Neste ano foram defendidas 8 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Thais Lima Lopes

Título: A realização morfológica do aspecto perfect no português do Brasil e no inglês da Inglaterra – uma análise comparativa

Orientador: Celso Vieira Novaes Páginas: 120


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Este estudo tem como objetivo investigar a realização morfológica do aspecto perfect no inglês da Inglaterra e no português do Brasil e fazer uma análise comparativa das realizações das duas línguas a fim de apresentar evidências em favor da categorização proposta por Iatridou et al (2003), que divide esse aspecto em duas categorias, a saber: perfect universal e perfect existencial. Parte-se da hipótese de que, no português do Brasil, diferentemente do inglês, a perífrase “ter + particípio” veicula exclusivamente o perfect universal. Para testar essa hipótese, foram analisados dados de falantes das duas línguas através de programas de televisão, blogs e de um teste de preenchimento de lacuna. Os resultados obtidos sugerem que o português do Brasil utiliza a perífrase “ter + particípio”, a perífrase “estar + gerúndio” e o presente do indicativo para veicular o perfect universal, e utiliza o pretérito perfeito com outras informações na sentença para veicular o perfect existencial. Os resultados sugerem também que o inglês da Inglaterra, apesar de ter uma forma verbal capaz de veicular os dois tipos de perfect (“have + particípio”), parece estar utilizando outras formas verbais para veicular esse aspecto. Essas outras formas parecem seguir um padrão semelhante ao português do Brasil, utilizando a perífrase “be + gerúndio” para realizar o perfect universal e o pretérito perfeito para realizar o perfect existencial. A hipótese deste estudo não foi refutada.

Rafaela do Nascimento Melo Aquino

Título: Encontros e desencontros semânticos entre palavras cognatas das línguas portuguesa e espanhola

Orientadora: Miriam Lemle Páginas: 101


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O objetivo desta pesquisa é compreender a relação entre a sintaxe e a semântica no que diz respeito aos diferentes significados que uma palavra complexa pode receber. Os dados dos quais este estudo lança mão são verbos, nomes e adjetivos cognatos em duas línguas aparentadas: o português e o espanhol. Este é um estudo comparativo. O uso de comparações entre palavras cognatas se deve à possibilidade de poder perceber, através desses conjuntos nessas línguas, a variabilidade de aproveitamento sintático e semântico de palavras que são formadas a partir das mesmas raízes e pelos mesmos processos morfológicos. A hipótese assumida é de que a interpretação semântica de um vocábulo, mesmo sendo restrita pela estrutura sintática em que ele está inserido, pode variar, ganhando leituras regulares bem como leituras idiossincrásicas. Neste estudo estão sendo assumidas duas propostas teóricas da gramática gerativa: a Morfologia Distribuída e o Modelo Exo-esqueletal. Essas teorias se assemelham quanto à responsabilidade do sistema computacional na criação de palavras, mas se distinguem na delimitação da posição sintática em que o conteúdo atômico pode surgir. Seguindo a proposta da teoria exo-esqueletal, a análise dos dados tem nos mostrado a grande variabilidade semântica de muitos verbos segundo os seus contextos sintáticos e a possibilidade de palavras morfologicamente complexas apresentarem conteúdo semântico idiossincrásico.

Maria Julia Nascimento Sousa Ramos

Título:Estratégias de Indeterminação em Grupos de Discussão de Jovens Universitários

Orientadora: Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva Páginas: 94


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Partindo do pressuposto de que o estudo dos gêneros do discurso (cf. Bakhtin, 2003) possibilita compreender os contextos de uso das formas da língua, o principal objetivo deste trabalho é descrever e analisar como o fenômeno da expressão do sujeito de segunda pessoa do singular (“tu” e “você”) e de algumas formas nominais (“o cara”, “a pessoa”, “vagabundo”, “nego”, “neguinho”) com valor indeterminado se comporta em um gênero digital de caráter argumentativo e mais informal. Como trata-se de um estudo da língua em situações reais de comunicação, aliamos a Teoria da Variação e Mudança Laboviana (cf. Labov, 2008) ao Funcionalismo Linguístico, já que essas correntes linguísticas consideram a língua em uso como objeto de análise. A língua é, nesse sentido, um sistema moldável que atende ao que é requerido comunicativamente por seus usuários, que recorrem estrategicamente a meios linguísticos a fim de satisfazer seus propósitos comunicativos. Foram analisadas as conversas de jovens universitários da cidade do Rio de Janeiro em grupos de discussão localizados no site de relacionamentos Facebook das Faculdades de Direito e Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. Em uma primeira instância de análise, foi possível observar que o gênero dá as condições de ocorrências diferentes com relação ao comportamento dos pronomes de segunda pessoa do singular e dos nomes investigados na rede social. Como propiciam a estratégia de exemplificação para sustentar uma argumentação, as conversas nos grupos de discussão apresentaram pronomes e nomes de referência genérica, que podem ser definidos pelo sentido mais geral e abrangente. Nessa análise, considera-se que a tipologia textual (cf. Adam, 1990) influencia no uso dos pronomes e dos nomes no que diz respeito a sua referência (genérica). Os resultados apontaram para uma preferência pelo uso dos pronomes de segunda pessoa, principalmente do pronome “você”, porque sugerem uma aproximação entre os interlocutores e à cena descrita em uma situação comunicativa bastante polêmica.

Ana Luiza Henriques Tinoco Machado

Título:Resolução da Ambiguidade no Âmbito da Correferência Pronominal: um estudo psicolinguístico sobre a influência do contexto

Orientadora:Aniela Improta França Páginas: 80


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Esta dissertação tem como objetivo principal pensar sobre a resolução da ambiguidade no âmbito da correferência pronominal intrassentencial e a influência da semântica verbal no seu processamento. Além disso, tentamos colaborar para o melhor entendimento da especificidade do domínio sintático, de o quanto ela é autônoma e de quando ela seria influenciada por vieses semânticos e pragmáticos.
As hipóteses que assumimos foram as de que (i) a operação de estabelecimento da correferência intrassentencial comumente se envolve em ambiguidade e a resolução da ambiguidade é multifatorial; (ii) durante a resolução, as restrições sintáticas são aplicadas primeiro; (iii) há informações contextuais entrando ao longo da computação que poderão ser observadas off-line na resolução da ambiguidade.
Foram aplicados dois testes de leitura automonitorada para investigarmos os vieses semânticos do verbo para entendermos se e em que medida eles podem influenciar no processamento da correferência pronominal. A meta conjunta dos dois testes foi a de delimitar o papel estrutural no processo da correferência estabelecida em sentenças tanto com pronome preenchido como nulo. Dessa forma, os dois testes apresentaram as mesmas seis condições e sua diferença foi o tipo de pronome.
Dessa forma, pensando nos fatores que poderiam influenciar no processamento das sentenças em teste, assumimos três hipóteses principais: (i) a operação de estabelecimento da correferência intrassentencial comumente se envolve em ambiguidade e a resolução da ambiguidade é multifatorial; (ii) durante a resolução, as restrições sintáticas são aplicadas primeiro; (iii) há informações contextuais entrando ao longo da computação que poderão ser observadas off-line na resolução da ambiguidade.
A partir de nossos resultados, conseguimos perceber a participação de alguns), fatores sintáticos relativos aos pronomes, fatores semânticos inerentes à raiz (cue-basedfactors e, ainda, além deles, uma outra força vinda de recursos cognitivos da memória poderia atuar relacionado à recência dos antecedentes disponíveis. Porém os fatore sintáticos parecem ter atuado primeiro.

Fabio Marçal da Fonseca

Título:Graus de subjetividade em estruturas de indeterminação

Orientadora: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 94


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Este trabalho analisa construções de indeterminação do sujeito do português brasileiro sob a perspectiva teórica da Linguística Cognitiva. Mais especificamente, a pesquisa enfoca duas construções consideradas paradigmáticas de indeterminação, a saber: 1) a construção de indeterminação com sujeito de 3ª pessoa do plural não anafórico, explicitamente codificado ou não [(SUJ) V3PP (X)] (Ex. eles assaltaram o banco / assaltaram o banco), e 2) a construção de indeterminação com a partícula “se ” [V3P-SE (X)] (Ex. alugam-se casas / precisa-se de serventes). A análise articula, de forma inovadora, o paradigma da Gramática de Construções (Goldberg, 1995) aos conceitos de subjetividade e construal (Langacker, 1987, 1990), para tratar do pareamento forma-significado em ambas as construções.
A pesquisa foi desenvolvida a partir dos corpora orais PEUL e D&G, formados por entrevistas orais acerca de temas diversos como política, saúde, educação, economia, vida familiar, profissões, etc. A principal hipótese do trabalho é que as construções de indeterminação exibem diferentes graus de subjetividade, caracterizados a partir de diferentes configurações de perspectivas em relação à cena descrita. A segunda hipótese, associada à primeira, é a de que as construções de indeterminação apresentam distribuições distintas em função dos tipos textuais em que ocorrem.
Os resultados da análise são compatíveis com as hipóteses propostas, na medida em que as construções de indeterminação com pronome não anafórico, descritas como mais objetivas, ocorrem mais frequentemente em textos narrativos e descritivos (normalmente vinculados à apresentação dos fatos e entidades tal como ocorrem na realidade); já as construções de indeterminação com ‘se’, descritas como mais subjetivas, também são mais frequentes em textos argumentativos e expositivos (normalmente associados ao ponto de vista do falante).

Débora Carvalho de Almeida Pinto

Título:O gênero Resenha Acadêmica: um estudo sobre sua organização retórica e o uso de Sintagmas Nominais Complexos.

Orientador: Páginas: 76


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Esta dissertação apresenta um estudo do gênero Resenha Acadêmica, observando, especialmente, a sua organização retórica e o uso de Sintagmas Nominais (SNs) complexos. Como abordagem, baseamo-nos nos pressupostos teóricos da Análise de Gêneros e conceitos da Linguística Funcional. Para analisar a organização retórica da Resenha Acadêmica, aplicamos o modelo CARS (Create a research space) de John M. Swales (1990) adaptado por Motta-Roth (1995). O corpus é constituído por 12 resenhas de Psicanálise e 10 de Linguística publicadas em periódicos conceituados no meio acadêmico. Na análise, observamos, principalmente, o padrão de organização retórica e possíveis diferenças entre as áreas. Quanto ao uso de SNs complexos, analisamos a correlação entre o seu uso e o gênero Resenha Acadêmica. A motivação dessa escolha vem do fato de a resenha acadêmica possuir informações mais resumidas e compactas, pois é esperado que o resenhista desenvolva uma síntese e uma avalição do livro, favorecendo o uso de SNs complexos. Foram considerados como SNs complexos aqueles que, contando com o núcleo, possuem três ou mais constituintes. A presente análise explorou, principalmente, o Princípio de Informatividade (Cf. PRINCE, 1981) e as correlações entre o peso do constituinte e a ordem na oração (Cf. WASOW, 1997). Como critério para medir a complexidade dos SNs, correlacionamos os aspectos formais, tais como o número de itens lexicais, o uso ou não de nominalizações, a presença ou não de encaixes com aspectos sintático-discursivos: a função sintática do SN, a sua posição na oração e o status informacional. Os resultados mostram que as resenhas brasileiras analisadas apresentam algumas diferenças em relação ao padrão encontrado por Motta-Roth (1995). Em relação à complexidade dos SNs, encontramos um alto índice de nominalizações e encaixes.

Christine Mello Ministher Reis

Título: O gênero resumo em artigos científicos: uma análise dos movimentos retóricos

Orientador:Maria Cecilia de Magalhães Mollica Páginas: 89


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Resumo:

Atualmente, muitos estudiosos têm falado e escrito a respeito de produção de texto e gêneros textuais, no entanto poucos progressos reais têm sido alcançados nessa área. Docentes e discentes vivem em busca do tão almejado sucesso na produção textual acadêmica. Diante desse panorama, busca-se analisar como está a produção textual dos graduados e pós-graduados Brasil afora. Os objetivos desta dissertação são os de analisar a produção do gênero resumo que integra os artigos científicos de periódicos e propor sugestões que contribuam para uma produção mais consciente e eficaz do gênero ora em foco. Para realizar esta pesquisa, utilizou-se, como método de análise, o modelo dos cinco movimentos retóricos potencialmente presentes em um resumo de artigo científico, proposto por Swales & Feak (2009). Os resumos de artigos científicos que compõem a amostra deste trabalho foram extraídos de revistas Qualis A2, periódicos muito bem pontuados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Os resultados encontrados mostram que apenas 13.33% dos resumos analisados possuem quatro dos cinco movimentos possíveis e que nenhum resumo possui os cinco movimentos. Conclui-se, pois, que os produtores de resumos de artigos científicos, em sua maioria, não dominam o gênero em tela.

Bruno Araujo de Oliveira

Título: A trajetória da construção por causa de: uma análise centrada no uso

Orientadora:Maria da Conceição Auxiliadora de Paiva Páginas: 83


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Este trabalho consiste num estudo em tempo real de longa duração que focaliza a trajetória da construção causal por causa de em português, durante o período compreendido entre os séculos XIII e XXI. Nosso objetivo central é depreender as mudanças sofridas por este sintagma preposicional, já presente nos estágios mais remotos do português. Para tanto, selecionamos uma amostra de textos representativos de cada período da história do português, a saber: período arcaico, período clássico e período moderno. Esses textos foram extraídos de três corpora distintos: o Corpus Informatizado do Português Medieval, o Corpus Histórico do Português Tycho Brahe e a Amostra do Discurso Jornalístico organizada pelo PEUL. Buscamos analisar as diversas propriedades morfossintáticas, semânticas, pragmáticas e discursivo-textuais da construção por causa de em cada sincronia, de modo a verificar possíveis mudanças construcionais. Este estudo se fundamenta no aporte teórico-metodológico da Linguística Centrada no Uso considerando, mais especificamente, os pressupostos da atual abordagem construcional da gramaticalização (BYBEE, 2010; GISBORNE & PATTEN, 2011). Nesta perspectiva, a emergência e o desenvolvimento de construções nas línguas se devem à atuação de processos cognitivos de domínio geral, tais como categorização, encadeamento e analogia. Em consonância com essa abordagem, partimos da hipótese segundo a qual uma construção se gramaticaliza a partir do aumento de frequência de uma instância específica de um padrão estrutural existente. Com o aumento de frequência, esta instância pode vir a se tornar um chunk e então um exemplar da categoria a que pertence. A partir da análise dos dados, observamos que a construção por causa de configura uma instância específica do padrão construcional representado pela estrutura POR + SN + DE + X, que semanticamente expressa a causa de um estado de coisas descrito na oração. Verificamos que o desenvolvimento diacrônico de por causa de é acompanhado de especialização no domínio da causalidade, bem como fixação de algumas propriedades formais. Além disso, também identificamos a ampliação de algumas propriedades da oração, indicando um processo de gramaticalização por expansão contextual, tal como propõe Himmelmann (2004).