Neste ano foram defendidas 10 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Kate Barbara de Mendonça Leal

Título: Um estudo do sândi externo: o contato entre o Português do Brasil e o Mbyá Guarani.

Orientadora: Marília Lopes da Costa Facó Soares Páginas: 186


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A presente dissertação investiga, sob a perspectiva da fonologia prosódica, o fenômeno prosódico de sândi na produção linguística de indígenas brasileiros Guarani Mbyá, falantes do português como segunda língua – L2. Nosso foco principal incide sobre os fenômenos de sândi externo, fenômenos que, ocorrendo na juntura de palavras pertencentes ao mesmo domínio prosódico, estão localizados entre as regras pós-lexicais do português. O processo de sândi é alvo natural de nosso interesse, na medida em que apresenta como condição sine qua non a exigência de que os elementos em jogo pertençam ao mesmo constituinte prosódico. O desafio que motiva este trabalho é o controle de aspectos prosódicos explicados pelo contato do português com as variedades da língua Guarani, sobretudo a variedade Mbyá Guarani, falada pelos Guarani de Paraty Mirim, estado do Rio de Janeiro.

Michelle Oliveira Correia

Título: Questões do vestibular ENEM: uma abordagem discursiva.

Orientador: Tânia Conceição Clemente de Sousa Páginas: 56


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Esta dissertação trabalha com pressupostos teóricos da escola francesa de Análise do Discurso (AD) colocando em xeque os aspectos linguísticos que tecem a discursividade das questões do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), vestibular unificado para acesso a grande maioria das universidades brasileiras. Defende-se que o percurso pela discursividade das questões se efetua por três níveis da linguagem: a gramaticalidade, a textualidade e a discursividade, diretriz proposta por Souza (2012). O corpus de nossa pesquisa é constituído de 10 questões, que exploram aspectos da linguagem verbal e não-verbal. O objetivo do trabalho é contribuir para o ensino de Língua Portuguesa, tomando como base metodológica o grau de compreensão dos enunciados nos três níveis citados acima. A pesquisa investe numa perspectiva interdisciplinar explorando, além dos conceitos inscritos no âmbito da Análise do Discurso, conceitos da gramática tradicional e da Linguística Textual.

Marisa Pereira Soares

Título:Análise do funcionamento discursivo do texto Condessa de Barral a paixão do imperador de autoria de Mary Del Priore.

Orientadora:Tânia Conceição Clemente de Sousa Páginas: 73


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Nossa dissertação tem como meta a análise do funcionamento discursivo do texto “Condessa de Barral a paixão do Imperador, de Mary Del Priore. Trata-se, segundo a autora, de uma biografia, escrita em 2008, em que retrata, baseando-se em documentos de arquivo e em cartas escritas por D. Pedro II, a vida de Luisa Maria Portugal e Barros e reconstrói o relacionamento entre o monarca e sua amiga da corte, a Condessa de Barral.
O percurso teórico adotado é o da escola francesa de Análise de Discurso, fundada por Michel Pêcheux e difundida no Brasil por Eni Orlandi.
Como estratégia de análise, buscamos todo o tempo descrever os gestos de interpretação de Del Priore no trabalho de leitura do Arquivo. Pelo viés da Análise de Discurso, o “Arquivo tem em si uma opacidade, permitindo uma leitura que traz à tona dispositivos e configurações significantes”. Del Priore se valeu dessa opacidade para, a partir de gestos contínuos de interpretação, trazer à luz o romance dos dois amigos nos dias atuais. Um relacionamento considerado por alguns historiadores como platônico, mas que na escrita de Del Priore, ganha o nome de paixão e efeito de verdade. Enfim, nosso trabalho buscou mostrar como se institui a passagem do real para a ficção, descrevendo os vários deslizamentos de sentido operados pela autora.

Gabrielle Bonzoumet Cardoso Salles

Título:Quantos nomes pode ter um mesmo objeto ou evento no mundo?

Orientador:Marcus Maia Páginas: 85


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A parte central deste estudo será uma comparação do vocabulário técnico da arte culinária entre três línguas: português do Brasil, inglês e francês. Ao observar as receitas, vemos que as expressões linguísticas diferem, porém apontam para o mesmo ato de execução no mundo extralinguístico. E uma questão se faz presente: existe também identidade semântica nas expressões linguísticas utilizadas nas receitas? Através desta pergunta no mundo da arte culinária, estamos examinando a questão filosófica da correspondência entre o mundo e configurações mentais. A reunião dos dados desse trabalho pretende proporcionar base empírica para a discussão linguística sobre a previsibilidade de correspondência entre gramática, semântica e pragmática.

Thais da Silveira Neves Araujo

Título:Aquisição de Aspecto no Português Brasileiro

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 141


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Este estudo tem como objetivo investigar se os morfemas flexionais estão relacionados aos valores de Tempo ou Aspecto nas etapas iniciais de aquisição de linguagem. Em outras palavras, o objetivo deste trabalho é entender qual dentre essas duas categorias emerge primeiramente na gramática da criança. Com isso, pretende-se também contribuir com as discussões acerca da arquitetura da camada flexional no que diz respeito à posição dessas duas categorias na árvore sintática, sendo aquela que emerge primeiramente localizada mais próxima da camada lexical e aquela que emerge mais tardiamente localizada mais distante dessa camada. A hipótese adotada neste trabalho é a chamada Hipótese da Primazia do Aspecto, que defende que, nas etapas iniciais de aquisição, os morfemas flexionais utilizados pelas crianças veiculam valores aspectuais, mais especificamente, valores relacionados ao aspecto semântico. Para testar essa hipótese, foi desenvolvido um estudo longitudinal com duas crianças, de modo que fosse possível investigar o desenvolvimento linguístico dessas crianças no que diz respeito à emergência das categorias de Tempo e Aspecto. Os resultados obtidos sugerem que o aspecto semântico controla o uso dos morfemas flexionais em etapas iniciais de aquisição de linguagem. De acordo com esses resultados, seria possível afirmar que a categoria de Aspecto emerge antes da categoria de Tempo na gramática das crianças, o que sugere fortemente que o nódulo de Aspecto é dominado pelo nódulo de Tempo na árvore sintática.

Nathacia Lucena Ribeiro

Título:Recursividade, Coordenação e Prosódia: estudos psicolinguísticos com PPs em português e hebraico

Orientador: Aleria Cavalcante Lage Páginas: 78


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Essa pesquisa se insere na área da Psicolinguística, na subárea de Processamento de Sentença, tendo por base teórica a Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1965, 1981, 1995, 2000) e a teoria prosódica de Ladd (1986, 1988, 2014). A partir de experimentos de leitura, em português do Brasil e hebraico, o objetivo é observar as realizações prosódicas de sentenças com encaixes de três PPs-adjunto, encaixados por recursividade ou por coordenação. As condições experimentais foram recursividade (A aluna achou as canetas [no estojo [no bolso [na mochila]]]) e coordenação (A aluna achou as canetas [no estojo] [e no bolso] [e na mochila]). As leituras foram gravadas e submetidas à análise acústica, com o objetivo de determinar se o fenômeno declination reset ocorria no contorno entonacional, sob a hipótese de que a prosódia mapeia a sintaxe. Os resultados mostraram que sentenças com encaixes de PPs por recursividade não apresentavam declination reset, ao contrário de sentenças com encaixes coordenados de PPs. Esse experimento foi replicado em hebraico, e, mais uma vez, os resultados apontaram para a confirmação das hipóteses e predições: Não houve declination reset na recursividade. Os resultados também apontam para a existência de um marcador prosódico no processamento de sentenças construídas com mecanismos de recursividade e coordenação.

Lorena Cardoso dos Santos

Título: Da forma para a função: a correlação entre Sintagmas Nominais Complexos e Editoriais

Orientador:Vera Lucia Paredes Pereira da Silva Páginas: 105


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Esta dissertação analisa o uso de Sintagmas Nominais Complexos (doravante SNC) em editoriais. A hipótese geral que este trabalho investiga é a de que existe correlação entre a configuração dos SNC e o gênero editorial. Foram considerados complexos aqueles sintagmas nominais que, contando com o núcleo, possuem três ou mais constituintes. Esta investigação correlaciona aspectos formais e funcionais, tendo em vista que não só o uso de modificadores, Spreps e orações encaixadas podem ser considerados como fator de peso (complexidade) no SN, mas também aspectos discursivo-funcionais, como o estatuto informacional (cf. Prince 1981, 1992). Outro fator que podemos analisar é a posição que o SNC ocupa na sentença, pois segundo Wasow (1997), estruturas pesadas tendem a vir à direita do verbo, numa posição de peso crescente, o que corrobora o “princípio do ponto de partida leve”, de Chafe (1987). O corpus foi constituído por 40 editoriais de jornal e 40 editoriais de revista, todos de circulação na cidade do Rio de Janeiro. Interessou-nos analisar também as diferenças e semelhanças existentes entre os propósitos comunicativos dos editoriais, uma vez que a diferença entre os usos acaba se refletindo na escolha da sequência textual predominante no texto – argumentativa ou expositiva-, o que, por sua vez, se relaciona com o nível de complexidade sintática dos grupos nominais. Isso se deve a uma relação de mútua motivação, em que a estrutura (SN) influencia o discurso (materializado no gênero) da mesma maneira que o discurso acaba motivando a escolha e o uso da estrutura nominal. Por isso, à luz do funcionalismo norte-americano e das análises de Gêneros (cf. Bakhtin 2003, Marcuschi, 2008 e Paredes Silva, 2010 e 2012), analisamos o SNC através de um continuum de complexidade. Os critérios para medir a complexidade dos SNC foram: (i) a estrutura composicional do SN, (ii) a posição desses SNC em relação ao verbo e (iii) aspectos discursivo-funcionais dos SNC. Os resultados mostram que o gênero editorial de jornal possui uma complexidade estrutural maior, ou seja, com maior incidência de SNC e com SNC mais pesados do que o gênero editorial de revista. Ademais, foi encontrada baixa incidência de nominalizações. Essas duas características afastam esses editoriais de uma classificação única, e nos permitem discutir sobre as influências que o suporte possui sobre a composição dos gêneros que veicula.

Jonathan Ribeiro Farias de Moura

Título: Capas do jornal Meia-Hora: uma análise discursiva do verbal e do não verbal

Orientadora:Tania Conceição Clemente de Souza Páginas: 87


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As capas do jornal Meia-Hora são conhecidas pelo seu tom cômico em divulgar a notícia. Elas possuem uma formulação complexa que exige do sujeito-leitor um conhecimento prévio das manchetes e/ou uma familiaridade com as formas linguísticas que são utilizadas. O objetivo do trabalhar é analisar a discursividade que se apresenta nas capas de diferentes épocas, diferentes temas e verificar os recursos que o jornal utiliza. Seja verbal, não verbal, ou os dois simultaneamente. E dar uma proposta de Tipologia de Capas nas quais se dividem em: 1) Contiguidade de imagens e polissemia lexical; 2)Ambiguidade e polissemia lexical; 3)Contiguidade e implícitos; 4) Silenciamento e interdição do dizer e 5) Mesclagem e processos lexicais. Ao todo foram analisadas 13 capas e constatou-se nelas uma teia discursiva complexa em que verbal e não verbal são explorados em seus limites máximo. Para tanto, serão utilizados os pressupostos da Análise de Discurso de linha francesa e conceitos como Discurso Lúdico (ORLANDI, 1987) e Discurso Polêmico (idem) e Imagem (SOUZA, 2001).

Cristiane Ramos de Souza

Título: Animacidade e Papéis Temáticos: um estudo experimental

Orientador:Aleria Cavalcante Lage Páginas: 71


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Considerando a relação sintático-semântica estabelecida entre um verbo, seus argumentos e os papéis temáticos que o verbo lhes atribui, esta pesquisa tem o objetivo de investigar os papéis temáticos de Agente, Paciente e Experienciador e a animacidade dos DPs com função sintática de sujeito.Com base na Gramática Gerativa (Chomsky, 1957-atual), abordam-se também computação linguística, estrutura argumental, teoria temática e léxico. Neste sentido, é por meio de um experimento psicolinguístico online de processamento de sentenças, com verbos transitivos e intransitivos, também incoativos, que se estuda a hierarquia temática dos DPs-sujeito.Os resultados apontam, sim, para uma hierarquia dos papéis temáticos e para a confirmação do postulado bottom-up na computação linguística. (Cf. LAGE, 2005a, 2005b; LAGE et al., 2008, entre outros).
Para que a visibilidade da hierarquia temática aconteça, é necessário que o processamento da sentença chegue ao final, pois só com a concatenação do verbo com seu argumento interno (first merge), e a concatenação de v` com o possível argumento externo (second merge), se conhecem os papéis temáticos atribuídos aos argumentos. O papel temático, portanto, é essencial para se distinguirem os argumentos e suas respectivas funções sintáticas. No entanto, isso não faz o papel temático ser destinado unicamente a uma posição argumental. São as relações estabelecidas entre verbo e seus argumentos que determinam o papel temático sendo projetada na sintaxe uma função a ele atribuída. E é justamente na relação entre sintaxe e semântica que a hierarquia temática é estabelecida.

Andreia Muniz Alves

Título: Para um estudo das construções estativas no PB

Orientador:Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 57


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De acordo com a literatura (WASOW, 1977; DUBINSKY; SIMANGO, 1996), há dois tipos diferentes de passivas: a passiva verbal, que exprime um evento, por esse motivo é conhecida como passiva eventiva (como, por exemplo, A porta foi aberta(pelo João)); e a adjetiva, que denota um estado, por isso é chamada de passiva estativa (como, por exemplo, A porta está aberta (*pelo João)). As duas principais diferenças entre elas são que a primeira não só admite a introdução de um by-phrase, como também só permite o uso do auxiliar ser, que irá fornecer a noção de tempo e aspecto; já a segunda normalmente não admite a adjunção de by-phrase e, além disso, pode não só ocorrer com verbos cópulas, como também com verbos de ligação. Porém, apesar de parecer uma classe homogênea, as passivas estativas, de acordo com Kratzer (2000), podem ser separadas em pelo menos dois grupos: as passivas adjetivas de estado alvo, que descrevem um estado reversível não necessariamente decorrente de um evento (ex.: Os caramelos estão escondidos), e as passivas adjetivas de estado resultante, que descrevem um estado necessariamente decorrente de um evento e é irreversível (ex.: O teorema está provado). Kratzer, que se baseia na distinção feita por Parson (1990), propõe que as passivas de estado alvo, por denotarem estados reversíveis, transitórios, aceitam o uso de still (ainda) no inglês e de immernoch no alemão; enquanto as passivas adjetivas de estado resultante, por denotarem um estado de um evento descrito pelo verbo de base ter culminado – e que, portanto, não podem ser revertidos –, não aceitam a adjunção do advérbio still / immernoch.
Em função desta diferença, ela sugere duas construções distintas para os particípios adjetivos. O objetivo deste trabalho é mostrar que além da distinção feita entre passivas de estado resultante e de estado alvo, esses grupos não são homogêneos, pois algumas construções permitem o uso de um by-phrase. Em função disso, iremos, baseando-nos em Alexidou e Anagnostopoulou (2008), sugerir uma estrutura para as construções estativas com by-phrase. Para o desenvolvimento deste trabalho adotaremos como linha teórica a Morfologia Distribuída (MARANTZ, 1997), uma vertente da Gramática Gerativa que defende que o mesmo mecanismo que gera sentenças (a sintaxe) também gera palavras.