Neste ano foram defendidas 19 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Marcela Branco da Silva

Título: Aquisição Fonológica em Crianças Falantes Tardios: Um Estudo de Caso

Orientadora: Christina Abreu Gomes Páginas: 67


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A atual dissertação procurou analisar, a partir de um estudo de caso, como ocorre o desenvolvimento fonológico de uma criança diagnosticada com Atraso na Aquisição da Linguagem. Além disso, pretendeu-se observar qual tipo ou nível de abstração postulado por Pierrehumbert (2003) estaria afetado e observar como foi a evolução fonoaudiológica da criança que participou do estudo de caso. Esse trabalho fundamentou-se nos pressupostos teóricos da Fonologia de Uso, a qual postula que o conhecimento fonológico é construído a partir da experiência do falante em falar e ouvir, havendo correlação do uso da língua com as características inatas da cognição. Para a coleta dos dados foram utilizados os testes de vocabulário receptivo Peabody de Dunn & Dunn (1997), a prova de fonologia do ABFW e o teste de repetição de não-palavras de Esteves (2013). Os dados foram coletados em três momentos diferentes e comparados aos achados de crianças com desenvolvimento típico na mesma faixa etária, além de comparação entre as três coletas da própria criança participante do estudo de caso. O esperado era que houvesse um atraso na emergência do conhecimento fonológico, devido à defasagem no seu léxico, assim como observado nos chamados “falantes tardios” por Vihman (2009) o que foi verificado no presente estudo.

Carolina Piechotta Martins Santos

Título: Gramática e cognição: um estudo de construções binominais

Orientadora: Maria Maura Conceição Cezario Páginas: 101


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Este estudo tem por objetivo geral investigar a flutuação de sentido quantidade-qualidade licenciada pelo uso de construtos binominais do tipo SN1 de SN2, como xícara de chá, no Português do Brasil. A pesquisa é baseada na perspectiva teórica da Linguística Funcional Centrada no Uso(BYBEE, 2010; BARLOW E KEMMER, 2000; TOMASELLO, 2003, TRAUGOTT, 2008), que apresenta algumas premissas: (i) assume que a gramática é proveniente do discurso e (ii) considera que linguagem é parte cognição. Esta pesquisa busca descrever as propriedades morfossintáticas, semântico-pragmáticas e cognitivas dos usos das construções que favorecem uma leitura ora qualitativa, ora quantitativa no que se refere à relação entre SN1 e SN2. A hipótese que guia o estudo é a de que as estruturas binominais podem ser tratadas em termos de construções gramaticais.
Com base na análise dos dados, foi possível estabelecer os fatores semânticos e formais que favorecem cada uma das leituras. Em relação ao tipo de verbo, percebemos uma tendência de os verbos materiais ligarem-se aos construtos qualitativos e quantitativos. No que tange ao elemento à esquerda de SN1, constatamos que o numeral associa-se frequentemente à leitura quantitativa, já os artigos indefinidos e definidos restringiram-se a anteceder construtos com leitura qualitativa. Comprovamos, com a análise, que a ausência de modificador após SN2 foi mais frequente tanto na leitura qualitativa, quanto na leitura quantitativa. Assim, postulamos uma configuração prototípica dos construtos com leitura qualitativa e daqueles com leitura quantitativa.

Jamille Vieira Soares

Título: Estudo da fala conectada na região metropolitana do Rio de Janeiro

Orientadora: Tânia Clemente de Souza Páginas: 81


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Esta dissertação tem como tema o estudo da fala conectada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Tradicionalmente, este fenômeno é denominado de sândi externo, pois a ocorrência se dá em fronteira de palavras. Dado o número de trabalhos com esse tema, achamos oportuno abordar esse assunto por uma outra perspectiva, no caso, uma análise fonética experimental, a fim de tentar explicar e determinar que fatores estão envolvidos na realização do fenômeno, ou seja, o sândi vocálico externo.
Como objetivo geral, procurou-se enfocar o fenômeno do Sândi em sua totalidade, explicitando, assim, sua abrangência no dialeto carioca e constatar se este fenômeno se apresenta como constante. Dentre nossos objetivos, ainda, está a comprovação da hipótese de o fenômeno não se limitar apenas à queda de vogais átonas, como foi descrito em outros trabalhos. Concluímos que o sândi, não só mantém a sua abrangência, como se mantém constante na língua. Concluímos, ainda, que é no movimento recursivo dos padrões prosódicos que se institui a juntura, tornando os níveis de velocidade de fala irrelevantes. A abordagem física do fenômeno mostrou, portanto, que outras explicações, fora do âmbito da fonologia, podem ser oferecidas, trazendo não só evidências à recursividade prosódica, quanto colocando em perspectiva um campo fértil de discussões.

Patricia Noro de Oliveira

Título: “Vacilou, dançou”: as condicionais coordenadas sob a perspectiva da Linguística Cognitiva

Orientadora: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 92


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A presente pesquisa tem como foco construções coordenadas estruturadas de forma a conferir interpretação condicional. Mais especificamente, pretende-se observar construções coordenadas do tipo P[pret. perf.], Q[pret. perf.], como “Achou o vale brinde, ganhou” e “Vacilou, dançou”, as quais, conforme verificado nos dados, são bastante produtivas em dados provenientes de fala espontânea.
Para a investigação, adota-se a perspectiva da Linguística Cognitiva e, mais especificamente, da Teoria dos Espaços Mentais, desenvolvida por Fauconnier (1994, 1997) e Fauconnier & Turner (2002) A pesquisa toma como base os estudos desenvolvidos por Eve Sweetser (1990), Barbara Dancygier (1992) e Dancygier & Sweetser(2005), a respeito das construções condicionais e suas relações em diferentes domínios cognitivos.
Os dados utilizados nesta pesquisa são provenientes do Corpus LINC de fala espontânea, que reúne dados observados e recolhidos em situações de fala do cotidiano e transcrições de conversações espontâneas.

As seguintes generalizações puderam ser feitas:
1. no nível sintático, as formas verbais, que são flexionadas na terceira pessoa do pretérito perfeito, são coordenadas;
2. morfologicamente, a construção apresenta uso não canônico do pretérito perfeito, o que resulta de uma operação específica de mesclagem;
3. no nível semântico, a construção apresenta eventos não passados de relação causativa.
O objetivo principal da pesquisa é descrever os mecanismos cognitivos que desencadeiam inferências de condicionalidade nesse tipo de construção e explicar as consequências semântico-pragmáticas das escolhas modo-temporais feitas pelo falante ao optar por tais estruturas.
Em relação a estudos anteriores, este trabalho visa a contribuir para a descrição do português brasileiro, não apenas identificando estruturas coordenadas capazes de ativar inferências de condicionalidade, mas também buscando uma análise inovadora para o fenômeno a partir do referencial teórico da Linguística Cognitiva.

Mariana de Araujo Jaggi

Título: A estrutura argumental dos verbos location/locatum, sob a ótica da morfologia distribuída

Orientadora: Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 64


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Nesta dissertação, pretende-se investigar a estrutura argumental dos verbos locativos, especialmente sua característica de não-alternância causativo-incoativa, baseando-se no modelo teórico da Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993; MARANTZ, 1997) e em propostas apresentadas em manuscritos de Marantz e Matellán e Puidollers. Muito pouco parece ter sido investigado, no Brasil, a respeito desses verbos, em especial a respeito de sua característica exclusivamente transitiva. Apesar de existirem alguns trabalhos sobre verbos denominais, cujo modelo teórico é a Morfologia Distribuída, parece não haver publicação específica sobre location/locatum. Reuniram-se mais de cento e oitenta verbos, classificados como location/locatum, a partir do Dicionário eletrônico HOUAISS da Língua Portuguesa, compondo, assim os dados da nossa pesquisa. O presente trabalho propõe uma análise estrutural para esses verbos, assim como apresentar uma proposta de explicação para o problema da não-alternância.

Jillian Katiucia dos Santos Antunes

Título: A Variação no Uso dos Conectores Conclusivos então, aí, por isso e zero na Fala Carioca

Orientadora: Helena Gryner Páginas: 150


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O objetivo desta pesquisa é analisar os conectores utilizados para introduzir orações conclusivas no português falado do Rio de Janeiro. A maioria dos estudos gramaticais identifica a conclusiva com base em uma conjunção precedente obrigatória (logo, pois, portanto). Entretanto, mesmo uma simples observação da fala coloquial da cidade do Rio de Janeiro permite constatar que o elo entre a coordenada conclusiva e a correspondente explicativa que a precede pode ser expresso, quer por outros conectores (então, aí e por isso), quer pela ausência de qualquer elo explícito (aqui rotulado zero), caso em que é recuperável pelo contexto. Foram analisadas 48 entrevistas de falantes cariocas extraídas da amostra Censo 80 (PEUL/UFRJ), o que resultou em um corpus formado por 431 dados. A pesquisa se baseia nos princípios teórico-metodológicos da Teoria da Variação – análise quantitativa em que se estabelecem correlações estatísticas (Programa Goldvarb) entre contextos linguísticos e sociais as formas alternantes de expressar a conclusão – na análise do discurso – propostas da tipologia textual – e no Funcionalismo Linguístico – princípios da iconicidade e da motivação econômica, e na hipótese da gramaticalização. Discutimos a relevância de contextos discursivos-textuais, sintático-semânticos, semânticos e sociais. A convergência dos contextos selecionados para o uso das variantes permite inferir a existência de um sistema subjacente, variável e uno, para a construção causal de explicação-conclusão.

André Felipe Cunha Vieira

Título: Construção SNpleno-tópicoi + SNproi + Verbo no Português do Brasil: Uma análise funcional baseada no uso.

Orientadora: Maria Luiza Braga Páginas: 122


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Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

A construção SNpleno-tópicoi + (Material Interveniente) + SNproi + Verbo + (Complemento) no Português do Brasil no gênero textual Podcast de temática Nerd. Caracterização dos níveis sintático, prosódico e funcional da construção.

Rejane das Neves de Souza

Título: Formação de palavras na língua portuguesa sob a ótica da Morfologia Distribuída

Orientadora: Miriam Lemle Páginas: 77


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Linha de pesquisa:Gramática na teoria Gerativa

A propriedade particularmente interessante da teoria da Morfologia Distribuída é a extensão da sintaxe para abarcar também a estrutura das palavras. Essa extensão da sintaxe nos convida a perceber a riqueza dos processos de criar palavras novas com significados que os ouvintes ou leitores compreendem por serem calculados composicionalmente. A teoria legitima também a formação de leituras idiomáticas dentro de palavras, sendo esta a propriedade que permite variação idiomática. O fato de haver sintaxe dentro das palavras permite a criação constante de palavras novas. As palavras novas podem ser provenientes de nomes próprios, mas até mesmo nesse caso o significado da palavra como um todo prescinde da informação sobre a pessoa cujo nome constitui a raiz da palavra. A propriedade gerativa no nível da palavra é explorada na arte literária, e há escritores que se exercitam no talento de inventar palavras novas. Nesta dissertação são estudados os mecanismos de criação sintática intralexical em três escritores: Mia Couto, Ondjaki e Dias Gomes. A capacidade dos escritores de inventar neologismos e dos seus leitores de os compreenderem é a melhor prova empírica de que a proposta teórica da Morfologia Distribuída é verdadeira: há sintaxe no interior das palavras.

Cintia Coutinho de Souza

Título: Preposições em português: uma análise dentro da Gramática Gerativa

Orientadora: Aleria Cavalcante Lage Páginas: 169


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Linha de pesquisa:Gramática na teoria Gerativa

Essa pesquisa tem o objetivo de descrever o comportamento sintático-semântico de preposições em português, com base na Teoria da Gramática Gerativa. Assim, abordam-se também sintagmas preposicionais, papéis temáticos, caso estrutural, caso morfológico, preposições lexicais, preposições funcionais e Princípios e Parâmetros, além de se estabelecer um confronto com a Gramática Normativa, mostrando que a perspectiva tradicional não é suficiente para explicar os fenômenos linguísticos que de fato ocorrem no que se refere às preposições. Desse modo, comparam-se dados da Gramática Normativa, comumente de obras literárias clássicas, com dados da língua falada e, tendo como base os postulados da Gramática Gerativa, verifica-se a relevância da contribuição dessa teoria ao focalizar o tema. O sintagma determinante introduzido por uma preposição, formando, portanto, um sintagma preposicional, pode ser argumento da preposição ou não. Se for, estamos diante de uma preposição lexical; e o sintagma determinante recebe então não só Caso da preposição, mas também papel temático; diferentemente da preposição funcional, que só atribui Caso, não atribui papel temático, ao sintagma determinante que é seu complemento na estrutura sintática. Aqui temos a diferença entre sintagmas preposicionais do tipo adjunto, seja de verbo, de nome ou de adjetivo, em que a preposição que o encabeça é uma preposição lexical; e sintagmas preposicionais do tipo complemento, de verbo, de nome ou de adjetivo, em que a preposição que o encabeça é uma preposição funcional.

Jannine Vieira Soares

Título: Para uma análise dos verbos psicológicos do tipo objeto-experienciador no português do Brasil

Orientadora: Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 74


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Linha de pesquisa:Gramática na teoria Gerativa

Esta pesquisa apresenta certas peculiaridades sintáticas e semânticas de verbos conhecidos na literatura como verbos psicológicos do tipo objeto experienciador. Esses verbos são assim chamados porque incluem em seu significado um estado mental (psicológico) que seu argumento interno passa a ter como decorrência do evento a eles associado. Esta pesquisa terá como fundamentação teórica a Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993; MARANTZ, 1997, 2001), e tentará decompor tais verbos em uma estrutura de evento que será representada na sintaxe (RAMCHAND, 2003; PYLKKÄNEN, 2002; CUERVO, 2003; LIN, 2004; MARANTZ, 2007; HALE; KEYSER, 1993; etc.).
Uma das peculiaridades dos verbos psicológicos do tipo Objeto-experienciador é permitirem paráfrases que estão relacionadas aos nomes de estado psicológico associados a eles, como, por exemplo, em amedrontar/causar medo e animar/causar ânimo. Muitos desses verbos apresentam, ainda, propriedades morfofonológicas que dão certa indicação de derivação denominal. O verbo emocionar, por exemplo, possui a terminação nominal –ion, de nominalizações no português, que indica que o verbo derivou do nome emoção e não de alguma outra classe de palavra ou de uma raiz acategorial (MARANTZ, 1997). Cremos que a raiz ou nome de base em tais verbos nomeia estados psicológicos e que há uma relação, sintática e semântica (HALE; KEYSER, 1993), estabelecida por um morfema (um prefixo), entre o nome ou raiz que nomeia tal estado psicológico e o complemento do verbo, seu argumento interno. Acreditamos que a estrutura morfológica possa dar explicação para os fenômenos observados em Cançado (2002), Pesetsky (1995) e Landau (2010).
Nessa pesquisa, pretendo entender, portanto, como os Verbos Psicológicos do tipo objeto-experienciador fazem a seleção de seus argumentos, por que eles têm as particularidades de comportamento sintático mencionadas acima e como são interpretados com base no tipo de evento a que estão relacionados ou a estrutura de evento ligada a eles; que relação há entre a morfologia do verbo e a estrutura de evento relacionada a eles.

Pedro Ivo Vasconcelos da Costa Pinto

Título: Aspectos Discursivos de Sintagmas Nominais Complexos em Crônicas Jornalísticas

Orientadora: Vera Lucia Paredes Silva Páginas: 86


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Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

Esta dissertação busca compreender os papeis que as formas linguísticas, particularmente os sintagmas nominais, assumem na constituição da crônica jornalística enquanto gênero textual. O corpus é formado por dezenove crônicas publicadas em um periódico de grande circulação do Rio de Janeiro, o jornal O Globo. Um gênero textual desempenha uma função específica na comunicação. No caso da crônica, entendemos que sua função no domínio jornalístico é entreter o leitor e estimular a reflexão sobre um assunto qualquer. A perspectiva de gênero adotada baseia-se em Bakhtin, que destaca três componentes principais dos gêneros: conteúdo temático, organização composicional e estilo.
Os sintagmas nominais complexos (SNs complexos) são definidos como uma categoria sintática cujo núcleo é um nome, ao qual estão ligadas pelo menos duas palavras de classes diferentes ou um encaixe. Estes SNs são analisados de acordo com alguns critérios, formais e funcionais: função sintática, número de constituintes, número de encaixes, status informacional e natureza semântico-pragmática do núcleo. A análise dos SNs complexos segundo estes critérios nos ajuda a compreender melhor os seus usos no gênero crônica jornalística.
Contabilizados todos os SNs (complexos e não complexos), os resultados mostram que, nos textos estudados, há predominância de SNs com menos de três itens lexicais, com um ou nenhum encaixe e com núcleo de natureza semântico-pragmática não relacional. Chama atenção o alto número de referentes novos (50%) sobretudo na função de sujeito (40%) quando a literatura aponta que, nesta função, tendem a ocorrer referentes velhos. é de se esperar que nesta função apareçam em número reduzido. Também se verificou baixa ocorrência de nominalizações (15%), o que representa um percentual baixo, se comparado com outros gêneros da escrita jornalística (XIMENES, 2013). Verificou-se, portanto, que, na crônica, a nominalização não é um recurso muito usado. Estes aspectos possibilitam uma explicação linguisticamente fundamentada para a informalidade e a leveza que os teóricos atribuem ao estilo da crônica: as estruturas mais simples e referências mais concretas seriam recursos estilísticos para a produção de textos mais leves e informais.

Manuela Correa de Oliveira

Título:It-clefts, Pseudo-clefts e Inverted Pseudo-clefts: Estudo Comparativo das Orações Clivadas em Inglês e Português

Orientadora: Maria Luiza Braga Páginas: 114


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Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

Este trabalho versa sobre o uso de construções clivadas no inglês e no português a partir de um estudo comparativo entre as duas línguas. Para o inglês, utilizei duas obras britânicas: The Picture of Dorian Gray e Harry Potter and the Philosopher’s Stone. A fim de fazer o cotejo entre as duas línguas, utilizei a tradução das obras de Oscar Wilde e J.K. Rowling: O Retrato de Dorian Gray, romance traduzido por Ligia Junqueira, e Harry Potter e a Pedra Filosofal, romance traduzido por Lia Wyler, respectivamente. Observei peculiaridades relacionadas à tradução sob a luz de teóricos como Venuti (2005), Barbosa (1999) e Jakobson (1974). O estudo das construções foi baseado nas análises prévias de Braga (2009), Lambrecht (2001), Prince (1978), Pinedo (2000), Delin e Oberlander (2005), dentre outros. A análise do fenômeno em questão foi feita a partir da observação dos constituintes focalizados das construções segundo os seguintes critérios: classe gramatical, função sintática, status informacional e presença de expressão adicional de realce. A investigação do fenômeno mostrou que existem diferenças entre as duas línguas no que tange à sintaxe, revelando que os tradutores lançam mão de estratégias linguísticas diversas a fim de preservar as funções comunicativas apresentas nos textos originais. No entanto, foram encontradas instâncias cujas funções pragmático-discursivas do texto original se perderam no texto traduzido. O número de ocorrências clivadas entre os dois romances é divergente, o que pode ser um indício para a correlação entre o uso de clivadas e os textos em questão.

Felipe Diogo de Oliveira

Título:O uso de Sintagmas Nominais Complexos em blogs de opinião esportiva brasileiros e argentinos

Orientadora: Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva Páginas: 91


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Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

Esta dissertação analisa o uso de Sintagmas Nominais (SNs) complexos em blogs de opinião esportiva, à luz do Funcionalismo linguístico e das concepções de gêneros textuais, sobretudo as de Bakhtin (2003) e de Halliday & Hasan (1989). Nesse sentido, concebem-se os blogs como um gênero autônomo por apresentarem configurações e características próprias. A hipótese geral que este trabalho verifica é a de que existe correlação entre a configuração dos SNs e o gênero blog de opinião esportiva. Foram considerados SNs complexos aqueles que, contando com o núcleo, possuem três ou mais constituintes. Para este trabalho, utilizaram-se blogs de opinião esportiva vinculados a dois grupos jornalísticos, a saber: SporTV e Olé, ambos de prestígio e de alta penetração nas sociedades brasileira e argentina, respectivamente. Nesses blogs, foram coletados SNs complexos, cujos diversos aspectos são investigados e submetidos a um tratamento de distribuição e frequência de uso. Os critérios para medir a complexidade dos SNs foram: (i) quantidade de itens lexicais e (ii) a quantidade e posições dos encaixes desses SNs. Sob o ponto de vista sintático-discursivo, leva-se em conta a função sintática dos SNs, os traços [humano] e [coletivo] e o status informacional que esses SNs carreiam (cf. PRINCE, 1981). Além disso, controla-se também o uso das nominalizações nesses SNs. Nesse sentido, foram considerados os tipos de nominalização, as posições que ocupam no SN e a quantidade de argumentos que projetam. Analisando esses aspectos, confirmamos as propostas do Ponto de Partida Leve de Chafe (1984) e do maior peso à direita da oração (cf. QUIRK ET AL., apud NIV, 1992, p. 285; WASOW, 1997). Os resultados mostram ainda que o gênero blog de opinião esportiva pode ser caracterizado pelo uso de SNs pouco complexos, independente do idioma (no caso, espanhol e português) e do contexto de cultura em questão (cf. HALIDAY & HASAN, Op. Cit.). Ademais, foi encontrada baixa incidência de nominalizações. Essas duas características afastam esses blogs dos resultados já encontrados em outros gêneros do domínio jornalístico (cf. OLIVEIRA, 2013; PAREDES SILVA, 2011) e os aproximam mais da fala coloquial

Suzana do Couto Mendes

Título:Habilidades do Processamento Auditivo e Conhecimento Fonológico em Crianças com Desenvolvimento Típico

Orientadora: Christina Abreu Gomes Páginas: 144


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Linha de pesquisa:Modelos Funcionais Baseados no Uso

A presente dissertação teve como objetivo analisar a emergência da gramática fonológica em crianças com desenvolvimento típico e averiguar a existência da relação entre o processamento auditivo central (PAC) e conhecimento fonológico.
Fundamentada nos pressupostos teóricos da Fonologia de Uso e Fonologia Probabilística, a hipótese geral é que o conhecimento fonológico relacionado às restrições fonotáticas da sílaba emerge a partir das representações das palavras armazenadas do léxico. Assim, o esperado é que quanto maior o léxico mais estruturas fonológicas farão parte da gramática fonológica abstraída do falante e mais robustez será conferida às representações. Outra hipótese investigada se refere à existência da relação entre habilidades do PAC e robustez do conhecimento fonológico abstrato. Para testar essas hipóteses foi utilizado um teste de repetição de não-palavras com o propósito de avaliar o conhecimento fonológico do falante através da acuracidade na repetição, o teste de vocabulário receptivo Peabody, a prova de nomeação do ABFW e uma triagem do PAC. Os resultados ratificam a hipótese geral de que o conhecimento fonológico emerge do léxico. As crianças com léxicos maiores apresentaram grau de acuracidade na repetição maior do que as crianças com léxicos menores. Além disso, foi encontrado o efeito de frequência, isto é, as não-palavras compostas por sílabas de alta frequência foram repetidas de forma mais acurada que as não-palavras composta por constituintes de baixa frequência, entretanto, esse efeito tendeu a desaparecer a medida que o léxico aumentou de tamanho. Os resultados demostraram também não haver relação entre o desempenho na triagem do PAC e o grau de acuracidade na repetição. No entanto, mais estudos precisam ser feitos para esclarecer de forma mais aprofundada essas relações.

Priscila da Cunha Lessa

Título:O Papel do Ordenamento dos Elementos Referencialmente Dependentes no Processamento da Correferência em Português do Brasil.

Orientador: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 125


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Linha de pesquisa: Gramática na teoria Gerativa

O presente trabalho visa contribuir, com dados empíricos, para a pesquisa gerativa em aspectos da correferência e da resolução pronominal em Português do Brasil. A pesquisa é, portanto, um trabalho de sintaxe experimental, que focaliza o papel que a ordenação dos elementos referencialmente dependentes pode desempenhar na caracterização do fenômeno da correferência, resolvendo-a no âmbito intrassentencial (correferência sintática stricto sensu) ou inter-sentencial (área que dialoga com a pragmática do discurso). Realizamos dois experimentos de leitura automonitorada, um experimento de produção eliciada e um experimento de rastreamento ocular. O conjunto dos experimentos nos permite dizer que parece haver um efeito causado pelo ordenamento dos elementos, causando diferenças no processamento entre as catáforas e anáforas. O material fonético presente ou ausente dos pronomes também parece ter um papel importante na compreensão de estruturas potencialmente correferenciais em PB.

Katharine de Freitas Pereira Neto Aragão da Hora

Título:O Processamento da Correferência Pronominal Anafórica em Estruturas Complexas de Português Brasileiro.

Orientador: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 182


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Linha de pesquisa: Linguagem, Mente e Cérebro

Este trabalho tem como objetivo contribuir para a identificação de quatro dos fatores envolvidos no processamento correferencial de expressões anafóricas, em contextos de estruturas subordinativas do Português Brasileiro. Estudam-se os fatores (i) posição estrutural, (ii) paralelismo sintático, (iii) ordem de orações e (iv) tipo de expressão anafórica.
O primeiro experimento foi um teste de leitura automonitorada que teve o objetivo de observar como os falantes/ouvintes de português brasileiro (PB) preferem fazer as retomadas de anáforas em posição de sujeito e de objeto. As estruturas frásicas tinham a ordem subordinante/subordinada. Na primeira oração foram sempre introduzidos dois nomes próprios com funções sintáticas diferentes e gêneros diferentes, um sendo o sujeito e o outro, o objeto. Na oração subordinada, tínhamos sempre uma adverbial temporal introduzida pelo conector “quando” e duas possíveis retomadas anafóricas que variavam quanto a forma, ora era nula, ora era realizada.
No segundo experimento, foi aplicado um teste off-line de questionário, onde foi abordada a questão do traço de número (singular e plural). Foram utilizadas estruturas frásicas com ordem subordinante/subordinada e subordinada/subordinante. As orações subordinadas eram adverbiais concessivas. A expressão anafórica, que nesse experimento só aparecia em posição de sujeito, ora era nula, ora era realizada, tendo como possíveis antecedentes dois SNs comuns, ocupando posições sintáticas diferentes, um na posição de sujeito e o outro na posição de objeto, variando em relação ao número de acordo com sua retomada.
No terceiro e quarto experimentos, foram aplicados dois testes de leitura automonitorada em que foram usadas estruturas próximas das estruturas usadas no segundo experimento. Em um dos experimentos colocamos em jogo o traço de número e no outro o traço de gênero.
Conclui-se que, em PB, diferentemente do que ocorre com as outras línguas pro-drop, como o Italiano e o Português Europeu, os pronomes, nulos e plenos, não têm complementaridade em seu uso. Em PB os pronomes são usados de maneira semelhante. Além disso, a Hipótese do Paralelismo Sintático, que era a nossa hipótese principal, não pode ser confirmada.

Guilherme Mathias Netto Galván

Título:Causativas: um estudo comparativo entre o russo e o paumari

Orientadora: Marcia Maria Damaso Vieira Páginas: 75


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Linha de pesquisa: Gramática na teoria Gerativa

A discussão sobre o papel dos morfemas funcionais no licenciamento de argumentos é o tema principal deste trabalho, que aborda dados das construções causativas de duas línguas geneticamente distintas: o russo e o paumari.
A escolha dessas duas línguas se deu pelo fato de ambas apresentarem construções causativas estruturalmente semelhantes, em que apenas um evento causador é identificado, mas nenhum argumento agente extra é licenciado.
Adotando os pressupostos teóricos da Morfologia Distribuída, através das propostas de Pyllkänen (2002) sobre a parametrização do morfema Causa e de Markman (2003) sobre a relação entre Causa e caso acusativo, esse estudo tenta corroborar a hipótese de que as noções argumento externo e evento causativo são introduzidas por dois morfemas distintos: Voz e Causa respectivamente.

Michele Calil dos Santos Alves

Título:Processamento do traço de gênero na correferência pronominal com antecedentes sobrecomuns e comuns de dois gêneros no português do Brasil

Orientador: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 136


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Linha de pesquisa: Gramática na teoria Gerativa

O objetivo desta dissertação de mestrado é investigar a realidade psicológica dos traços de gênero gramatical, bem como o papel do gênero no curso temporal do processamento da resolução da correferência pronominal no português do Brasil (PB). Os sobrecomuns, “(a) visita”, possuem gênero gramatical, diferentemente dos comuns de dois gêneros, “(o/a) visitante”, que seriam, portanto, mais dependentes do contexto. O que acontece, então, durante o processamento da correferência interssentencial com antecedentes sobrecomuns e comuns de dois gêneros? Quais desses tipos de antecedente teria resolução de correferência menos custosa no processamento? Qual o gênero do pronome que os retoma mais facilmente? E o contexto pode influenciar de algum modo a correferência entre antecedentes e pronomes? Homens e mulheres respondem a esses estímulos de maneira diferente?
De acordo com Cacciari, Carreiras, Cionini (1997), para o italiano e Lawall, Maia & Amaral (2012), para o português brasileiro, os pronomes das frases cujos antecedentes são sobrecomuns e possuem traços de gênero congruentes entre si são lidos com tempos médios de leitura significativamente menores que aqueles que possuem gênero gramatical incongruente. Por sua vez, em Cacciari, Corradini, Padovani & Carreiras (2011) foi possível investigar o papel do contexto no processo da correferência em italiano. Quando o antecedente é um sobrecomum, o contexto não é levado em conta, e o gênero do nome baseia-se no gênero gramatical intrínseco a ele. Por outro lado, quando o antecedente é comum de dois gêneros, o contexto é responsável por atribuir o gênero do nome.
Tendo como base teórica a Psicolinguística Experimental, foram realizados dois experimentos, um de leitura automonitorada não cumulativa e outro de monitoramento ocular (eye-tracking). Os resultados indicam uma hierarquia de fatores durante o processamento da resolução da correferência pronominal no PB. O fator mais importante é o traço de gênero gramatical, seguido da concordância de gênero entre o antecedente e o pronome, e por fim, a congruência de gênero entre o contexto e pronome. Esta ordem é válida para os sobrecomuns, já os comuns de dois gêneros estão submetidos somente ao terceiro fator, pois não possuem um gênero fixo. Em ambos os experimentos, homens e mulheres não apresentaram diferenças significativas on-line, mas detectaram-se diferenças off-line entre esses grupos.

Helen de Andrade Abreu

Título:Aspectos genéricos da dêixis: o caso dos pronomes “we” e “you” em inglês

Orientador: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 64


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Linha de pesquisa: Linguagem, Mente e Cérebro

Esta dissertação propõe-se a investigar a polissemia dos dêiticos “we” e “you” do inglês. Como base teórica, utiliza a Teoria dos Espaços Mentais, de Fauconnier (1994, 1997), a noção de mesclagem conceptual (blending), de Fauconnier (1994) e Fauconnier e Turner (2002), e a noção de categorização proposta por Rosch (1973, 1978) e retomada por Lakoff (1987). Em termos analíticos, o trabalho parte de estudos anteriores que assumem uma perspectiva cognitivista da dêixis; em especial, as propostas de Rubba (1996) e de Marmaridou (2000).
As principais descobertas realizadas pela pesquisa são: a) os usos prototípicos dos dêiticos “we” e “you” são estruturados pelo MCI (Modelos Cognitivo Idealizado) da dêixis; b) cada um dos usos menos prototípicos desses dêiticos se afasta progressivamente do MCI da dêixis, criando uma categoria radial para cada dêitico a partir de seu MCI; c) diferentes processos de mesclagem conceptual estão associados à polissemia dos dêiticos “we” e “you”; d) em pelo menos um de seus usos, os dêiticos “we” e “you” são intercambiáveis, embora utilizados de acordo com estratégias retóricas distintas.
A principal contribuição do trabalho reside no aprofundamento da compreensão cognitivista sobre os dêiticos, em que se propõe uma articulação entre aspectos descritivos e explicativos. A análise dos dêiticos de pessoa nesta pesquisa conjuga a descrição da polissemia com a explicação dos processos cognitivos subjacentes à estruturação da categoria radial que organiza os diferentes sentidos de cada um dos dêiticos. Além disso, o trabalho propõe, de forma inédita para o inglês, um tratamento unificado para a polissemia de “we” e “you”, com base no processo cognitivo de mesclagem conceptual (blending).