Neste ano foram defendidas 13 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Sara Brum Abrahão

Título: A compatibilidade de traços aspectuais entre o advérbio e a morfologia verbal na afasia de Broca agramática

Orientadora: Celso NovaesPáginas: 133


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Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

O objetivo deste estudo é investigar o déficit linguístico de um paciente afásico de Broca agramático, a fim de obter um melhor entendimento sobre a representação da linguagem na mente de indivíduos normais. Especificamente, este estudo direciona-se para a expressão linguística de aspecto por um indivíduo afásico de Broca agramático. Além disso, este estudo busca fornecer evidências em favor da idéia de que o nódulo de Aspecto domina o nódulo de Tempo (NOVAES & BRAGA, 2005) na representação sintática.
Por meio de um estudo neurolinguístico, Novaes e Braga observam que uma paciente afásica de Broca agramática apresenta mais dificuldade com a categoria funcional de Aspecto do que com a de Tempo. Baseando-se na hipótese da poda da árvore (FRIEDMANN & GRODZINSKY, 1997), esses autores propuseram que o nódulo Aspecto ocupa uma posição acima do nódulo de Tempo na representação sintática.
Para que fosse possível alcançar o objetivo supracitado, foi realizado um estudo de caso em uma paciente afásica de Broca agramática. Ademais, com a finalidade de estabelecer um padrão na seleção do paciente, dois critérios foram considerados, a saber: (i) o local da lesão e (ii) a aplicação do teste de Boston.
Em relação ao local da lesão, o paciente deveria apresentar uma lesão no lobo frontal inferior esquerdo do cérebro e / ou adjacências. No que tange à aplicação do teste de Boston (GOODGLASS & KAPLAN, 1972), esse se deve ao fato de que o paciente deveria apresentar um padrão de comprometimento linguístico compatível com a de um afásico de Broca agramático.
Além disso, foi adotado como controle um indivíduo normal, que foi selecionado de acordo com a mesma faixa etária, sexo e grau de escolaridade que o indivíduo afásico de Broca agramático.
Foram desenvolvidos dois testes linguísticos de modo a investigar a compatibilidade dos traços aspectuais entre o advérbio e a morfologia verbal em sentenças do Português do Brasil.
A partir dos resultados, verificou-se que os traços de imperfectividade do advérbio ontem, assim como os traços de perfectividade do advérbio antigamente estão subespecificados na mente dos indivíduos. Observou-se, ainda, que ambos os testes apontam para o fato de a paciente afásica de Broca agramática possuir uma gramática alargada. Ou seja, a gramática dessa paciente permite combinações que são entendidas como agramaticais, ou imprevisíveis, no Português do Brasil. Tal alargamento da gramática dessa informante sugere que, além dos fatores tais como estado emocional durante o teste, pouca concentração, memória e meio ambiente linguístico, a falta de escolarização foi um fator que exerceu grande influência no desempenho das informantes durante a execução do teste. Desse modo, propõe-se que se elaborarem testes que sejam capazes de investigar melhor a produção e compreensão linguística de indivíduos afásicos de Broca agramáticos que são analfabetos.

Nathalie Pires Vlcek

Título: Gramaticalização e ordenação de advérbios em -mente/ment no português e no francês: uma análise histórica

Orientador: Mario MartelottaPáginas: 133


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Linha de pesquisa:Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

O trabalho propõe uma análise dos valores dos advérbios qualitativos em – mente/ment, bem como suas tendências de ordenação em sentenças do português, com uma inicial comparação com o francês. A observação da ordenação desses itens implica considerar os diferentes valores que eles apresentam, e por isso o trabalho prevê uma análise das extensões semânticas que caracterizam seus usos. A base teórica do trabalho é a teoria da gramaticalização tanto no que se refere aos processos de extensão de sentido dos advérbios estudados, quanto no que concerne à sua ordenação – já que os níveis de encaixamento das cláusulas em que eles ocorrem constituem um fator que também influencia sua colocação efetiva na sentença.

Marcela Ferreira Teixeira

Título: Processamento de interrogativas Qu na língua indígena Maxakalí

Orientador: Marcus MaiaPáginas: 149


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

Este trabalho descreve aspectos da sintaxe da língua indígena brasileira Maxakalí. Após uma breve revisão sobre a fonologia da língua, apresentam-se teorias tipológicas buscando um diálogo com a Teoria Gerativa. O estudo se concentra nas sentenças interrogativas do tipo Qu e do tipo sim/não da língua Maxakalí. Baseado em um experimento psicolinguístico de julgamento imediato de aceitabilidade, faço um estudo sobre o processamento de perguntas QU em Maxakalí, obtendo evidências de que esta língua indígena apresenta uma assimetria com relação ao processamento da extração de palavras QU das posições argumentais de sujeito e objeto.

Lincoln Marco da Silva Salles

Título: Constituintes à esquerda como estratégia de venda

Orientadora: Maria CecíliaPáginas: 133


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Linha de pesquisa:Língua e Sociedade

Esta pesquisa fundamenta-se nas teorias Sociolinguística e Funcionalista para estudar duas estruturas de constituintes à esquerda utilizadas por vendedores ambulantes como estratégia de venda nos trens urbanos da Supervia que circulam no trajeto Central do Brasil – Japeri, na cidade do Rio de Janeiro. A metodologia adotou um método próprio a fim de capturar a realização da fala espontânea, no caso, a publicidade oral. A proposta inicial foi a de observar o tratamento dado ao tópico na gramática normativa e na teoria linguística, baseando-se em PONTES (1987), CASTILHO (2010), HALLIDAY (1994) e em estudos empíricos como os de VASCO (1999) e de BELFORD (2006). Este trabalho discute o conceito clássico de variável dependente de LABOV (1972) e considera o critério de compatibilidade funcional lançado por LAVANDERA (1978). Objetiva explicar a função dos constituintes à esquerda no contexto de venda informal mediante as pressões comunicativas de acordo com o contexto em que vendedores ambulantes e passageiros estão envolvidos. A investigação revela os efeitos das variáveis linguísticas e extralinguísticas sobre os fenômenos em tela. Esta primeira etapa merece continuação para verificar uma possível relação entre o verbo ser e o processo de aquisição de linguagem. A necessidade de análise futura, ampliando-se o corpus de pesquisa, poderá averiguar o uso das construções em tela em outros contextos, contribuindo para melhor compreensão dos fenômenos deste estudo.

Rachel Antonio Soares

Título: Questões de morfologia e sintaxe: um estudo comparativo das línguas Shipibo-Konibo, Jaminawa e Japonês

Orientadora: Marília FacóPáginas: 167


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Linha de pesquisa:Estudo das Línguas Indígenas Brasileiras

A presente dissertação tem como objetivo o estudo comparativo à luz da Teoria Gerativa entre as línguas Shipibo-Konibo, Jaminawa – ambas pertencentes à família Pano – e a língua Japonesa, no que tange a três temas: aspecto, cópula e negação, suas semelhanças e diferenças.
Na seção destinada ao aspecto, objetiva-se uma breve apresentação da divisão entre tempo e aspecto, visto que algumas línguas (português, espanhol, entre outras) não possuem distinção formal entre tempo e aspecto. Ao contrário disso, a maioria das línguas indígenas possui um sistema de categoria de tempo e aspecto bastante diversificado. Posteriormente, tem-se como foco a análise dos aspectos completivo e incompletivo, sobreposição de categorias e questões pragmáticas.
Em relação à cópula, primeiramente, através de uma tipologia básica, busca-se identificar os tipos existentes. No que tange ao Shipibo e Jaminawa, destaca-se o morfema iki que desempenha o papel de cópula ou auxiliar. No Japonês, o fato de a cópula possuir diversas formas e funções, produzindo determinados fenômenos, abre caminhos para uma extensa pesquisa, tendo como o ensaio dos primeiros passos as seções aqui destinadas ao assunto.
Sobre a negação, delimitam-se os morfemas que representam tal categoria e propõem-se projeções em árvore sintática, visto a especifidade de cada língua.

Marise Ferreira da Motta

Título: O fenômeno variável da concordância verbal em redações da EJA: muma abordagem sociolinguistica

Orientadora: Maria CecíliaPáginas: 86


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Linha de pesquisa:Língua e Sociedade

O presente estudo investiga o fenômeno variável da concordância verbal a fim de verificar os fatores linguísticos e extralinguísticos que promovem a presença ou ausência da marca flexional de número. O corpus é constituído de redações de alunos integrantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos) do Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada com base em pressupostos da teoria da variação (ou sociolinguística variacionista laboviana). Os resultados deste trabalho apontam para uma tendência a cancelar menos marcas de plural quanto menor é a idade e os homens tendem a utilizar mais a marca de número que as mulheres. Os fatores linguísticos saliência fônica e posição do sujeito demonstraram atuar decisivamente na concordância verbal variável na escrita.

Fernanda Botinhão Marques

Título: Eletrofisiologia da idiomaticidade de indivíduos com Síndrome de Asperger: um estudo de ERP

Orientadora: Aniela Improta FrançaPáginas: 100


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Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

As expressões idiomáticas (EI) estão frequentemente presentes na nossa comunicação rotineira e são rapidamente aceitas, inseridas e compreendidas por indivíduos de diferentes faixas etárias. EIs como: chutar o balde podem soar estranhas na primeira vez em que ouvimos, mas logo logo são incorporadas no nosso vocabulário.
Há indivíduos com diagnóstico de Síndrome de Asperger (AS) que apresentam dificuldade em compreender as EIs. Eles atribuem um sentido literal às expressões, sendo incapazes de alcançar um significado idiomático quando as palavras não mantém uma relação composicional entre forma e significado.
Elaboramos um protocolo experimental com intuito de comparar as respostas neurofisiológicas (N400) entre dois grupos: Controle (GC) e Síndrome de Asperger (AS). Constatamos que os indivíduos com AS podem apresentar dificuldade na interpretação de expressões idiomáticas devido à imprevisibilidade semântica dessas construções.

Fabiola Hernandez Pereira

Título: Anáforas Indiretas em cartas de leitores de jornais cariocas

Orientadora: Vera ParedesPáginas: 100


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Linha de pesquisa:Variação e Mudança Linguística

Este trabalho analisa Anáforas Indiretas em um corpus constituído de cartas de leitores de jornais publicados no Rio de Janeiro. Do ponto de vista teórico, baseia-se no funcionalismo linguístico americano, diferindo, portanto, das abordagens formalistas, uma vez que trabalha com o uso real da língua. Dessa forma, considera-se que a interpretação e a escolha de cada elemento discursivo _ no caso, a Anáfora Indireta (AI) (Marcuschi, 2001) ou Anáfora Associativa (Zamponi, 2003) _ são motivadas pelo contexto e a sua função é destacada. Recorre-se, especialmente, a um dos princípios do funcionalismo: a informatividade. Verifica-se como a informação pode ser introduzida de maneira indireta no discurso.
A anáfora indireta é um tipo especial de anáfora que remete, de forma indireta, ao co-texto antecedente, diferentemente das anáforas diretas, não ocorrendo um processo de correferenciação. A retomada é feita a partir de uma “âncora” (cf. Marcuschi, op. cit). Insere-se uma nova informação no discurso como se já fosse conhecida, podendo dar início a uma nova cadeia referencial, produzindo uma “tematização remática”.
Segundo Marcuschi (2005), a relação entre a AI e a âncora é determinante para a classificação da anáfora. Neste trabalho, dividiram-se as AI’s em dois grupos: AI’s lexicais ou meronímicas e AI’s conceituais. No primeiro caso, a sua interpretação depende de estratégias cognitivas fundadas em conhecimento semânticos armazenados no léxico e, no segundo caso, as estratégias utilizadas para a compreensão da AI são ligadas a processos inferenciais mais gerais. Essas predominaram em todos os contextos por englobarem uma gama de possibilidades maior de ocorrências, uma vez que se vinculam a modelos mentais, conhecimentos de mundo e enciclopédicos.
Como o corpus abrange jornais dirigidos a diferentes segmentos da sociedade, com o estudo, foi possível investigar as características das cartas de leitor de cada jornal selecionado, verificando a influência da tipologia e do propósito da carta na seleção de AI’s. Verificou-se ainda em que contextos sintáticos e discursivos, as AI’s tendem a ocorrer. Além disso, este trabalho com AI fortalece a teoria de que a língua caracteriza-se por sua natureza implícita (cf. Marcuschi, 2001): muitas informações não são explicitadas no texto, são inferíveis por meio de ligações indiretas.

Everton Lourenço da Silva

Título: Estudo do mecanismo de criação neológica na obra de Guimarães Rosa

Orientadora: Miriam LemlePáginas: 57


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Linha de pesquisa:Gramática na teoria Gerativa

A dissertação apresenta-se como uma proposta de análise dos mecanismos de criação de palavras utilizados por Guimarães Rosa. A questão central deste trabalho é: quais foram as percepções de Guimarães Rosa de gramática que lhe permitiram inventar palavras novas de tal forma que seus leitores pudessem decodificá-las? Nossa hipótese é que as invenções lexicais não são a partir do zero, ou seja, criando vocábulos de significado arbitrário. Ao contrário, ele percebeu qual parte do vocábulo é responsável pela arbitrariedade, e criou a partir dessa parte arbitrária com combinações inesperadas de categorizar itens de vocabulário. Assim, o autor inova a partir da inserção do primeiro morfema categorizador, quando a formação do sentido é composicional.
Laçaremos mãos para nossa análise da Morfologia Distribuída, teoria capaz de flagrar o momento em que a arbitrariedade do signo se forma, além de mapear a estrutura sintática interna das palavras.
A principal característica da criação roseana é a percepção de padrões existentes na língua, sobre os quais o autor inova. A partir dos dados analisados, concluímos que a criação de palavras empreendida por Guimarães Rosa seguia as regras da gramática do português. Tais regras são geradoras de padrões bastante regulares de derivação dos vocábulos.

Pablo Soares Ribeiro

Título: A variação no uso dos marcadores explícitos e implícitos de contraste – mas, agora e zero – no português falado no Rio de Janeiro

Orientadora: Helena GrynerPáginas: 128


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Linha de pesquisa:Mecanismos Funcionais do Uso da Língua

Este trabalho analisa a variação de uso dos marcadores explícitos e implícito de contraste na fala informal do Rio de Janeiro. Com base nos princípios da Sociolinguística Variacionista Laboviana, Linguística Funcionalista e da Teoria da Gramaticalização. O corpus foi constituído a partir da amostra Censo 1980, pertencente ao banco de dados do Projeto PEUL/UFRJ. Foram analisados os grupos de fatores: Nível de coesão, tipo de texto, correferência dos sujeitos, sequência temporal, modalidade, sequência textual e escolaridade. Os resultados mostraram que o uso das variantes é sistemático.

Lia Abrantes Antunes Soares

Título: O comportamento dos parâmetros prosódico-temporais em narrativas orais em PLE: evidências para o descritor fluência

Orientadora: Myrian FreitasPáginas: 101


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Linha de pesquisa:Tecnologia Linguística e Materiais Pedagógicos

O crescente interesse pelo aprendizado de línguas estrangeiras se confunde com o desejo de todo aprendiz de ser fluente em LE. Ser capaz de demonstrar segurança ao se comunicar na língua-alvo, sobretudo em situação de avaliação, em exame de proficiência oral, requer mais que uma produção acurada de segmentos ou conhecimento de estruturas gramaticais da LE. É preciso apresentar fluidez na fala. A questão é que, apesar de ser um objetivo tão comum entre aprendizes, estudiosos na área de ALE e professores de LE concordam com a dificuldade em definir fluência. Buscamos investigar o fenômeno prosódico-temporal pausa, envolvido no fator fluência com o objetivo de oferecer a descrição de parâmetros prosódico-temporais para cinco tipos de pausas, estabelecidos por motivação cognitiva, de acordo com localização no enunciado. Com análise descritiva dos parâmetros prosódicos número, duração, tempo e velocidade de fala, buscamos indicar quais deles são os mais eficientes para cada tipo de pausa, em avaliação de níveis de fluência. A análise foi empreendida em um corpus formado por sete narrativas orais e espontâneas, produzidas por nativos do inglês, aprendizes do PB. Os aprendizes selecionados, foram classificados de acordo com os níveis estabelecidos pelo Conseil de l’Europe, em A1/A2 (elementar), B1/B2 (independente) e C1/C2 (experiente), gerando narrativas com diferentes níveis de fluência. A pesquisa mostrou a relevância de dois tipos de pausa e de mais de um parâmetro prosódico para o julgamento de fluência.

Letícia Teixeira Sampaio

Título:A interpretação aspectual do morfema -ed por falantes brasileiros aprendendo inglês como L2

Orientador: Celso NovaesPáginas: 106


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Linha de pesquisa:Gramática na Teoria Gerativa

Este trabalho tem por objetivo verificar se há transferência do padrão de realização morfológica das propriedades aspectuais do português do Brasil (PB) L1 para o inglês L2 pelos aprendizes, em especial quanto à marcação do imperfectivo habitual no passado.
Para isso, foram selecionados quarenta (40) indivíduos, sendo: dez (10) nativos do inglês dos EUA, dez (10) nativos do PB (que constituíam os grupos de controle) e vinte (20) nativos do PB aprendendo inglês como L2 (que constituíam o grupo testado). Dois tipos de dados foram coletados dos grupos de nativos: através de transcrições de gravação de fala espontânea e de resultados de teste de produção escrita. Com a gravação de fala espontânea, o objetivo era identificar qual é a preferência dos nativos do PB e do inglês para expressar a distinção perfectivo/imperfectivo habitual no passado em contexto. Já o teste de produção escrita era composto de trinta e seis (36) sentenças, sendo cada uma delas composta de um sujeito, uma lacuna, um complemento e um verbo no infinitivo entre parênteses. As sentenças-alvo possuíam marcações adverbiais que ensejavam uma leitura ora perfectiva, ora imperfectiva habitual, sempre remetendo ao passado. Aos nativos do PB, foi aplicada a versão em PB do teste, e aos nativos do inglês, a versão em inglês. A tarefa dos informantes era a de completar a sentença com o verbo indicado no tempo verbal que lhes parecesse mais natural. Para os aprendizes brasileiros de inglês como L2, foram coletados apenas os dados do teste de produção, em sua versão em inglês. Os aprendizes também deveriam traduzir todas as sentenças para o PB.
Com base nos resultados, pode-se concluir que: a) os aprendizes brasileiros de inglês L2 parecem ter adquirido o morfema -ED, b) os aprendizes brasileiros de inglês L2 são capazes de associar o morfema -ed ao traço de imperfectividade, c) em contraste com os falantes nativos do inglês, os aprendizes usam, frequentemente, a estrutura used to para expressar o imperfectivo habitual no passado. Dessa forma, parece haver transferência das preferências de marcação morfológica do PB L1 para o inglês L2, uma vez que os brasileiros aprendendo inglês L2 usam frequentemente duas marcações morfológicas diferentes para expressar a distinção entre perfectivo e imperfectivo habitual no passado, em contraste aos nativos do inglês, que preferem usar o morfema -ed para expressar ambos os aspectos.

Ana Paula Pereira Martins

Título:Rótulos: expressões nominais referenciais na produção discursiva em entrevistas jornalísticas

Orientadora: Vera Lúcia Paredes Pereira da SilvaPáginas: 117


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Linha de pesquisa:Língua e Sociedade

O presente trabalho está centrado na constituição interna e função dos sintagmas nominais encapsuladores de segmentos textuais, denominados rótulos (FRANCIS, 2003), que são introduzidos por um artigo definido ou um pronome demonstrativo adjetivo. Assim, investigamos a possível alternância entre esses determinantes, em correlação com suas condições de uso em entrevistas jornalísticas transcritas no jornal brasileiro O Globo e na revista Caros Amigos. Verificamos ainda o comportamento desses SN´s – os rótulos – como estratégia de coesão e construção argumentativa do discurso (KOCH, 1999; 2001; 2006; 2009). Para atingir tal objetivo, correlacionamos aspectos estruturais dos SN´s encapsuladores (se introduzidos por artigo definido ou pronome demonstrativo, sua função sintática, a semântica do nome-núcleo, a presença de modificadores, etc.) com suas funções discursivo-pragmáticas no gênero em questão, na hipótese de que essas categorias poderiam influenciar ou não na escolha de um ou de outro determinante. A análise dos dados revelou que, de um modo geral, tanto o jornal como a revista tiveram um comportamento bastante semelhante quanto à escolha do artigo definido: o uso catafórico, a natureza semântica e a função sintática de sujeito promovem a preferência pelo artigo. A maior diferença entre os dois veículos de comunicação foi observada no grau de formalidade de cada um. Essa diferença pode vir de uma questão de adaptação da linguagem ao público-alvo, ou mesmo por uma questão de espaço. O jornal tende a ser mais conservador quanto ao uso da linguagem se comparado à revista, que tende a ser mais informal, até por conta da situação em que são feitas as suas entrevistas, ou seja, numa roda de amigos, mantendo, portanto, um tom de conversa. Essas características refletiram nas escolhas lexicais dos dois veículos em questão