branco). Uma vez que as palavras precedidas por constituintes não relacionados causaram inibição, indaga-se se o uso desta condição como controle é ideal para demonstrar resultados genuínos.

Priscila Thaiss da Conceição

Título:Planos discursivos em diferentes níveis de escolaridade: estudo de recontagem de Figura e Fundo

Orientador: Maria Maura Cezario Páginas: 118


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Esta pesquisa analisa a recontagem de um texto narrativo a partir da oposição Figura e Fundo e a partir do nível de escolaridade dos informantes. A literatura funcionalista americana foi utilizada como base teórica, principalmente os estudos sobre os planos discursivos (Hopper, 1979; Silveira, 1990 e 1997; Chedier, 2007) e a transitividade (Hopper e Thompson, 1980). A partir da leitura do texto literário “As Travessuras de Afonsinho” (ROCHA, 1980), verificamos como os alunos de diferentes séries apreendem as informações de Figura e as informações dos diferentes tipos de Fundo (conforme Silveira, 1997) no momento em que leem e reescrevem uma história.
Realizamos a pesquisa com alunos do 5º, 7º e 9º anos do Ensino Fundamental e 2º ano do Ensino Médio, totalizando 101 informantes. Esses alunos leram o texto literário e recontaram por escrito o que tinham acabado de ler. Na análise dessa recontagem, percebemos que a escolaridade exerceu influência nas quantidades de Figura, Fundo 1 e Fundo 2 resgatados.
Através de informações recolhidas por um questionário, analisamos, ainda, a relação entre o gosto pela leitura e as quantidades de planos resgatados e observamos que os alunos que dizem não gostar de ler recuperam menos quantidades de informação em todos os planos. Finalmente, realizamos uma análise qualitativa dos dados que nos permitiu perceber os diferentes modos pelos quais os alunos fizeram suas recontagens.
Os resultados confirmaram nossas hipóteses de que alunos com maior escolaridade recontam maiores quantidades de Figura, Fundo 1 e Fundo 2, confirmaram que o Fundo 2 é o menos recontado, mostraram que, mesmo sendo menos recontado em todas as séries, as séries maiores diversificam mais as informações de Fundo 2 recontadas e comprovaram que o gosto pela leitura influencia a recontagem.

Marije Soto

Título:Interceptando mecanismos de alternância bilíngue: a micromodularidade revelada nos ERPs

Orientador: Aniela Improta França e Aline da Rocha Gesualdi Páginas: 201


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Este estudo tem como objetivo interceptor o mecanismo de alternância em momentos distintos da derivação para verificar o caráter micromodular do acesso lexical bilingue. Bilíngues tardios de holandês (L1)-português(L2) foram testados em dois experimentos de priming: primeiro apenas colecanto dados comportamentais (TRs) e, numa fase posterior, dados neurofisiológicos foram captados com a metodologia de ERP. Primeiro pares de palavras morfologicamente relacionados variando a língua do prime e alvo foram testados numa configuração monomodal e bimodal (escrita/auditiva - ESCRITA). Facilitação foi esperada apesar da alternância, baseada na tese da Morfologia Distribuída que diz que todas as palavras são derivadas composicionalmente (Marantz, 1997). Assim, no dado cenário, em que prime e alvo (por exemplo, peixe(L2) - VISSERIJ(L1)) contêm raízes que acessam uma entrada enciclopédica compartilhada que é língua-neutra, por exemplo [raizpeix + -nom.(L2) <-> 'animal vertebrado com escamas e nadadeiras, que vive na água, respora por brânquias, etc.' <-> raizvis + -nom. (L1))], um efeito de priming é esperado, visto que (i) a entrada semântica compartilhada já foi ativada pelo prime e (ii) alternância ocorre num momento 'língua-neutro'. Medidas de latência de ERP para o N400 mostraram que há, de fato, nenhuma diferença em tempo de acesso lexical inicial que é essencialmente composicional, enquanto dados comportamentais indicaram uma desvantagem para a troca de L1 para L2, sugerindo que em fases posteriores de reconhecimento de L2 outros aspectos entram em jogo, tais como processos de inibição/ativação e processamento custoso de morfologia adicional em L2. No segundo experimento, foi esperada uma inibição para sequências como esta: [contagem regressiva em L2] três, dois, um -> [prime] (imagem de um peixe) -> (CONCEITO DE [peixe]) -> raizpeix + e (L2) -> [alvo] VISSERIJ (L1), já que alternância agora ocorre num momento 'língua-específico'. Nem os dados comportamentais nem os de ERP confirmaram essa hipórese de forma categórica.

Isabella Lopes Pederneira

Título:Etimologia e reanálise de palavras

Orientador: Miriam Lemle e Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 128


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O objetivo deste trabalho é relacionar a teoria da gramática com a explicação da mudança linguística. A teoria da gramática assumida é a da Morfologia Distribuída, segundo a qual a computação sintática vai até o interior das palavras. A arquitetura da gramática faz uma distinção entre o significado da unidade composta por uma raiz mais um categorizador - um significado cuja relação com a forma é arbitrário - e unidades compostas por recategorizações desta primeira palavra. Estas têm significados previsíveis em relação ao da palavra que tem apenas uma marca de categorização. Estamos mostrando dois grupos de mudanças linguísticas. O primeiro diz respeito à criação de novos verbos a partir de formas participiais como, por exemplo, receitar que provém do particípio receptus do verbo recipio, e assar que vem do particípio arsus do verbo ardere. O segundo tipo de mudança é a desgramatização de prefixos, que acabam sendo tomados como meros pedaços fonológicos de novas raízes como, por exemplo, despencar (cair) sem que percebamos mais o nome penca ou arrombar em que poucos ainda percebem o nome rombo. Estamos relacionando estas duas mudanças com a diminuição de frequência de uso das palavras que constituem a base da formação dos termos derivados, isto é, as palavras básicas cuja leitura é arbitrária semanticamente. Com a perda da composição sintática da palavra base, as palavras derivadas com um categorizador a mais se tornam a primeira camada, e uma nova raiz se cria, com a primeira sílaba semelhante ao prefixo por um aparente mero acaso.

Thiago Oliveira da Motta Sampaio

Título:Coerção aspectual: um subproduto da computação por fases

Orientador:Aniela Improta França Páginas: 112


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As propriedades aspectuais dos eventos Linguísticos estão diretamente relacionados à representação que depreendemos dos eventos reais do mundo. Os mecanismos com os quais a semântica da sentença é composta tem sido tema de diversos estudos teóricos e psicolinguísticos nos últimos anos. No que se refere à Coerção Aspectual, os resultados comportamentais obtiveram resultados diversos, o que levou a proposta de quatro hipóteses de resolução do mismatch aspectual: Subespecificação, Coerção Pontual, Coerção Iterativa pela semântica e pela gramática. A maioria dos experimentos apontam para as hipóteses de coerção iterativa identificando efeitos comportamentais e neurofisiológicos em sentenças em que as propriedades de um objeto singular são incompatíveis com o modificador temporal durativo como em "Even though/ Howard [sent/ a large check/] to his daughter/ [for many years/], she refused to accept his money" (Todorova et al., 2000a). Por outro lado, Pickering et al., (2008) defende a hipótese da subespecificação numa série de experimentos que utilizavam adaptações dos estímulos de Piñango et al. (1999( e de Todorova et al.. Teorias recentes da Interface Sintaxe-Semântica olham para as propriedades aspectuais como o resultado do merge entre o verbo e seu argumento interno (van Voorst, 1988; Tenny, 1992). Baseado nestes estudos, esta dissertação propõe uma hipótese de comportamento sintático das propriedades aspectuais representadas numa linha de tempo, que será complementada a cada fase da computação linguística. Esta proposta tem como objetivo dar conta dos dados principais experimentos que apintam a Coerção Iterativa e a ausência da coerção nos dados de Pickering et al. (2008).

Rafael Saint-Clair Xavier Silveira Braga

Título: As interrogativas em Ticuna: propondo o movimento encoberto

Orientador:Marília Lopes da Costa Facó Soares Páginas: 187


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A presente dissertação propõe-se a examinar as estruturas interrogativas de conteúdo de uma língua indígena amazônica isolada, o Ticuna. Para tanto, as estruturas whsimples e múltiplas, bem como as relações de escopo de quantificadores, são enfocadas aqui. Nos trabalhos de Facó Soares (1992, 1999, 2000), comprovou-se que a língua apresenta contextos em que as palavras /t-/ (correspondente ao morfema wh- do inglês) são geradas adjungidas à base, depois de comprovada a independência do constituinte interrogativo t- em relação ao clítico ‘nü-’ü’. Para que ocorra o licenciamento de interrogativa in-situ na língua é necessário que este constituinte não ultrapasse o estrato vP, adjungindo-se externamente, o que em Chomsky (1995) é definido como ‘especificador externo’ (‘outer specifier’). Por outro lado, o especificador mais interno, e, portanto, próximo ao núcleo v 0 , [vP[vPinner[v 0 ]]] é uma posição identificada por Rackowski & Richards (2005:23) como não passível de extração porque não está sob o alcance de núcleos de fases mais altas, o que faz com que esta posição esteja longe de sondas mais altas na árvore sintática.
Em construções in-situ, a sonda C0 em Ticuna só está ativa, e portanto tem seu traços checados, apenas em sintaxe encoberta (LF), sendo o movimento da palavra t- insitu PROCRASTINADO para LF. Em LF, o princípio de localidade (considerando-se, sobretudo, a operção AGREE entre uma SONDA-ALVO) é tão rígido quanto em sintaxe aberta, conforme defendido por Boskovic (1997) para quem a sintaxe em LF é ainda mais sujeita e critérios de localidade do que a própria sintaxe aberta. Para tanto, Boskovic baseia-se na hipótese de Mover Traço (Move [F]eature) de Chomsky (1995).
No que se refere às conclusões de Rackowski & Richards (2005) poderíamos considerá-las como mais um critério para não extração de wh-in-situ para além do extrato vP em sintaxe aberta. A questão da localidade nos moldes de Chomsky (2001) é, portanto, também uma condição para licenciamento de wh-in-situ para além dos elementos apontados por Cheng (2000), os quais são: (i) a materialização de um morfema explícito, através de partículas interrogativas (complementizadores explícitos) como em japonês e swahili; e (ii) a subespecificação, [Q:], de um traço entoacional licenciador.
Com relação às questões wh-múltiplas, ao confrontarmos a proposta de Higginbotham & May (1981), adotada também por Richards (1997, 2001), que tipologizam línguas de absorção em IP, e aquelas de absorção em CP, conclui-se que para o Ticuna não há uma obediência ao Princípio de Superioridade, sendo possível na língua o scrambling das palavras /t-/, assim como comprovado por Boskovic (1988) para as línguas eslavas. Concernente ao escopo de quantificadores, conclui-se que as relações de escopo em Ticuna revelam-se tão rígidas quanto no chinês mandarim padrão e no japonês, comprovadamente tidas como línguas de sintaxe encoberta na literatura.

Heloísa Macedo Coelho

Título: Correspondências entre sufixos em palabras complexas: um levantamento em quatro línguas românicas

Orientador: Miriam Lemle Páginas: 80


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A proposta desta dissertação é empreender uma análise sobre correspondências formais e semânticas entre estruturas de palavras em português, espanhol, italiano e francês. O objetivo é verificar se no desenvolvimento dessas línguas românicas a partir do latim a combinação de uma dada raiz com um dado sufixo em uma das línguas tem sempre correspondências morfológicas e semânticas regulares nas outras três línguas. O trabalho tem importância teórica porque contribui para a compreensão da natureza do léxico. O que é listado, palavras ou morfemas? É com palavras ou morfemas que a sintaxe lida?
Existe um conflito de teorias: a teoria lexicalista concebe as palavras como um pacote fechado, que entra na sintaxe; para a morfologia distribuída, a sintaxe lida com unidades menores do que as palavras, que já são produtos da sintaxe.
Este survey trará um argumento para este conflito. A previsão da hipótese lexicalista para a diacronia é que as línguas-filhas herdem o vocabulário da língua-mãe. Disso resultariam tabelas comparativas extremamente uniformes. A previsão da morfologia distribuída é que haveria diferença nas correspondências morfológicas e semânticas interlinguisticamente. Isto aconteceria porque as palavras são formadas a partir de concatenações de unidades menores não lexicais, ou seja, os morfemas.

Cristiane Oliveira da Silva

Título:O Processamento da Dêixis em Karajá

Orientador:Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 122


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Este trabalho tem como objetivo propor uma análise da morfologia da dêixis espacial/empática e sua relação com a atribuição de correferência anafórica intersentencial na língua indígena Karajá, a partir de dados obtidos em experimentos psicolinguísticos. O Karajá possui um interessante sistema de marcação da dêixis espacial/empática identificada através de alternâncias fonológicas em morfemas verbais. Investigamos se a marcação direcional poderia atuar, também, como um recurso de recuperação de referência, colocando em evidência o paciente da oração, facilitando o processamento da correferência anafórica. Para analisar como a morfologia dêitica interage com o recurso de recuperação de referência, aplicamos dois experimentos utilizando a metodologia de priming com reconhecimento de sonda. No primeiro, o objetivo foi observar como pronomes nulos interagem com a morfologia dêitica, investigando se a força do Centro Dêitico verbal influênciaria na interpretação de sentenças. O segundo analisa como a interação de pronomes lexicais com a flexão direcional, auxilia, inclusive, na resolução de ambiguidade sintática facilitando o processamento de correferência anafórica mesmo quando há mais de um concorrente licenciado.

Marília Uchôa Cavalcanti Lott de Moraes Costa

Título: Explicitando a modularidade na teoria da mente: um teste ToM sobre ToM

Orientador:Aniela Improta França Páginas: 100


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Teoria da Mente (ToM) é uma habilidade cognitiva de o indivíduo entender os outros como agentes intencionais independentes (seres possuidores de razão, volição e intenção próprias as quais geralmente são diferentes das do indivíduo com quem estão interagindo). ToM se relaciona com a possibilidade de teorizar sobre a mente do outro. Esta é uma ação básica para a maioria das situações interacionais com as quais nos envolvemos. A problematização do fenômeno apareceu primeiro na literatura em um experimento feito com crianças de 3 a 6 anos. Neste experimento, a criança pesquisada ouvia uma história em que um dos personagens sabia menos da trama do que a própria criança-sujeito. Trata-se de um experimento que se propõe investigar a interação entre sintaxe, Teoria da Mente e outros módulos cognitivos. A realização desse estudo se justifica, pois com a inserção de mais um encaixe no protocolo clássico de ToM observamos uma interação dinâmica entre a cognição que nos permite uma leitura das diferentes idades e ToM. Utilizou-se, como metodologia, o protocolo de Sally-Anne, em que aferíamos ToM de primeira e segunda ordem em crianças de 3 a 16 anos. Os resultados nos direcionam a pensar que haja uma rica gradação nesta cognição.

Gláucia dos Santos Vianna

Título: Aspectos de Coesão Textual na Escrita de Surdos: a formação das cadeias tópicas

Orientador: Maria Cecília de Magalhães Mollica Páginas: 183


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Uma das maiores questões geradas pelas perdas auditivas, observa-se nos efeitos sobre o desenvolvimento linguístico e suas implicações na escrita em Língua Portuguesa. Considerando que surdos não apresentam as mesmas características de produção textual de um ouvinte, este trabalho se propõe a discutir a importância do uso da escrita para esses sujeitos, não somente como instrumento de comunicação, mas como modalidade indispensável no amplo acesso à informação e ao convívio social. O foco da pesquisa volta-se, nesse sentido, para a análise do aspecto coesivo nas produções escritas desses sujeitos, no intuito de se investigar a maneira pela qual surdos tendem a estabelecer coesão referêncial em suas composições. O estudo dos nexos coesivos nos textos analisados e dos possíveis mecanismos utilizados para assegurar a referencialidade se desenvolve a partir do conceito teórico de continuidade tópica descrita por GIVÓN (1983) e de Cadeia Coesiva descrita por Antunes (1996). O Corpus deste trabalho é constituído de textos produzidos por alunos surdos profundos, em estágios variados de aprendizado do português, cuja fluência em LIBRAS se mostra evidente. Embora as produções textuais em análise apresentem limitações na estrutura narrativa, verifica-se a presença de elementos coesivos em grande número, os quais mantêm a referencialidade e a progressão dos tópicos ativados no discurso. Diferentemente do português, observa-se uma tendência predominante ao estabelecimento da coesão referêncial por meio de cadeias de repetição ou cadeias mistas, nas quais o tópico matriz é mantido integralmente na superfície textual ou retomado por outros léxicos semanticamente compatíveis, sem a que seja utilizada necessariamente, a referência por sustituição pronominal. Neste estudo, há a preocupação de sinalizar aos profissionais envolvidos no trabalho com surdos a necessidade de se lançar um novo olhar sobre a escrita desses sujeitos. Aspectos relacionados a possíveis interferências da LIBRAS nas produções textuais de surdos e as implicações educacionais decorrentes dos resultados obtidos na pesquisa são igualmente discutidos.

Fernanda Nunes Estrêla

Título: A interpretação aspectual do morfema -ED por falantes nativos do português do Brasil aprendizes de inglês L2

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 103


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O objetivo deste trabalho é analisar a aquisição de morfemas aspectuais e suas associações com os traços de perfectividade e imperfectividade. Nosso foco particular consiste em analisar, especificamente, a aquisição do morfema –ED do inglês por falantes nativos do português do Brasil (PB), aprendizes de inglês L2.
Para isso, foram selecionados 30 (trinta) indivíduos, 15 (quinze) nativos do inglês dos EUA e 15 (quinze) nativos do PB aprendizes de inglês L2 e, aos dois grupos, foi aplicado um teste de produção escrita. O teste é composto por 30 (trinta) slides e cada slide é composto por três elementos: uma figura, uma expressão adverbial de tempo e um verbo na forma infinitiva, todos escritos em língua inglesa. A tarefa realizada pelos informantes consistia em criar uma frase utilizando os três elementos descritos acima. Aos aprendizes, uma segunda tarefa lhes foi atribuída, a de traduzir todas as frases criadas na primeira etapa do teste.
Com base nos resultados, pode-se concluir que: a) os aprendizes parecem ter adquirido o morfema –ED, b) os aprendizes de inglês, ao contrário dos nativos, ainda não associam o morfema –ED ao traço de imperfectividade, c) em contraste com os falantes nativos do inglês, os aprendizes usam, frequentemente, a estrutura “USED TO” para expressar o aspecto imperfectivo. Tais resultados mostram os dois estágios pelos quais a aquisição passa: primeiramente, a aquisição de morfemas e, segundo, a associação destes aos seus respectivos traços.

Adriana Tavares Maurício Lessa

Título: Tempo em Alzheimer: Linguagem, Conceito e Memória

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 126


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O objetivo deste estudo é investigar a existência e origem de um comprometimento da expressão linguística de indivíduos com a demência do tipo Alzheimer (DTA). Especificamente, busca-se investigar um déficit na expressão linguística de tempo. A fim de atingir o objetivo proposto, selecionaram-se dois pacientes com DTA e dois indivíduos saudáveis de perfil semelhante. Eles foram submetidos a um teste neuropsicológico – o MiniExame do Estado Mental (MEEM) –, a um experimento neuropsicológico complementar ao MEEM – elaborado a fim de investigar a noção de tempo – e a um experimento linguístico – que investiga a expressão linguística de Tempo e Aspecto.
Os resultados no MEEM denunciaram a existência de um comprometimento cognitivo leve em um paciente e um comprometimento cognitivo moderado no outro paciente. Os resultados do experimento linguístico revelaram a preservação da expressão linguística do paciente com menor comprometimento cognitivo e um comprometimento da expressão linguística relacionada a Tempo e Aspecto do paciente com maior comprometimento cognitivo. Em contrapartida, ambos os pacientes apresentaram bom desempenho no experimento neuropsicológico.
Argumenta-se, então, que a existência de um comprometimento da expressão linguística de Tempo e Aspecto esteja correlacionada ao grau de comprometimento cognitivo do paciente. No que diz respeito à origem desse comprometimento da expressão linguística, descarta-se a hipótese de ele ser decorrente de um problema conceptual relacionado à noção de tempo. Entretanto, não se pode refutar a hipótese de que o comprometimento da expressão linguística seja decorrente do comprometimento de módulos não linguísticos.

Alaine Lazaroni Coelho de Melo

Título: O fluxo informacional em cartas de leitores: um estudo de caso

Orientador: Vera Lúcia Paredes P. da Silva Páginas: 93


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O presente trabalho de orientação funcionalista está centrado no estudo do fluxo informacional em cartas de leitores do jornal O Globo de um período determinado. Observamos as estratégias expressas por sintagmas nominais utilizadas para introduzir, manter ou retomar as informações nesses textos e, a partir dessas estratégias, categorizamos as informações como: novas, dadas e inferíveis (cf. Prince, 1981, 1992). Para analisar o fluxo informacional nas cartas de leitores, levamos em consideração a intertextualidade nesses textos, seja dialogando com as notícias, seja com outras cartas publicadas anteriormente pelo jornal.
Para tal análise, trabalhamos com um corpus formado por 72 cartas publicadas de 05 a 09 de setembro de 2006, todas centradas em um mesmo tema. Nesse período, se veiculam notícias sobre um acidente automobilístico na Lagoa Rodrigo de Freitas que causou a morte de cinco jovens. Objetiva-se investigar uma possível correlação entre a intertextualidade e o dialogismo, presentes nos textos, com a forma de se apresentar uma informação.
A análise revelou que as informações são fundamentalmente conhecidas (velhas), recuperadas das notícias previamente publicadas, ou inferíveis, e os sintagmas nominais que as expressam são, em sua grande maioria, introduzidos por artigos definidos ou pronomes demonstrativos, o que é característico de retomada, de informação dada. Com relação à função sintática, pudemos notar que as informações novas tendem a aparecer em posição de complemento verbal enquanto que as informações dadas, em posição de sujeito, confirmando resultados de trabalhos anteriores em outros gêneros.

Kellen Cozine Martins

Título: A expressão variável de anterioridade a um ponto de referência passado na escrita midiática

Orientador: Maria da Conceição de A. Paiva Páginas: 131


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O presente trabalho focaliza a variação entre as formas usadas para indicar estado-de-coisas anteriores a um ponto de referência passado, quais sejam: a forma simples de pretérito perfeito (PPS) e as formas simples e composta de pretérito mais-que-perfeito (PMQPS e PMQPC) na modalidade escrita do português contemporâneo. A hipótese central que norteia a pesquisa é a de que essa variação, na modalidade escrita, está sujeita às mesmas motivações que operam na modalidade falada. Para verificar essa hipótese, analisamos textos de diferentes gêneros discursivos e de diferentes jornais e revistas que integram o banco de dados do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua/PEUL e também da amostra online das revistas Época e Caros Amigos. A fim de situar teoricamente a variação focalizada, debatemos, inicialmente, as especificidades semânticas e discursivas das formas verbais de tempo passado e a possibilidade de variação entre as formas PPS, PMQPS e PMQPC no discurso. O estudo é desenvolvido a partir da perspectiva da Teoria da Variação e Mudança Linguística, associando-a aos pressupostos do Funcionalismo Linguístico, visto os dois modelos compartilharem a concepção de que a estrutura linguística é suscetível a motivações internas e externas. A variação entre as formas PMQPC, PMQPS e PPS é analisada sob o prima de aspectos morfológicos, sintáticos e semântico-discursivos. Verificamos a influência de grupos de fatores, tais como tipo sintático da oração, pessoa verbal, tipo morfológico do verbo, tipo de ponto de referência, tempo do verbo do ponto de referência, advérbio da situação e tipo de verbo. A análise permitiu destacar dois pontos. O primeiro deles é que a variaão, na escrita, apresenta padrões similares aos observados na fala. O segundo ponto se refere à tendência ao uso da variante PPS com orações do tipo adverbial e principal e com forma verbal de PPS no ponto de referência, indicando que a expansão dessa variante envolve, em grande parte, a forma como á referência temporal se constrói no discurso. Demonstramos ainda a relevância das variáveis gênero discursivo e tipo de jornal e revista no controle da variação.