Neste ano foram defendidas 18 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Aline Varela Rabello

Título: Marcadores de modalidade epistêmica nas narrativas históricas Kuikuro

Orientador: Bruna Franchetto Páginas: 162


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Esta dissertação enfoca alguns marcadores de modalidade epistêmica nas narrativas kuikuro (Karib do Alto Xingu), que constituem um subgênero e podem ser consideradas de natureza histórica, e identifica e analisa enunciados narrativos em que se encontram os Marcadores Epistêmicos que as distinguem de outras narrativas (míticas), alguns deles tendo características de ‘evidencialidade’ e valores temporais, de modo a fornecer uma descrição de suas principais características sintáticas, morfológicas e semânticas. O corpus investigado é constituído por 29 narrativas e provém do acervo criado pelo Projeto de Documentação da língua Kuikuro, com mais de 200 ‘sessões’ (eventos de fala/textos), resultantes de gravações de áudio e vídeo feitas entre 1977 e 2007. Ao examinar estas narrativas, parti da observação da ocorrência e distribuição de seis marcadores epistêmicos (wãke, kilü, ti(ha), tsügü, tsü(ha), tü(ha)), clíticos ou formas livres, usados por diferentes narradores, os sujeitos-enunciadores, para atribuir valor às informações transmitidas ao seus ouvintes-interlocutores em termos de sua ‘veracidade’ em diferentes regimes de memória e transmissão.

Ana Cristina Baptista de Abreu

Título: Aquisição de orações relativas no Português Brasileiro

Orientadora: Christina Abreu Gomes Páginas: 120


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Linha de pesquisa: Variação e Mudança Linguística

Este trabalho versa sobre a aquisição de orações relativas em crianças em idade pré-escolar. A pesquisa realizada tem por base estudos sobre a fala carioca assim como trabalhos que enfocam a língua portuguesa em sua variedade portuguesa e brasileira.
Estes estudos revelam que as estruturas relativas são estruturas variáveis juntamente com o fato de estarem passando por um processo de mudança (Tarallo, 1993 e Mollica, 2003). Baseia-se também em estudos de Diesel (2009) e Diesel & Tomasello (2000, 2005) que revelam que a frequência e similaridade estrutural são informações essenciais para aquisição destas estruturas, fornecendo também a base metodológica para a elaboração de um experimento de produção induzida. Poucos são os estudos sobre aquisição de relativas no português brasileiro, por isso, a presente dissertação pretendeu investigar a emergência destas estruturas na produção espontânea, em crianças de 1 ano e 11 meses a 5 anos, e controlada, em crianças entre quatro e sete anos. Além disso, a produção espontânea de adultos é também contabilizada a fim de observar os efeitos da frequência do input na aquisição. Os resultados deste estudo demonstram não só que o comportamento das crianças reproduz as tendências da língua já observadas por Tarallo (1993) e Mollica (1977, 1981 e 2003) sobre o uso de relativas no Português do Brasil, mas também o fato de que a frequência e similaridade das estruturas no input interferem no processo de aquisição. Os resultados indicaram que as primeiras relativas produzidas pelas crianças tendem a ser proposicionalmente simples e que na idade de 5 anos ainda é uma estrutura pouco produtiva na fala das crianças. A distribuição das variantes e dos locais de extração na amostra infantil reflete a distribuição observada entre os adultos. No teste de produção controlada, as variáveis idade, variante do estímulo e local de extração se mostraram significativas para explicar o desempenho das crianças. As crianças apresentaram maiores índices de acuracidade para as relativas padrão (ou básicas) de sujeito e objeto direto. Já para as posições preposicionadas, a variante cortadora foi a que teve níveis mais altos de acuracidade. Esse comportamento é indicativo de que similaridade estrutural e distribuição de frequência de tipo do input influenciam na aquisição, assim como também é reflexo da direcionalidade da mudança observada para o português brasileiro.

Isabella Coutinho Costa

Título:Número em Ye’kuana: uma perspectiva tipológica

Orientadora:: Kristine Sue Stenzel Páginas: 126


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Esta dissertação tem como objetivo descrever a categoria gramatical de número nas classes nome, pronome e verbo do Ye’kuana, uma língua da família Karíb. O capítuloI Introdução apresenta o povo Ye’kuana do Brasil e ele explico a metodologia utilizada durante a pesquisa para coleta e análise de dados. O capítulo II A língua Ye’kuana discute a classificação proposta por Gildea (2012) para a língua Ye’kuana, além de oferecer uma revisão bibliográfica do estado-da-arte das pesquisas realizadas até o momento, encerrando-se com uma descrição tipológica com ênfase na morfologia. O capítulo III Número em Perspectiva Tipológica traz uma revisão bibliográfica dos estudos tipológicos da categoria número e o capítulo VI Número em Ye’kuana analisa os dados do Ye’kuana com base na tipologia apresentada no capítulo III, além de trazer dados acerca do fenômeno Número Verbal. As Considerações Finais apresentam possibilidades de desdobramento desta pesquisa para trabalhos futuros. Por fim, os Anexos mostram os estímulos visuais utilizados durante as elicitações.

Julia Langer de Campos

Título:A gramaticalização da construção Xmente: uma história do latim ao português.

Orientadora:Maria Maura da Conceição Cezario Páginas: 111


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O objetivo geral desta pesquisa é buscar a origem da construção Xmente, produtiva na formação de advérbios na maioria das línguas românicas. Motivados pelo o que dizem gramáticos históricos, linguistas e filólogos, de que este tipo de estrutura surgiu no latim, utilizamos como corpus desta pesquisa textos do Latim Clássico e Latim Medieval; analisamos também o texto Orto do Esposo, referente ao português arcaico, a fim de comprovarmos a produtividade dessa construção num período inicial de uma língua românica. Esta pesquisa tem como base teórica os princípios e métodos da Linguística Centrada no Uso, pois acreditamos no aspecto mutatório das línguas, advindo de fatores de ordem comunicativa. Esta corrente traz para análise da estrutura linguística aspectos semânticos, pragmáticos, cognitivos, funcionais, sociais e culturais. A formação do padrão construcional Xmente é o resultado da gramaticalização de um contexto discursivo originado no latim, como ex: devota mente, em que mente designa estado mental e é modificado por um adjetivo em acordo semântico com ele. Consoante à noção de construções desenvolvida por Goldberg (1995), de que construções são pareamento de forma e sentido e o valor semântico não é predizível pelas partes que as compõem, acreditamos que, nas sincronias do latim, esta forma apresentava ainda um valor semântico composicional. Já no início das línguas românicas, o padrão Xmente, mais abstrato e não-composicional, era bastante produtivo, o que nos leva a crer que a gramaticalização desta estrutura tenha ocorrido na fala, no latim vulgar, berço das línguas românicas. O objetivo desta pesquisa é mostrar de que maneira ocorreu a gramaticalização desse contexto inicial até a perda da composicionalidade dessa estrutura e sua reanálise propiciando a formação da construção Xmente. Esse processo envolve: expansão do contexto de uso na língua, mudança categorial (mente (substantivo) > -mente (sufixo); perda de conteúdo semântico; restrições posicionais; expansão da classe hospedeira e aumento da frequência de uso. Para tanto, trabalhamos com as noções propostas por Bybee (2003; 2010) de frequência, analogia, categorização e chunking.

Camila Martins de Almeida

Título:A ordenação de locuções adverbiais temporais e aspectuais em discursos políticos: uma abordagem centrada no uso

Orientadora: Maria Maura da Conceição Cezario Páginas: 107


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Linha de pesquisa: Modelos funcionais baseados no uso

Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo sobre as locuções adverbiais de tempo e de aspecto em discursos políticos dos séculos XX e XXI. Tomando como base teórica a Linguística centrada no uso, pretendemos analisar o posicionamento do adverbial na cláusula, pois acreditamos que este não é aleatório, mas sim motivado por fatores de ordem estrutural e discursiva. A partir de uma amostra extraída do livro 100 Discursos históricos brasileiros, coletamos e analisamos quantitativamente e qualitativamente 221 dados. Utilizou-se como ferramenta para quantificar os dados o programa estatístico SPSS e, a partir disso, cruzamos o fator ordenação do adverbial na cláusula com os fatores estruturais (i) tipo do sujeito, (ii) tamanho da locução, (iii) tipo verbal; e com o fator discursivo função discursiva. Quanto às contribuições desta pesquisa, citamos o fato de que encontramos um percentual elevado de locuções grandes e que o fator função discursiva é de extrema importância no corpus em análise, pois como este gênero apresenta como tipo textual predominante a argumentação, as locuções se posicionam no discurso de acordo com a intenção comunicativa do locutor que, de uma maneira geral, visa a convencer, persuadir seus ouvintes. Com isso, encontramos um percentual considerável de locuções tendo funções diferenciadas, como marcar sequência temporal, introduzir um novo assunto, fazer referência anafórica, dentre outras.

Thiago da Silva Santos

Título:Animacidade: um estudo entre línguas

Orientadora:Aleria Lage Páginas: 64


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Linha de pesquisa: Gramática na Teoria Gerativa

Diante da visão linguística clássica de animacidade como traço semântico, o objetivo deste estudo, com base na Gramática Gerativa, é mostrara animacidade enquanto traço sintático (formal), observando dados deste fato em várias línguas naturais, essencialmente através das marcas morfológicas estabelecidas por diferentes operações sintáticas, especialmente através da operação que gera a relação de concordância (Agr). A abordagem do traço [±animado] enquanto sintático (Lage, 2011a, 2011b, 2013) está de acordo com o Programa Minimalista (Chomsky, 1995-2011), mas apresento também uma análise alternativa para as manifestações sintáticas, quando assumindo a Morfologia Distribuída, que postula outro modelo teórico de arquitetura de linguagem na Gramática Gerativa. A existência ou não de marca morfológica para o traço de animacidade é parametrizada, e é explicada plenamente pela Teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky, 1981). Aponto ainda que animacidade é também uma noção, um conceito que um recém-nascido da nossa espécie já domina, mas outras espécies também já detêm este conceito ao nascimento (Hinzen, Poeppel, 2011). Portanto, em termos conceituais, a animacidade não é linguística (França, Lage, 2013).

Livia de Camargo Silva Tavares de Souza

Título: Fonologia, morfologia e sintaxe das expressões nominais em Yawanawá (pano)

Orientador:Bruna Franchetto e Kristine Stenzel Páginas: 154


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Resumo: Esta dissertação apresenta um estudo da fonologia, morfologia e sintaxe das expressões nominais em Yawanawá, uma língua ameaçada da família Pano, falada por cerca de 160 pessoas no estado do Acre, Brasil. Primeiramente, o povo e a língua Yawanawá são apresentados, através de um apanhado bibliográfico dos estudos antropológicos e documentais já realizados, seguido de um breve esboço tipológico da língua. A partir dos dados coletados no âmbito do projeto de documentação da língua, exploro a fonologia do Yawanawá de uma perspectiva formal, com ênfase no padrão acentual e em sua interação com a estrutura e o peso silábico. Também analiso a nasalização, que é um dos principais fenômenos fonológicos da língua. Em seguida, trato da morfologia e da estrutura das expressões nominais, descrevendo os diferentes tipos de construção nome-nome, as construções de posse e os principais processos de nominalização deverbais. Por fim, apresento uma análise do comportamento sintático das expressões nominais. Descrevo o sistema de marcação de caso e argumento que o alinhamento da língua seja tripartite, explorando as possíveis análises sintáticas da atribuição de caso por núcleos funcionais, baseando-me em trabalhos recentes sobre línguas ergativas no quadro do Programa Minimalista da Gramática Gerativa. Proponho ainda, buscando explicar uma das principais características tipológicas da família pano, que a morfologia de superfície que os argumentos ergativos, possuidores e certos oblíquos têm em comum seja um reflexo do fato de que estes casos estão sendo licenciados pela mesma posposição.

Miriam Cristina Almeida Severino

Título: O plural das palavras terminadas em -ão: mudança ou variação estável?

Orientadora:Christina Abreu Gomes Páginas: 98


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Este trabalho trata da alternância na marca de plural dos nomes terminados em -ão na comunidade de fala do Rio de Janeiro. Os objetivos foram (1) verificar se o que ocorre com o plural dessas palavras é um caso de mudança em direção ao plural em -ões ou um caso de variação estável; (2) verificar que tipo de inferência probabilística o falante faz em relação à formas de plural disponíveis no léxico; e (3) verificar se as propriedades lexicais dos itens que compõem a rede de palavras com plural em -ãos, -ães e -ões têm alguma influência na inferência do tipo de plural mais produtivo. Os dados foram obtidos por meio de dois testes linguísticos, um contendo palavras reais da língua portuguesa terminadas em -ão e outro contendo pseudopalavras terminadas em -ão. Os dados obtidos no primeiro foram analisados em função da frequência de ocorrência do item no plural, do plural esperado para o item, da faixa etária do indivíduo, do sexo, da escolaridade, e do item lexical; os dados obtidos no segundo, em função do número de sílabas, do falante, do sexo, e do estímulo. Os resultados do primeiro teste revelaram que (1) quando há alternância na marcação de plural, a variante mais adotada é -ões; (2) itens com baixa frequência de ocorrência no plural e itens com plural esperado em -ães são os que mais adotam o plural -ões; (3) os indivíduos que possuem apenas o Ensino Fundamental são também os que mais adotam este plural; (4) os jovens e os indivíduos com 50 anos ou mais não demonstram diferença significativa no uso desta variante inovadora; (5) algumas palavras estão bem mais propensas à adoção da terminação -ões do que outras; e (6) que a inferência acerca do tipo de plural é feita a partir da relação entre a forma base e a forma no plural de um grupo de palavras dentro do léxico e não a partir do léxico como um todo. Por fim, os resultados do segundo teste revelaram que (1) quando não existia a influência do item lexical (quando os falantes não estavam lidando com palavras reais) houve um maior uso de -ões do que de -ãos e -ães para a marcação do plural de itens com duas e três sílabas, mas não para a marcação de itens monossílabos, uma vez que para estes houve um maior índice de -ãos; e (2) que, na ausência de uma forma de plural representada no léxico, não houve a aplicação de uma regra default do tipo acrescente -s.

Samara de Souza Almeida Ruas

Título: Aquisição de interrogativas Qu- do espanhol como L2 por falantes adultos do português brasileiro

Orientadora:Márcia Dâmaso Vieira Páginas: 105


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O objetivo deste trabalho é investigar os papéis da língua materna (L1) e da Gramática Universal (GU) no processo de aquisição de interrogativas do tipo Qu- do Espanhol como L2 por falantes adultos do Português Brasileiro (PB). A escolha das duas línguas se deve ao fato de que apresentam valores paramétricos distintos. Em Espanhol, mas não em PB, há inversão da ordem sujeito-verbo nas interrogativas do tipo Qu-. Como hipótese inicial, adotamos aquela defendida por White (2004), segundo a qual há transferência das propriedades dos núcleos funcionais da L1 para a L2 e também há acesso à GU durante esse processo. Além disso, os dados observados revelam que a mudança paramétrica se dá gradativamente, de construção em construção, assim como proposto por Herschensohn (1998).
Para a realização deste estudo, foram aplicados experimentos junto a falantes de PB aprendizes de Espanhol como L2 de diferentes instituições de ensino. Os sujeitos participantes realizaram testes de produção de interrogativas e de versão. Os dados foram analisados levando-se em conta os níveis de proficiência por tempo de exposição ao Espanhol.
Os resultados da pesquisa mostraram haver transferência da L1 nos estágios iniciais e subsequentes de aquisição. Quanto ao estágio final, constatou-se que pode ou não haver convergência entre a gramática do falante de L2 e a do falante nativo. Em ambos os casos, acreditamos haver restrição da GU.

Fernando Lúcio de Oliveira

Título: O Processamento da Assimetria Sujeito-Objeto em construções do tipo QU no Português Brasileiro: interrogativas e relativas

Orientadora: Marcus Maia Páginas: 119


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Este trabalho faz uma breve revisão de como a Assimetria Sujeito-Objeto (ASO) tem sido estudada teórica e experimentalmente nas últimas três décadas e reporta três experimentos que investigaram a influência de fatores como distância, complexidade da cadeia e custo cognitivo no processamento de sentenças com interrogativas QU e orações relativas (OR’s) encaixadas no Português Brasileiro (PB). Justifica-se a realização deste estudo pela tentativa de oferecer evidências experimentais que contribuam para uma melhor compreensão do fenômeno da ASO no PB. Utilizaram-se, como metodologia de investigação científica do assunto, dois experimentos de leitura automonitorada não cumulativa, com julgamento de declarativa ao final. No primeiro experimento, investigamos a influência de fatores como o sítio de extração e o tipo de pronome interrogativo. No segundo, a influência da distância linear entre a lacuna e o antecedente. Já no terceiro experimento, testamos de que maneira o tipo de relativização e o tipo de encaixe das ORs atuam sobre a compreensão das frases. Nossa hipótese é a de que tanto no processamento das construções interrogativas, quanto no processamento das OR’s há uma facilitação para a extração de sujeito em relação à extração de objeto, conforme predito pelo Princípios da Cadeia Mínima (Minimal Chain Principle – DE VINCENZI (1996) e pelo WH-Processing Hypothesis (cf. HOFMEISTER et alii, 2007).

Juliana Barros Nespoli

Título: Tempo e aspecto na demência do tipo Alzheimer: um estudo longitudinal

Orientadora: Celso Vieira Novaes Páginas: 175


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O objetivo deste estudo é investigar possíveis alterações na expressão linguística de Tempo e Aspecto de pacientes portadores da demência do tipo Alzheimer (DTA), mais especificamente alterações relacionadas à produção. Além disso, objetiva-se contribuir para o entendimento acerca do comprometimento cognitivo subjacente a essas eventuais alterações.
A fim de alcançar esses objetivos, foi desenvolvido um estudo de caso de caráter longitudinal. Foi selecionada uma paciente portadora da DTA, que foi submetida a quatro aplicações de duas avaliações de naturezas distintas: uma avaliação neuropsicológica, cujo objetivo é investigar um comprometimento cognitivo mais geral e conceptual, e uma avaliação linguística, cujo objetivo é investigar possíveis alterações na expressão linguística de Tempo e Aspecto.
Em relação aos resultados obtidos por meio da avaliação neuropsicológica, detectou-se um declínio até a terceira aplicação dos testes e uma estabilidade na quarta aplicação. Em relação aos resultados obtidos por meio da avaliação linguística, foi detectado um comprometimento cada vez maior na expressão linguística de Tempo e Aspecto até a quarta aplicação.
A análise desses resultados sugere que as alterações na expressão linguística de Tempo e Aspecto, detectadas até a terceira aplicação dos testes, podem decorrer de um comprometimento no sistema linguístico ou em sistemas não linguísticos. Já o declínio na expressão linguística de Tempo e Aspecto, detectado na quarta aplicação, parece decorrer de um comprometimento no sistema linguístico. Foi refutada, portanto, a hipótese de que as alterações na produção de Tempo e Aspecto na DTA são decorrentes exclusivamente de um comprometimento cognitivo em sistemas não linguísticos.

Márcia Nascimento

Título: Tempo, modo, aspecto e evidencialidade em Kaingang

Orientadores: Marcus Maia e Letícia Rebollo Couto Páginas: 140


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Esta dissertação descreve e analisa, inicialmente, as categorias de Tempo, Modo e Aspecto em Kaingang (família Jê, Tronco Macro-Jê), identificando um processo suprassegmental atuante em relação à categoria de Tempo nesta língua: em um grupo específico de verbos, a prosódia opera como traço distintivo de passado e de futuro, tanto em enunciados assertivos quanto em interrogativos. Demonstra-se que a língua Kaingang, além de explicitar construções temporais através de unidades lexicais, partículas e morfemas gramaticais, apresenta, de modo bastante original, a ocorrência desses fatores prosódicos, que influenciam a marcação de tempo, como constatado em estudos realizados através de procedimentos experimentais e também através de análises acústicas. A dissertação inclui, também, uma descrição e análise de estruturas gramaticais da língua Kaingang, que compõem o sistema de marcação da evidencialidade. A evidencialidade é a categoria gramatical que se refere à fonte da informação, o que possibilita ao falante codificar se a informação transmitida faz parte, de alguma forma, da sua própria experiência direta ou se foi obtida através de terceiros. Constatamos que, em Kaingang, há especificações do tipo de evidência fornecido pelo falante, se é uma informação reportada, ou da experiência do próprio falante, que também pode ter sido obtida através de outras experiências sensoriais. Destacamos, também, termos que indicam valores epistêmicos, indicando o comprometimento do falante em relação à informação transmitida.

Juliana Terciotti Magro

Título: Gerúndio adverbial: estrutura argumental e processamento

Orientador: Marcus Maia Páginas: 126


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Ao observar as orações gerundivas adverbiais é possível perceber que elas se subdividem em dois grupos. Cada um deles se comporta de maneira diferente face a testes de constituintes e, além disso, possuem diferentes propriedades internas. A distribuição sintática e as propriedades de cada um destes subgrupos já foram estudadas por diversos autores. No entanto, há uma lacuna no que diz respeito ao que, de fato, as diferencia, que justifica esta pesquisa. Com o auxilio de testes de leitura automonitorada, foi possível observar diferenças entre estas orações que não teriam sido vistas, se não experimentalmente. Assim, pôde-se perceber que há uma diferença fundamental entre estas orações que não é semântica, mas sintática: é vista na estrutura argumental dos verbos que as envolvem. Os verbos do grupo que se adjunge a posições baixas sempre projetam um argumento externo. No outro grupo, adjungido a posições mais altas, os verbos não são mergidos com esta posição de especificador de vP. Nesta dissertação, mostro, então, o processamento destas sentenças. Ao observar seu curso temporal, pode-se afirmar que o que faz com que haja tempos médios de leitura distintos para cada tipo de verbo é sua estrutura argumental e não outros fatores, como controle obrigatório. Assim, é possível concluir que a estrutura argumental dos verbos envolvidos nestas gerundivas desempenha um papel fundamental em sua constituição.

Quezia dos Santos Lopes

Título: O item “é confirmativo” em contexto de pergunta sim/não

Orientador: Maria Luiza Braga Páginas: 125


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Estudou-se, sob uma perspectiva sincrônica, o comportamento do verbo “ser confirmativo”, isto é, do ser como confirmador de uma pergunta do tipo sim/ não. Para verificar tal fenômeno, recorreu-se a uma amostra de fala do PB, para que se analisasse esse fenômeno no uso concreto da língua, bem como a uma pesquisa bibliográfica, a partir dos compêndios gramaticais e de trabalhos linguísticos que versassem sobre o tema. Com base nisso, objetivou-se explicar a origem e funcionamento deste item, tomando como construto teórico as bases da corrente sociolinguística e funcionalista.
Reservou-se, ainda, uma seção para tratar de dois pontos que envolvem o contexto de ocorrência deste fenômeno: as perguntas confirmativas e o gênero discursivo. Discutiu-se também sobre o conceito do verbo, especificamente do verbo “ser”, buscando avaliá-lo quanto a sua natureza e funções.
A partir de uma análise sociolinguística, foram levantadas, codificadas e analisadas as formas concorrentes com o “ser confirmativo”, no contexto aqui referido, para, num segundo momento, se fazer as considerações da atuação desse fenômeno. Os resultados obtidos a partir dessa análise indicaram o amplo e prioritário emprego desta forma de confirmação em detrimento das demais, o que parece ser justificado pelo alto grau de gramaticalidade desta forma e um possível encaminhamento da mesma às funções conversacionais do discurso.
Numa segunda linha de análise, observou-se qual seria a melhor representação para tratar este fenômeno à luz da teoria funcionalista da linguagem. Para isso, observou-se o grau de gramaticalidade do “ser confirmativo” em comparação com os demais empregos do verbo ser, mas sem a necessidade de se explicar qual forma seria uma possível derivação de outra.

Gabriela Cristina Almeida Lamim

Título: Ordens SV e VS nas vozes ativa e passiva em livros didáticos de história

Orientadores: Maria Maura Cezário e Roberto de Freitas Jr. Páginas: 117


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Este trabalho tem por objetivo analisar as cláusulas sujeito-verbo (SV) e verbosujeito (VS) em livros didáticos de História, a fim de investigar se apresentam o mesmo comportamento nesse contexto daquele já exposto por outros autores. A base teórica deste estudo é a Linguística Centrada no Uso, seus pressupostos e sua visão de que a gramática é proveniente do discurso e moldada por habilidades cognitivas gerais. Sabe-se que a escolha entre estas ordenações não é aleatória, mas oriunda de uma aliança entre fatores sintáticos e pragmático-discursivos, visto que apenas determinadas estruturas, em contextos específicos, são passíveis de possuirem um sujeito posposto. O corpus utilizado foi composto por duas coleções de livros didáticos de História, uma mais informal e outra mais formal, para que procurássemos estabelecer possíveis diferenças entre o comportamento das ordenações nesses tipos de texto. Referente ao sujeito, analisamos os fatores status informacional, definitude, extensão, agentividade, animacidade, volição referente ao SN sujeito, e analisamos ainda, posição da claúsula e preenchimento à esquerda nas sentenças SV e VS. Por meio da análise, constatamos que os resultados sobre as ordens SV e VS, nesse gênero, ratificam aqueles encontrados em estudos anteriores. Destacamos a quantidade expressiva de cláusulas VS, o que nos levou a concluir que este gênero propicia a posposição do sujeito e também o uso da voz passiva.

Pollyanna Pereira de Castro

Título: As construções interrogativas, de tópico e de foco na língua crioula de Guiné-Bissau

Orientador: Márcia Dâmaso Vieira Páginas: 192


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Esta dissertação tem por objetivo descrever e discutir a natureza das construções A-barra com e sem resumptivos, as estruturas de redobro de sujeito e a constituição interna do Sintagma Complementizador (CP) do crioulo guineense (CG). Observamos as estruturas interrogativas, de tópico e de foco, com o intuito de verificar as propostas de Rizzi (1997, 2004) sobre a hierarquia das projeções funcionais na periferia esquerda da oração e de Alexandre (2007, 2009a) sobre a derivação dos vários tipos de construções A-barra existentes. Para descrever e discutir as construções de redobro de sujeito, utilizamos a proposta de análise de Tavares Silva (2005).
As evidências encontradas nos dados do CG mostram que a língua permite estruturas A-barra com e sem movimento. A presença de resumptivos indica que a estrutura não foi derivada por movimento, já que tais elementos podem ocorrer em contextos de ilhas sintáticas.
Verificamos também que os casos de redobro de sujeito escondem duas representações diferentes. Em alguns casos, trata-se de tópico com deslocamento à esquerda. Em outros casos, tem-se um DP complexo que ocupa a posição de sujeito em [Spec, IP].
Os dados relacionados às estruturas A-barra do CG também mostram que existem várias projeções funcionais na periferia esquerda da oração, conforme postulado pelo projeto cartográfico de Rizzi.
Para alcançar os nossos objetivos, foram analisados dados linguísticos primários por mim coletados junto a um falante nativo da língua, Eliseu Jose Pereira Lé, aluno da Faculdade de Letras/UFRJ.

Mariana Ximenes Bastos

Título: O uso de Sintagmas Nominais complexos em artigos de divulgação científica

Orientador: Vera Lúcia Paredes Páginas: 123


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Este trabalho investiga o comportamento dos Sintagmas Nominais complexos (SNs) em artigos de divulgação científica. Consideramos como SNs complexos todos os SNs formados por, pelo menos, três itens, incluindo o núcleo-nominal. Entre os SNs complexos nos interessamos, especificamente, pelos que contêm nominalizações, que, por se tratarem de um recurso condensador de informação, podem propiciar a ocorrência de SNs mais complexos. Analisamos, quanto às nominalizações, a sua natureza morfológica e a posição que ocupavam dentro do SN. Investigamos, ainda, em relação aos SNs complexos a função sintática em que ocorrem, opondo sujeitos e objetos, o que nos revelou a alta incidência de SNs complexos na função de objeto, o que representava a posição à direita do verbo tendo em vista à ordenação canônica dos termos em nossos dados. Para avaliar a complexidade, também foram contabilizados a quantidade de itens lexicais nos SNs, o número de encaixes e de projeções argumentais das nominalizações. Por fim, analisamos o estatuto informacional dos SNs. A análise dos aspectos mencionados permitiu que confirmássemos nossa hipótese de encontrar SNs mais complexos à direita do verbo, confirmando as propostas de Chafe (1994) e Wasow (1997). Por outro lado, os resultados dessa investigação dos SNs evidenciaram a ocorrência de poucos SNs de maior complexidade, o que se correlaciona com o gênero em questão. O artigo de divulgação científica pode ser definido como um gênero que divulga descobertas científicas recentes para um público de não-especialistas, por isso mesmo o jornalista se vê obrigado a lançar mão de recursos que tornem a leitura acessível ao público leigo. Neste sentido, entre as demais estratégias encontradas estão o uso de paráfrase, metalinguagem, aposto, metáfora, exemplificação e infografia que aproximam o leitor do texto.

Paloma Bruna Silva de Almeida

Título: Subjetividade e intersubjetividade em construções condicionais do português brasileiro

Orientador: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 74


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Este trabalho investiga construções condicionais do português brasileiro, sob a perspectiva teórica da Linguística Cognitiva. Mais especificamente, a pesquisa enfoca condicionais que admitem alternância entre futuro do subjuntivo e presente do indicativo, na prótase, e/ou futuro do indicativo e presente do indicativo, na apódose.
A investigação tem como base teórica a Teoria dos Espaços Mentais (Fauconnier 1994, 1997 e; Fauconnier e Sweetser 1996), a partir de estudos sobre relação causal estabelecida entre a prótase e a apódose em condicionais (Sweetser 1990; Dancygier 1992, 1993; Dancygier e Sweetser, 2005 e Gomes, 2008) e de contribuições recentes sobre subjetividade e intersubjetividade (Langacker 1990; Traugott e Dasher, 2005) e seus desdobramentos em termos da noção de Base Comunicativa (Sanders, Sanders e Sweetser, 2009; Ferrari e Sweetser, 2012).
A pesquisa foi desenvolvida a partir de corpora escritos formado por construções condicionais provenientes de textos jornalísticos do jornal O Globo e da Revista Época durante o período de 2010 – 2012, além de construções condicionais presentes em textos literários, retirado de corpus eletrônico do português (http://www.corpusdoportugues.org)
O principal argumento da dissertação é que as condicionais investigadas refletem a perspectiva subjetiva e/ou intersubjetiva do falante, associada à projeção ascendente de informação na Base Comunicativa em função de estratégias de recuo temporal.