Neste ano até o momento foram defendidas 7 dissertações.

Útlima atualização 08/05/2017

Débora Cristina Paz Paz Lourençoni

Título: Telicidade e sua realização pelo operador aspectual se no espanhol

Orientador: Adriana Leitão Martins Páginas: 141


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O objetivo geral desta dissertação é contribuir para o entendimento do que caracteriza a telicidade, que é uma noção aspectual semântica que tem relação com o fato de uma situação possuir um ponto final inerente. Utilizamos o operador aspecual se, que é uma das possíveis maneiras de expressar a telicidade no espanhol, como uma pista linguística para alcançar esse objetivo geral. Com isso, os objetivos específicos desta dissertação são investigar no espanhol da Espanha a realização linguística do operador aspectual se combinado a certos traços aspectuais, como (i) o traço aspectual gramatical de imperfectivo contínuo; (ii) o traço aspectual semântico de estatividade e (iii) o traço aspectual semântico de pontualidade. As hipóteses que queremos colocar à prova neste trabalho são as de que, no espanhol da Espanha, o operador aspectual se não ocorre combinado a verbos que carregam o traço aspectual (i) gramatical de imperfectivo contínuo; (ii) semântico de estatividade e (iii) semântico de pontualidade. Como metodologia, para alcançar os objetivos e testar as hipóteses mencionadas, 2 horas de fala espontânea de um corpus do espanhol de Madrid foram analisadas e 50 falantes nativos do espanhol da mesma cidade foram submetidos a um teste de preenchimento de lacunas e a um teste de julgamento de gramaticalidade comentado. Os resultados obtidos por meio dessas opções metodológicas possibilitaram a refutação apenas da hipótese (i). Com este trabalho, foi possível argumentar na direção de que a telicidade é incompátivel com os traços aspectuais semânticos de estatividade e de pontualidade. Além disso, discutimos que a telicidade é o resultado da combinação de diferentes traços linguísticos.

Dennis da Silva Castanheira

Título: Uso de adverbiais modalizadores e sua abordagem em livros didáticos de ensino médio: reflexões e propostas de atividades

Orientador: Maria Maura da Conceição Cezario e Leonor Werneck dos Santos Páginas: 141


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Esta pesquisa discute o uso de adverbiais modalizadores em artigos de opinião e sua abordagem em livros didáticos de ensino médio à luz do Funcionalismo norte-americano e da Linguística do Texto. Acerca do uso, observamos sua posição e seu papel como articulador textual argumentativo e como marca de subjetividade em 60 artigos de opinião publicados nos jornais O Globo Online e O Dia Online, ambos do Rio de Janeiro. Os resultados apontaram para necessidade de maior investigação das motivações para ordenação dos adverbiais modalizadores e para seu importante papel como articulador textual argumentativo subjetivo expressando, sobretudo, efeito de sentido epistêmico. Nos livros didáticos, observamos panoramicamente como o tema é tratado a partir dos efeitos de sentido e papéis funcionais dos adverbiais modalizadores e de sua ligação à argumentação. Os resultados apontaram para necessidade de melhor tratamento do tema, tendo em vista a escassez e a inadequação da abordagem dos manuais analisados. Por fim, apresentamos algumas sugestões de propostas de atividades que podem ser adaptadas e usadas posteriormente em sala de aula por professores de ensino básico ou por trabalhos futuros.

Lorrane da Silva Neves Medeiros

Título: O tópico sintático no português do Brasil: um estudo de rastreamento ocular

Orientador: Marcus Antônio Rezende Maia Páginas: 106


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O objetivo deste estudo foi o de investigar como se dá o processamento das construções de tópico em português do Brasil (PB), em contextos onde o Princípio de Subjacência (CHOMSKY, 1973) é violado, através da técnica de rastreamento ocular, com vistas a fornecerem-se dados empíricos para o debate sobre a natureza dessas construções, aferindo criteriosamente se sua geração ocorre na base ou por movimento sintático. Os resultados obtidos neste experimento trazem evidências em favor da hipótese de que o tópico no PB seria gerado por movimento sintático. As análises demonstram que nas frases onde o processo de derivação do tópico viola a Condição de Subjacência há maior custo de processamento, indicando que a construção é sensível à restrição de movimento sintático. A medida on-line ‘Tempo de fixação total na leitura da frase’ demostrou que os sujeitos levam em média 5128 ms para realizar a leitura de uma frase onde há um tópico extraído de dentro de uma ilha sintática, enquanto levam em média 4428 ms para realizar a leitura de uma frase onde a extração do SN é feita fora do contexto de subjacência. Uma investigação mais restrita, analisando-se apenas os SN’s tópico e sujeito, nos permitiu fazer mais duas observações interessantes: i) os leitores incorrem em custo de processamento menor na leitura de SN’s in situ em contextos subjacentes do que não subjacentes, confirmando achados de Wagers & Phillips (2009), para o inglês e de Maia, Moura & Souza (2016), para o português brasileiro; ii) os leitores encontram um custo de processamento maior na leitura de um SN sujeito, do que na leitura de um SN tópico, em contexto de extração.

Rogério Santos Júnior

Título: A aquisição de interrogativas qu- do português brasileiro como L2 por hispanofalantes adultos

Orientador: Marcia Maria Damaso Vieira Páginas: 161


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O objetivo desta dissertação é o de investigar a aquisição de interrogativas do tipo Qu- do Português Brasileiro por falantes adultos de Espanhol. A escolha de tais línguas foi motivada pelo fato de terem valorações diferentes para a força do traço Q. Na L1 dos aprendizes, Q tem traços fortes e desencadeia a inversão entre sujeito e verbo nas interrogativas do tipo Qu-. Na L2, Q tem traços fracos, o que não permite essa inversão. A fim de explicar o processo de aquisição nesse contexto, adota-se a hipótese de transferência total e de acesso total à GU (WHITE, 1989, 2003). A partir dos dados obtidos por meio de aplicação de experimentos, é possível observar que, de fato, existe transferência do valor da força do traço Q da L1 para a L2. Isso explica a produção de sequências agramaticais com palavras Qu- na produção dos aprendizes de Português Brasileiro. Contudo, há, também, acesso à GU, na medida em que o valor da força do traço Q da L2 é adquirido. Essa mudança pode ocorrer em qualquer momento do processo de aquisição, dependendo da habilidade dos aprendizes de perceber gatilhos para essa alteração nos estímulos linguísticos. Alguns aprendizes da L2 mantêm em seu Léxico dois tipos de morfema Q: um, de traços fortes, como em sua L1; e outro, de traços fracos, como na L2. Assim, são capazes de produzir interrogativas do tipo Qucom e sem inversão entre sujeito e verbo, mesmo após o estágio final do processo de aquisição da L2. Outros aprendizes da L1, porém, abandonam os valores da L1 e chegam a uma gramática da L2 quase idêntica à dos falantes nativos.

Sara Bezerra dos Santos Ribeiro

Título: O processamento da oração principal em períodos compostos por subordinação e coordenação: padrões de leitura e formação de pontos de vista

Orientador: Marcus Antonio Rezende Maia Páginas: 81


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O objetivo desta dissertação é discutir aspectos do processamento da oração principal em períodos compostos por orações subordinadas adverbiais temporais a partir da hipótese da oração principal proposta inicialmente por Smith & McMahon (1970) e verificar a questão da perspectiva e do ponto de vista (Graumann & Kallmayer) do período através da análise dos resultados de um experimento de leitura usando a técnica do rastreamento ocular (eye-tracking). O teste de leitura de frases proposto, utilizando o rastreador ocular, teve como fatores estruturais de subordinação a oração principal e a oração subordinada; de coordenação a oração assindética e a oração sindética e como fatores de ordem a posição inicial e a posição final. Nossa hipótese para o experimento foi a de que a oração principal receberia tempos de fixação mais elevados do que a oração subordinada e a de que a ordem indireta/reversa das frases levaria os participantes a cometerem mais erros nas respostas off-line. Os resultados apontaram que a oração principal recebe mais tempo de fixação do que a oração subordinada temporal na leitura por leitores proficientes (alunos da graduação), não importando a ordem em que ela esteja na frase. Já os leitores menos proficientes (alunos do ensino fundamental), apresentaram maior tempo de fixação na primeira oração da frase, não importando se ela era principal ou subordinada. Os resultados das orações coordenadas indicaram que leitores proficientes fixam mais o olhar na oração sindética, já os leitores menos proficientes fixam mais o olhar na oração assindética, pois essa é sempre a primeira oração da frase. Os resultados off-line apontam que a ordem reversa das frases leva a um número maior de respostas erradas por parte de ambos grupos.

Yalis Duarte Rodrigues Lima

Título: Forma e função em gêneros digitais: estrutura composicional e traços léxico-gramaticais no macrogênero blog

Orientador: Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva Páginas: 77


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Este trabalho tem como objetivo apresentar aspectos relativos à macroestrutura e à microestrutura dos gêneros Crítica de Cinema e Relato de Viagem presentes em blogs especializados nas duas temáticas. Na análise macroestrutural foram considerados componentes da Estrutura Potencial do Gênero (cf. Hasan, 1985) e, na análise microestrutural foram analisados traços léxico-gramaticais correlacionados a aspectos do estilo dos textos. A análise enquadra-se nos pressupostos da Teoria dos Gêneros e da Linguística Sistêmico-Funcional, além de buscar subsídios nos trabalhos de Biber (1988) e Biber & Finegan (1989). O corpus é constituído por um total de 20 textos publicados em 10 blogs de cada temática. Na análise da estrutura composicional, foram investigados os elementos obrigatórios e opcionais presentes na estrutura esquemática dos dois gêneros. Com relação à análise dos traços léxico-gramaticais, a prevalência de 1ª, 2ª e 3ª pessoa, a predominância de predicados de determinadas classes semânticas (cf. Halliday, 2004), o uso de adjetivos, entre outros aspectos, apontam para a distinção estilística dos gêneros analisados. Enquanto as Críticas de Cinema apresentam uma tendência geral ao distanciamento dos autores do texto, os Relatos de Viagem se mostram mais subjetivos e com traços de interatividade, predominando a dimensão de envolvimento (cf. Biber, 1988; Biber & Finegan, 1989). Os dois níveis de análise permitem a conclusão de que os gêneros em questão apresentam distinções relativas ao posicionamento (stance) dos autores, que se refletem na função que desempenham na comunidade blogueira. As diferenças encontradas ratificam, ainda, a compreensão do blog como um macrogênero.

Patricia Afonso Lima Guimarães

Título: Verbos de Estado e Morfologia de Progressivo: Um Estudo Comparativo entre o Português do Brasil e o Inglês dos Estados Unidos da América

Orientador: Adriana Leitão Martins Páginas: 202


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Neste estudo, temos como objetivo contribuir para o entendimento do que caracteriza verbos de estado. Mais especificamente, nossos objetivos são investigar como verbos tipicamente classificados como verbos de estado veiculando o aspecto imperfectivo contínuo, são realizados no português do Brasil (PB) e no inglês dos Estados Unidos da América (IEUA) e fazer uma análise comparativa entre as realizações das duas línguas. Nossas hipóteses são que, para realizar verbos tipicamente classificados como verbos de estado veiculando o aspecto imperfectivo contínuo, (i) falantes nativos do PB se utilizam exclusivamente da morfologia de não progressivo e (ii) falantes nativos do IEUA se utilizam exclusivamente da morfologia de não progressivo. Para testar essas hipóteses, foram analisados dados de falantes das duas línguas através de dois testes de produção: um teste escrito de preenchimento de lacuna e um teste oral de produção semi-espontânea. Os resultados obtidos no primeiro teste sugerem que a maioria das subclasses de verbos classificados como verbos de estado testadas pode ser utilizada com a morfologia de progressivo no PB, como a perífrase “estar” + gerúndio e, no IEUA, como a perífrase “to be” + gerúndio. Os resultados obtidos no segundo teste sugerem que essa morfologia é quase tão utilizada quanto a morfologia de não progressivo na fala semi-espontânea de nativos do PB, mas é bem menos utilizada que a morfologia de não progressivo na fala semi-espontânea de nativos do IEUA. Desse modo, nossas hipóteses foram refutadas. Apesar de alguns desses verbos tipicamente classificados como verbos de estado serem utilizados com a morfologia de progressivo, argumentamos que esses não são verbos de estado verdadeiros por não possuírem o traço [+estativo] desde o léxico.